Brasileiro celebra título de melhor tiramisù do mundo: 'Surpresa e alegria'
Marcos Muzzi venceu confeiteiros amadores de mais de 30 países em Treviso
O brasileiro Marcos Muzzi, de 51 anos, venceu a 10ª Copa do Mundo de Tiramisù em Treviso, na Itália, superando rivais de mais de 30 países. Competindo na categoria da receita clássica, o meliponicultor dedicou dois anos ao aperfeiçoamento da técnica e se destacou pelo equilíbrio de sabor, textura e temperatura ideal do doce, montado nos minutos finais. Inspirado pela campeã de 2023, Patrícia Guerra, Muzzi garantiu a vaga após vencer a etapa nacional e agora cumpre agenda oficial do torneio.
Por Luciana Ribeiro - "Foi um misto de surpresa e alegria." É assim que o brasileiro Marcos Muzzi resume a emoção de conquistar o título da 10ª Copa do Mundo de Tiramisù (TWC), realizada entre os dias 9 e 11 de outubro, em Treviso, berço da sobremesa na Itália.
Aos 51 anos, o meliponicultor - criador de abelhas sem ferrão - superou concorrentes de mais de 30 países e encantou os jurados com sua versão original do doce italiano.
A vitória é resultado de dois anos de dedicação ao aperfeiçoamento da receita, elaborada exclusivamente com os ingredientes clássicos do tiramisù: queijo mascarpone, ovos, açúcar, biscoitos savoiardi (conhecido no Brasil como biscoito champanhe), café e cacau em pó.
Mais do que encontrar a combinação ideal de sabores, Muzzi precisou dominar o tempo e a técnica para apresentar uma sobremesa equilibrada, com a textura e a temperatura adequadas.
"Apesar de bastante preparado, não imaginava vencer tantos competidores de diferentes regiões da Itália. É como se a ficha estivesse caindo. Não deu tempo de processar a vitória e tudo que veio com ela", conta o campeão em entrevista à ANSA.
O principal desafio, segundo ele, foi executar todas as etapas dentro do limite de 40 minutos. Sem tempo suficiente para levar o tiramisù à geladeira, foi necessário recorrer a uma solução prática para resfriar o creme e garantir que a sobremesa chegasse à mesa dos jurados nas condições ideais.
"Acredito que meu diferencial foi conseguir harmonizar sabor e dulçor para o paladar italiano, além de servir para os jurados o doce na temperatura correta. Já que não havia tempo para geladeira, precisei deixar o creme sob o gelo, fazendo a montagem nos minutos finais", explica.
O título mundial de Muzzi não é fruto de uma tentativa isolada. Sua trajetória na competição começou em 2023, quando soube da vitória da brasileira Patrícia Guerra, a primeira estrangeira a conquistar o título da categoria original do torneio e atual embaixadora da competição no país sul-americano.
Inspirado pelo resultado, decidiu participar da disputa e começou a construir seu próprio caminho até o pódio. Em 2024, estreou na etapa brasileira, mas não avançou. No ano seguinte, voltou mais preparado e conquistou a etapa de São Paulo. Agora, venceu a disputa no Rio de Janeiro e garantiu o título brasileiro, credencial que o levou à competição internacional em Treviso.
Na Itália, confirmou o potencial demonstrado nas etapas anteriores e alcançou o primeiro lugar mundial.
"O Marcos conheceu o TWC através de mim, e é bem bacana acompanhar a evolução dele ao longo dos anos. Ele é muito dedicado e talentoso", celebrou Guerra, expressando seu sentimento de "dever cumprido".
A experiência de Muzzi também foi marcada pela união da delegação brasileira. "Não senti pressão, estava bem preparado, e o grupo formado por cinco competidores brasileiros estava bastante unido, tanto que a final da categoria original foi disputada por dois brasileiros e uma francesa", conta ele à ANSA.
Para o meliponicultor, o título simboliza uma "conquista pessoal que exigiu bastante foco e disciplina" e que vai inspirá-lo para projetos em 2027. "Em função da vitória, desde já, tenho compromissos junto a organização do campeonato. Tem sido uma agenda bem intensa que eu nem poderia imaginar", revela.
Além de celebrar o resultado, Muzzi quis mostrar que participar de uma competição internacional pode ser mais acessível do que muitos aspirantes imaginam. Segundo ele, a organização da Tiramisù World Cup Brasil oferece ao vencedor da etapa no país uma vaga garantida na semifinal do mundial, em Treviso, além de passagem aérea e hospedagem na Itália.
"Muita gente deixa de competir porque acha que, se ganhar, não conseguirá arcar com uma viagem dessas", conclui. .
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