Alice Oseman fecha sábado lotado da Bienal e diz: 'Nunca vou dizer adeus de verdade a Heartstopper'
Escritora e roteirista falou sobre o final dos quadrinhos e da série da Netflix na Bienal do Livro de SP
Alice Oseman, criadora do sucesso Heartstopper, encerrou o sábado da 28ª Bienal do Livro de SP para um público lotado na Arena Cultural. Em conversa sobre a conclusão da obra após dez anos, a autora defendeu os finais felizes e afirmou que nunca dirá adeus de verdade aos protagonistas Nick e Charlie. Oseman também destacou a relevância da representatividade LGBTQIA+ e das amizades na juventude presentes em sua narrativa, antes de uma nova participação no evento marcada para a próxima segunda-feira.
A escritora, quadrinista e roteirista Alice Oseman fechou a programação da Arena Cultural, principal palco da 28ª Bienal do Livro de São Paulo, neste sábado, 5, dia marcado por multidões e corredores abarrotados. Criadora de Heartstopper, quadrinho publicado no Brasil pela Seguinte e popular série da Netflix, ela foi uma das atrações mais baladas do dia, atrás somente da americana Lynn Painter.
Da mesma forma que no painel da colega, nem todos os leitores conseguiram um espaço para verem Alice de perto na Arena. Um "solução" encontrada por parte do público foi pegar cadeiras das mesas da praça de alimentação e posicioná-las mais próximas e em direção ao palco.
Com mediação de Luca Guadagnini, a mesa abordou o fim de Heartstopper, cujo volume final e filme que encerrou a trama foram lançados recentemente. "Não acho que sempre soube [como queria terminar a história]. Quando eu comecei, achei que ia me levar uns dois anos e aqui estou, dez anos depois", disse. "De qualquer maneira, sempre achei que era uma boa ideia deixar eles juntos e terem um final feliz."
Alice contou que ainda não sabe o que o futuro reserva. Nos próximos meses, ela vai viajar divulgando Heartstopper: Volume 6 e, depois, tirar uma pausa merecida. Ainda assim, ela reforça: "Acho que nunca vou dizer adeus de verdade". Ela diz que relê seus primeiros quadrinhos de vez em quando e que acredita que seguirá desenhando Nick e Charlie, os protagonistas, para o resto da vida, mesmo que não em um formato de história.
Responsável também pelos roteiros da adaptação, Alice falou sobre a importância da representatividade em suas histórias, especialmente na jornada de personagens como Nick, que se descobre bissexual no inicio da trama, e Elle, que retrata as alegrias e dificuldades de ser uma jovem trans no Reino Unido.
Além de Isaac, personagem que só existe no seriado: "Eu criei o Isaac porque eu tinha uma oportunidade com Heartstopper de criar representatividade assexual e a arromântica, porque isso quase não existe ainda."
Ela também comentou a importância das amizades em suas histórias e falou sobre como isso pode ser importante para os fãs mais jovens. "Acho muito importante encontrar pessoas a sua volta. Nessa idade, você geralmente não encontra apoio nos adultos ou na sociedade no geral. E os amigos são muito importantes. Talvez na juventude você não encontra aquela grande paixão, mas vai encontrar um grande amigo", disse.
Alice Oseman ainda participa da Bienal na segunda-feira, 7, em mesa dividida com Bruno Freire e Daniel Ribeiro, também na Arena Cultural, às 12h30. O evento segue até o dia 13 de setembro, mas os dias 6, 7, 12 e 13 já estão com ingressos esgotados.
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