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Antes de Didi e Dedé: a origem dos Trapalhões em "Os Adoráveis Trapalhões"

Muito antes de o público se acostumar a ver Renato Aragão dividindo cena com Dedé Santana, Mussum e Zacarias, a base dessa fórmula humorística surgiu ainda nos anos 1960. Na TV Excelsior, um programa chamado "Os Adoráveis Trapalhões" reuniu nomes que hoje remetem a universos bem diferentes. O então jovem cantor Vanderlei Cardoso, o ídolo da luta […]

9 jan 2026 - 09h00
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Muito antes de o público se acostumar a ver Renato Aragão dividindo cena com Dedé Santana, Mussum e Zacarias, a base dessa fórmula humorística surgiu ainda nos anos 1960. Na TV Excelsior, um programa chamado "Os Adoráveis Trapalhões" reuniu nomes que hoje remetem a universos bem diferentes. O então jovem cantor Vanderlei Cardoso, o ídolo da luta livre Ted Boy Marino e o ator e cantor Ivon Cury atuaram ao lado de Renato Aragão. Além disso, segundo registros de época, o elenco ocasionalmente recebia participações especiais de outros artistas da casa, o que ampliava o alcance da atração. Pesquisadores da televisão apontam essa atração como um dos primeiros passos para o formato que, anos depois, daria origem a "Os Insociáveis" e, em seguida, a "Os Trapalhões".

Exibido em meio à intensa concorrência entre as emissoras da época, o programa da Excelsior misturava humor, música e quadros de variedades em uma linguagem acessível. Desse modo, o foco se voltava ao entretenimento familiar. Além disso, o elenco combinava perfis distintos. O humor físico de Renato Aragão contrastava com o apelo romântico de Vanderlei Cardoso. Já Ted Boy Marino representava a popularidade esportiva. Ivon Cury, por sua vez, trazia o traquejo cômico-musical. Essa combinação, por consequência, consolidou uma fórmula de humor televisivo que outras atrações retomaram em diferentes formatos nos anos seguintes.

Trapalhões – (Divulgação)
Trapalhões – (Divulgação)
Foto: Giro 10

O que foi a série "Os Adoráveis Trapalhões" na TV Excelsior?

"Os Adoráveis Trapalhões" foi um programa humorístico da segunda metade da década de 1960, período em que a TV Excelsior disputava espaço com Tupi, Record e Globo. Nesse contexto competitivo, a atração se apoiava em esquetes curtas, números musicais e momentos de interação direta com a plateia. Assim, o programa seguia um modelo de revista eletrônica. Embora os canais não preservem grande volume de registros audiovisuais, reportagens da época mencionam a atração como parte da aposta da emissora em formatos leves. Esses formatos dialogavam com diferentes faixas etárias e, portanto, buscavam audiência ampla.

Renato Aragão, que mais tarde o Brasil conheceria como Didi, já explorava ali a figura do sujeito atrapalhado. Esse personagem se mostrava bem-intencionado e vivia envolvido em situações confusas. Em consequência disso, a plateia se identificava com o "herói comum" que jamais perdia o bom humor. Essa persona cômica se encaixava em tramas simples, muitas vezes construídas a partir de mal-entendidos e trocadilhos. Em paralelo, o programa explorava a força da música jovem, com Vanderlei Cardoso representando o segmento da chamada "Jovem Guarda". Além disso, a atração surfava no fascínio pela luta livre televisiva, personificada em Ted Boy Marino, cujo carisma também ajudava a atrair o público infantil.

Para a Excelsior, abrigar um elenco tão variado funcionava também como estratégia de mercado. A emissora queria ampliar sua base de audiência e, por isso, reunia fãs de novelas, musicais e programas de auditório em torno de um único produto. "Os Adoráveis Trapalhões" dialogava com essa lógica e funcionava como vitrine para seus artistas. Ao mesmo tempo, o programa servia como laboratório para novas formas de humor televisivo, algo valorizado por produtores e diretores da casa. Dessa forma, a atração contribuía para que a emissora experimentasse, ajustasse quadros e medisse a reação do público em tempo real.

Como o programa ajudou a formar o estilo de humor que levaria a "Os Trapalhões"?

A principal importância histórica de "Os Adoráveis Trapalhões" aparece no modo como o programa consolidou elementos que Renato Aragão reutilizaria depois. Entre esses elementos, destacam-se:

  • O personagem central atrapalhado, sempre cercado por figuras de perfis contrastantes;
  • A combinação de humor físico com piadas verbais simples, de fácil compreensão;
  • A integração de música, números cômicos e pequenas tramas dentro do mesmo programa;
  • A dinâmica de grupo, em que cada integrante representava um tipo reconhecível pelo público.

Ao lado de Vanderlei Cardoso, Ted Boy Marino e Ivon Cury, Renato Aragão aprendeu a articular o próprio tempo de cena com o espaço dado aos colegas. Isso incluía dividir o protagonismo e explorar as características pessoais de cada um. O galã cantor reforçava o romantismo. O lutador herói trazia bravura e força física. Já o comediante de bordões oferecia ritmo e musicalidade. O grupo criava, assim, situações em que essas diferenças se transformavam em fonte de graça. Esse esquema passou por adaptações mais tarde, quando outros parceiros, como Dedé Santana e Mussum, entraram em cena e, gradualmente, assumiram perfis igualmente marcantes.

Do ponto de vista da televisão brasileira, o programa funcionou como síntese de tendências dos anos 1960. A influência da música jovem se combinava ao sucesso da luta livre como espetáculo. Em paralelo, o humor de esquetes crescia nos estúdios e ganhava preferência sobre formatos mais solenes. "Os Adoráveis Trapalhões" se inseria nesse contexto e usava um título que já destacava o aspecto "trapalhão" como marca. Essa marca permaneceu nas fases seguintes da trajetória de Renato Aragão e se fortaleceu junto ao público. Com o tempo, esse rótulo se tornaria tão forte que passaria a identificar não apenas um programa, mas todo um estilo de comédia.

De "Os Adoráveis Trapalhões" a "Os Insociáveis" e "Os Trapalhões": qual é a linha de continuidade?

A passagem de "Os Adoráveis Trapalhões" para "Os Insociáveis" e, depois, para "Os Trapalhões" representa um processo de refinamento de formato. Historiadores da TV destacam essa transição como um caminho de amadurecimento gradual. Em "Os Insociáveis", já com Renato Aragão, Dedé Santana e Mussum, o foco se voltou mais diretamente para o humor de grupo. Os personagens ganharam definição mais clara. As tramas cômicas também ficaram mais estruturadas. A experiência acumulada na Excelsior, portanto, ajudou a moldar essa nova etapa e deu segurança criativa à equipe.

Enquanto em "Os Adoráveis Trapalhões" a mistura de perfis incluía cantor romântico e lutador de ringue, em "Os Insociáveis" e, posteriormente, em "Os Trapalhões", a composição passou a privilegiar comediantes em tempo integral. Cada um trazia repertório próprio de piadas e gestual. Ainda assim, a lógica da diversidade se manteve. Tipos diferentes, representando mundos distintos, precisavam conviver em situações improváveis. Esse contraste, já testado no programa da Excelsior, sustentou o apelo que o grupo conquistou a partir dos anos 1970 nas telas brasileiras. Além disso, a migração para outras emissoras reforçou essa continuidade, demonstrando que o formato resistia a mudanças de canal e de época.

Outra continuidade aparece no uso do humor popular, baseado em expressões do dia a dia e em caricaturas de figuras conhecidas do público. As situações cotidianas ganhavam exagero cômico. A linguagem direta, sem sofisticação excessiva, aproximava os programas de plateias amplas. Nesse sentido, "Os Adoráveis Trapalhões" se apresenta como elo inicial de uma cadeia que atravessou diferentes emissoras, formatos e fases da televisão brasileira. A estrutura de esquetes, por exemplo, inspirou outros humorísticos de auditório nas décadas seguintes. Dessa maneira, o programa ajudou a estabelecer uma espécie de "cartilha" do humor de auditório, replicada em atrações que vieram depois.

Qual é o legado histórico de "Os Adoráveis Trapalhões" para a TV brasileira?

Embora o público lembre mais de "Os Trapalhões" das décadas seguintes, o programa da Excelsior ocupa lugar relevante na história da TV. O formato registra uma etapa em que o humor televisivo ainda buscava identidade própria. As atrações transitavam entre referências do rádio, do circo, do teatro de revista e dos musicais. Nesse cenário, a figura de Renato Aragão começou a se firmar como eixo de um estilo de comédia. Esse estilo se tornaria um dos mais reconhecidos do país e influenciaria várias gerações de humoristas. Consequentemente, muitos programas posteriores assumiriam abertamente a inspiração na fórmula dos "trapalhões".

O legado de "Os Adoráveis Trapalhões" inclui, portanto, três pontos principais:

  1. A consolidação do "trapalhão" como personagem-tipo do humor brasileiro;
  2. A prova de que a combinação entre humor, música e ídolos populares gerava forte identificação com o público;
  3. A criação de uma base criativa que a equipe ampliaria em "Os Insociáveis" e, depois, em "Os Trapalhões".

Ao olhar para esse período da TV Excelsior, pesquisadores identificam não apenas uma curiosidade histórica, mas um momento de experimentação decisivo. Esse momento ajudou a definir caminhos para a comédia na televisão. "Os Adoráveis Trapalhões", mesmo sem amplo acervo de gravações disponíveis, permanece como marco na trajetória de Renato Aragão e na formação de um dos grupos humorísticos mais conhecidos do país. Além disso, o programa revela como a televisão dos anos 1960 funcionou como laboratório para formatos que atravessariam gerações e seguiriam influenciando a cultura popular. Assim, compreender essa fase inicial ajuda também a entender por que o humor do grupo continuou a dialogar com o público por tanto tempo.

Trapalhões – Acervo/Globo
Trapalhões – Acervo/Globo
Foto: Giro 10
Giro 10
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