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Aos 76 anos e nova Nobel de Literatura, Anne Carson luta boxe contra o Parkinson e é fã de Rosalía

Escritora canadense foi anunciada como vencedora do prêmio nesta quinta, 8. Ela compartilhou suas experiências com o esporte e a cantora em artigos para a 'London Review of Books'

8 out 2026 - 12h00
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Resumo
A escritora canadense Anne Carson, de 76 anos, venceu o Nobel de Literatura por sua obra criativa que recria a tradição clássica. Autora de obras consagradas, Carson revelou recentemente em artigos que recorre a aulas de boxe para combater os avanços do diagnóstico de Parkinson, atividade que estimula sua cognição. Além de relatar como a doença afetou sua caligrafia, a nova laureada compartilhou sua admiração pela cantora Rosalía, fascinada pela união do pop com a mística tradicional.

Aos 76 anos, a escritora canadense Anne Carson, nova vencedora do Nobel de Literatura, frequenta aulas de boxe e é fã da cantora espanhola Rosalía. Ela foi anunciada como escolhida pela Academia Sueca para receber a honraria na manhã desta quinta, 8, "por sua obra ousada e criativa que, em um diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea".

Autora de livros como Autobiografia do Vermelho, Sobre o Que eu Mais Penso e Eros, O Doce-Amargo, ela contou sobre praticar o esporte em um artigo na revista literária The London Review of Books, no qual falou sobre seu diagnóstico de Parkinson e como ele mudou sua relação com a escrita e a caligrafia.

A escritora contou que frequenta as aulas três vezes na semana e que todos em sua turma têm Parkinson, com graus variados de comprometimento.

"A parte central de uma aula de boxe consiste em dar socos no saco de pancadas de acordo com uma combinação de números anunciados pelo treinador. Cada um de nós reproduz os socos que correspondem aos números. O ritmo é bastante acelerado. Percebo que, quando estou tentando executar uma combinação complicada de socos, consigo sentir os neurônios do meu cérebro se esforçando e lutando. Sei que isso parece loucura. Mas, como vimos anteriormente, essa fronteira entre o interior e o exterior não é tão simples assim", explicou.

Também na The London Review of Books, em artigo de setembro deste ano, Anne Carson contou sua experiência em um show de Rosalía em Chicago, nos Estados Unidos. "A cada inspiração dela, toda a plateia gritava como se ela estivesse arranhando cada uma de suas espinhas com a unha, cada espinha. Aquela voz é capaz de tudo. E a persona desabrocha para contê-la. Imagine seduzir vinte mil pessoas assim todas as noites em uma turnê por Deus sabe quantas cidades... Eu não consigo", refletiu.

A cantora Rosalía no Lollapalooza 2023, no autódromo de Interlagos, em São Paulo.
A cantora Rosalía no Lollapalooza 2023, no autódromo de Interlagos, em São Paulo.
Foto: Taba Benedicto / Estadão / Estadão

No texto, a escritora disse que a voz da espanhola é uma "maravilha" e chamou de "uneasy" - palavra em inglês que significa algo como inquieto ou desconfortável - a "combinação entre a estrutura das canções pop e a emoção mística tradicional".

A mescla entre o pop e a música clássica com referências religiosas marca a apresentação da cantora e seu disco mais recente, o elogiado Lux. Apesar de notar a alegria da plateia ao longo do show, Anne disse que não encontra "conforto com essas pessoas", pois não há "euforia compartilhada" depois do show.

Estadão
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