A polêmica de Ed Sheeran com um rapper e a causa palestina
O rapper Macklemore foi retirado da abertura da turnê de Ed Sheeran nos EUA após discursar a favor da causa palestina no palco, gerando pressões de grupos judaicos e do bilionário Robert Kraft. Sheeran negou ser o autor da decisão e alegou buscar neutralidade política em seus shows. Em solidariedade ao rapper, outros quatro artistas deixaram o evento. O caso provocou doações humanitárias de ambos os lados, além de protestos pró-Palestina previstos para as próximas apresentações do cantor britânico.
Por falas a favor dos palestinos, o rapper americano Macklemore foi retirado da programação de abertura da turnê do astro pop britânico. O que está por trás da crise e o que pode acontecer agora?O cantor britânico Ed Sheeran, 35 anos, está atualmente em turnê pelos Estados Unidos com a "Loop Tour", mas um conflito envolvendo declarações a favor dos palestinos do rapper americano Macklemore, 43, que se apresentava antes dos shows do astro pop, acabou causando grande repercussão.
O que desencadeou o conflito?
No início do mês, Macklemore se apresentou em dois shows em East Rutherford, próximo à região metropolitana de Nova York, antes de Ed Sheeran subir ao palco. O rapper, cujo nome verdadeiro é Benjamin Haggerty, manifesta há anos apoio à causa palestina e aproveitou essas apresentações para reforçar sua solidariedade aos palestinos.
"Uma das razões pelas quais eu quis participar desta turnê foi poder estar em palcos e estádios por toda América e dizer duas palavras que significam muito para mim: 'Palestina livre'", declarou Macklemore durante o primeiro show, segundo vídeos que ele próprio publicou no Instagram.
"Quero que essas palavras sejam ouvidas alta e claramente, para que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia ocupada saibam que não as esquecemos."
No show seguinte, afirmou: "A todos os meus irmãos e irmãs judeus: criticar Israel, criticar o apartheid e rejeitar o genocídio não é, de forma alguma, uma crítica a vocês. Minha mensagem é de paz e de amor, para que todas as pessoas sejam tratadas com dignidade, respeito e igualdade."
O que aconteceu depois?
Diversas organizações judaicas passaram a pedir que Sheeran retirasse Macklemore da turnê.
"Liberdade de expressão não significa liberdade de responsabilidade. Seu show. Seu palco. Sua responsabilidade", dizia uma petição do Conselho Israelense-Americano.
Poucos dias depois, Macklemore informou que "Ed Sheeran e sua equipe" o haviam retirado da turnê.
Sheeran rapidamente negou ser o responsável pela decisão, afirmando que a escolha partiu da empresa organizadora dos shows, e não dele. Segundo o cantor, nos dias anteriores ele conversou extensivamente com representantes dos locais dos eventos, com os organizadores da turnê e com "ativistas de ambos os lados" na tentativa de encontrar uma solução comum, mas sem sucesso.
Enquanto isso, em solidariedade a Macklemore, outros quatro artistas e bandas também deixaram a programação de abertura: Aaron Rowe, Lukas Graham, a banda Beoga e Finneas O'Connell, conhecido por sua parceria artística com a irmã Billie Eilish.
"Artistas não devem ser silenciados quando usam sua voz em defesa dos oprimidos", justificou O'Connell.
Quem mais entrou na discussão?
Uma das figuras mais influentes envolvidas no caso foi o bilionário americano Robert Kraft.
Entre outros negócios, Kraft é proprietário de um estádio no estado de Massachusetts, próximo a Boston, onde Sheeran deverá realizar dois shows no fim do mês como parte da "Loop Tour". Judeu, Kraft teria atuado nos bastidores para que Macklemore fosse excluído das apresentações de abertura.
A Kraft afirmou em um comunicado, na segunda-feira, que a decisão de retirar Macklemore da turnê foi resultado de comentários recentes do rapper "e de um histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas".
Após sua retirada da turnê, Macklemore anunciou que doaria cerca de 1 milhão de dólares (cerca de R$ 5 milhões) em receitas da turnê para palestinos e também desafiou Kraft a fazer uma contribuição.
Em resposta, Kraft e Sheeran anunciaram doações destinadas a ajudar a enfrentar a crise humanitária na região. Kraft afirmou que foi o próprio Sheeran quem entrou em contato com ele e pediu sua participação com uma contribuição de 2 milhões de dólares para a iniciativa.
Qual é a posição de Ed Sheeran?
Em uma publicação no Instagram, Sheeran afirmou respeitar o fato de Macklemore defender publicamente aquilo em que acredita.
No entanto, explicou que decidiu não usar seus shows como espaço para manifestações políticas, especialmente porque entre seu público há muitos jovens e crianças de diversas origens. Segundo ele, deseja criar um "espaço de segurança e acolhimento" para todos.
"Quem vai aos meus shows não espera um fórum político", acrescentou o cantor e compositor inglês.
"Se nos concentrarmos apenas em quem grita mais alto, nada jamais mudará", afirmou. Sheeran também declarou estar "horrorizado" com o conflito no Oriente Médio e com o sofrimento vivido por ambos os lados. "Tenho minha opinião pessoal sobre esse conflito devastador. O fato de eu não me manifestar publicamente não significa que não tenha opinião nem que eu não me importe", escreveu.
Como outras celebridades reagiram?
Diversas celebridades demonstraram apoio a Macklemore nas redes sociais.
A ativista climática sueca Greta Thunberg, conhecida por sua posição pró-palestinos, comentou: "Total solidariedade e Palestina livre." Ela acrescentou:
"O silêncio muito ativo de artistas diante da injustiça e do genocídio não será esquecido."
Macklemore também é frequentemente acusado de reproduzir estereótipos antissemitas em apresentações e letras de músicas, acusações que ele rejeita.
Uma forte controvérsia já havia surgido na Alemanha no verão de 2025, quando sua participação como atração principal do festival Deichbrand, no estado da Baixa Saxônia, foi anunciada. Apesar das críticas, ele se apresentou normalmente e voltou a acusar Israel de genocídio durante o show.
O que isso pode significar para Ed Sheeran?
Ainda é impossível prever o que pode acontecer. Os fãs ficarão ao lado do intérprete de Shape of You e continuarão apoiando sua carreira? Sheeran voltará a comentar o assunto? E como será o restante da turnê?
As primeiras respostas podem surgir já neste fim de semana, quando o cantor tem mais um show programado, na noite de sábado (horário local), na cidade de Filadélfia.
Grupos locais planejaram uma manifestação pró-palestinos nas proximidades do local do show.
A agência de notícias AFP citou a polícia local, informando que haveria uma "presença policial adequada" para "ajudar a garantir a segurança do público, dos funcionários e dos moradores da região".
Sheeran iniciou sua turnê em janeiro em Auckland, na Nova Zelândia, e deve encerrá-la em dezembro na Cidade do México, no México, com apresentações ainda programadas pela América do Norte e do Sul, incluindo o Brasil, onde ocorrerão dois shows em São Paulo.
md (DPA, AFP, ots)
---------
Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.