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Filme: De Olhos Bem Fechados, de Stanley Kubrick




De: André Mussi
Por acaso estava dando uma olhada em sua crítica ao filme "De olhos bem fechados" e tive vontade de fazer alguns comentários. Acho bastante pertinente o que você falou dos comentários do Jabor de que Kubrick seria reprimido e coisa e tal, mas discordo do que você disse de o filme ser mais uma estória de vingança. Em realidade, percebo que há algo muito maior que isto no filme. E não vejo uma vingança. Vejo como um mergulho que Tom (como vou me referir ao personagem masculino), faz para dentro de si mesmo em busca de prazer, do prazer dele e de mais ninguém, um prazer completamente dissociado do de sua esposa. Na realidade um prazer egoísta, apenas desencadeado pelo de sua parceira.

Não vejo como a simples narrativa, por parte de sua esposa, de uma fantasia que teve em relação a outro homem, possa ter desencadeado tamanha revolução. Tudo bem, mexeu com o cara a possibilidade de sua mulher ter tesão em outro. Mas, e daí? Não seria tamanha revolução, provocada por este sentimento, um pouco infantil? No mínimo demonstraria uma cegueira do cara em relação a natureza humana.

Falo do que se vive cotidianamente, de prazer solitário ou do contato como o próprio prazer, para entender que qualquer um de nós pode, inúmeras vezes durante o dia sentir tesão por outra pessoa que não seja o parceiro. Percebo no filme, uma ode ao prazer individual desencadeado pela experiência da parceira, uma certa inveja do prazer de Nicole saindo então em busca do seu próprio prazer.

Percebo em realidade uma grande metáfora. A festa suruba como sendo seu inconsciente fervilhando com o prazer da esposa, misturado ao seu próprio prazer, como um grande turbilhão. É um filme, em minha opinião, que fala essencialmente de prazer e fantasia, e não de vingança. A vingança é o pretexto, a forma, a imagem, é Apolo como estandarte ou porta-bandeira, trazendo Dioníso com sua ala das bacantes num ritual sexual, sado, orgasmático e borbulhante de prazer. É isto, "De olhos bem fechados" talvez seja um "fecha bem os olhos para não ver", que olhos? Não ver o que? O que não posso ver? O que não quero ver? O meu parceiro, ou eu mesmo?

De: Gerbase
Quase tudo que você escreve sobre as possíveis conotações do filme é verdadeiro. Mas a vingança não é, em si, uma coisa desprezível, ou que deva ser tratada como algo "menor" no contexto do filme. A desproporcionalidade entre o que a esposa revela e o que o marido faz (mesmo que não consiga consumar seu desejo) é um óbvio comentário sobre o machismo (ou o patriarcalismo, para ser mais exato) da nossa sociedade. É claro que o marido é infantil, bobo, cego, egoísta e tremendamente ciumento. Como o são noventa e nove por cento dos maridos da nossa brilhante sociedade ocidental.

Kubrick, como sempre, não perde a oportunidade de ser bem claro sobre certas coisas, enquanto joga muitas incertezas sobre a tela. As incertezas são muito interessantes, mas o legado de Kubrick também é um tapa na cara, explícito e sem censura, na cara desses maridos falsamente modernos.


De: Rodrigo Ramiro
As perguntas ficam no ar. Você não riu quando a personagem da Nicole Kidman ficou bêbada, ou quando ela fumou? As cenas da mulher em overdose e da amiga da prostituta discursando sobre AIDS não te constrangeram? A cena do pai oferecendo a filha não foi didática demais? As cenas de suspense te deram medo? Apesar de toda boa intenção e da genialidade do diretor "De olhos bem fechados" simplesmente não funciona.

De: Gerbase
Essas cenas funcionaram para mim. Não me constrangeram, pelo contrário, me divertiram. Só acho que talvez funcionassem melhor com atores mais talentosos.

De: Secco
Gostaria de comentar alguns dos pontos que foram abordados pela crítica. Em primeiro lugar, a orgia que acontece numa mansão onde os convidados "sócios" usam máscaras, não me pareceu tão exagerada, basta lembrar, que, aqui mesmo em São Paulo, existem diversas casas noturnas freqüentadas por casais, em sua maioria, e que promovem orgias similares a do filme (trocas de casais e sexo grupal), todas as noites, e sem máscaras. Portanto a diferença fica por conta das máscaras e do ritual, que provavelmente se deve a adaptação do texto original.

Quanto ao Dr. Harford, não acredito que ele pretende, pura e simplesmente, dar o troco na esposa; acho que, por ter percebido algo totalmente inesperado, perder a atenção exclusiva da esposa. Ele perde algumas referências pessoais, e conjugais, o que o leva a se aventurar em busca de sentimentos e sensações, que no momento, estão confusas. Precisa disto para (re)encontrar o seu norte.

De: Gerbase
São Paulo está perdida... Alguém já foi numa festa dessas aqui em Porto Alegre? Mas a verdade é que a sacanagem de Kubrick é exagerada mesmo. Não devido às máscaras, e sim pelo caráter de "sociedade secreta e perigosa" que ele imprimiu a toda cena.

De: Jawson Trizolio
Fiquei surpreso ao ver a comparação entre o filme "De olhos bem fechados" e os times do Rio de Janeiro. Comparar um filme que se classifica entre ótimo e bom com umas bostas dessas já é demais, né, meu caro?

De: Gerbase
É... Citar o Fluminense é jogo duro. Isso que nem falei do Vasco, cujo presidente, domingo passado, entrou em campo pra acabar com o jogo, quando o time estava com só oito jogadores.

De: Slayer
Sobre a declaração do "respeitável" Arnaldo Jabor fica a minha a decepção. Porra! Quem ele pensa que é para fazer um comentário daquele tipo se dirigindo a Stanley Kubrick? Ele que vá assistir filmes como Notting Hill, sei lá como se escreve esse negócio!

De: Gerbase
Concordo. Mas pensa bem: se ele não falasse aquela bobagem, não estaríamos aqui, discutindo o filme e o seu diretor. O legal do Jabor é que ele não tem medo de se expor, de dizer o que pensa. O que, para mim, quase sempre é uma virtude. E aproveita pra (re)ver o filme "Tudo bem". Você verá que ele é um cineasta bem respeitável.

De: Mauricio Bumba
O que aconteceu com você? Sempre gostei de seus textos, mesmo quando eu não concordava com eles, mas suas duas últimas críticas foram magistrais. Você continua com sua sutil ironia, mas escreveu como um apaixonado por cinema e conseguiu deixar de lado qualquer "trejeito de crítico" que tinha. O tempo no set de filmagens lhe fez muito bem. Parabéns!

Agora aos comentários: devo assistir "De olhos bem fechados" nesse sábado, já que dediquei os 2 últimos finais de semana para assistir filmes que eu tinha certeza que durariam pouco em cartaz (Tomara que isso mude um dia e tenhamos um maior numero de salas de exibição, para sustentar o vício de pessoas como nós). Mas o que eu ouço falar é que o filme, em alguns trechos, mostra falhas de edição e alguns problemas de continuidade, que dão a entender que Kubrick ainda gastaria algumas horas na ilha de edição. Você percebeu isso ou foi apenas intriga de quem não gostou do filme?

Abraços e, se puder, assista "Um plano simples". O roteiro é, para dizer pouco, cruel com os personagens e mais cruel ainda conosco, pobres espectadores, que nos identificamos com eles. Um dos grandes filmes do ano!

De: Gerbase
Não vi falhas de continuidade ou de edição. Senti falta de um melhor aproveitamento da música, que é marca registrada de Kubrick. Quem pode saber o que ele faria se estivesse vivo? É uma discussão estéril. O filme é esse aí, e pronto. Tenho a impressão que ele seria motivo de orgulho para o seu diretor.

De: Cinthia
Bem, serei bem sincera... Na minha opinião esse filme não tem sentido, nexo ou seja lá o que for... Fazia anos que eu não via um filme tão ruim... Queria o meu dinheiro de volta. Assim como eu, não teve uma pessoa que não saiu xingando do cinema quando o filme... Coisas do "seu Kubrick"!!!!!

De: Gerbase
A sua sessão foi bem diferente da minha. Eu vi muita gente elogiando o filme na saída. Quanto à ausência de sentido, por favor, você pode até não gostar do filme, mas não pode negar-lhe um sentido. Ele tem sentidos até demais!

De: Ademar Junior de Queiroz
Como é a primeira vez que lhe escrevo após seu retorno, ainda vale dizer: é bom tê-lo de volta. Assisti ao filme do Kubrick no último domingo e ainda não entendi uma coisa: o clima de "ame-o ou deixe-o" generalizado.

Claro que cada um gosta de um filme com uma intensidade particular, mas execrá-lo - como vem sendo feito por alguns - é inconcebível. E me intriga mais a reação do público que da crítica: achei "De Olhos Bem Fechados" o filme menos hermético do Kubrick. Mesmo que não se perceba todas as nuances emocionais/psicológicas do filme, o roteiro deixa evidente uma história de vingança (como você colocou) e suspense. E uma boa história. Fácil mesmo de acompanhar. O Kubrick de "De Olhos Bem Fechados" ainda é o bom e velho Kubrick de "Laranja Mecânica", "Nascido para matar" e "O Iluminado".

De: Gerbase
É verdade. Essa é a grande qualidade de Kubrick: profundidade sem perder a noção do espetáculo. \

De: Ricardo Scotta
Na sua coluna, você disse que tinha lido pelo menos 15 críticas a respeito de "De Olhos Bem Fechados". Citou psiquiatras, sociólogos, filósofos, cineastas e críticos tradicionais. Mas eu gostaria de lembrar-lhe de que, você não leu tudo a respeito de "De Olhos Bem Fechados", pois esqueceu de ler o que os "Críticos Amadores", disseram a respeito do filme!!! É só olhar a coluna do Max.

Em tempo, agora li a coluna até o fim. Fantástico, o melhor comentário seu até hoje, na minha opinião é claro. Ainda bem que você não falou do Grêmio (hehehe). Só espero que tu não esteja pensando em viajar para o Rio de Janeiro tão cedo...

De: Gerbase
Lerei a coluna do Max. E irei ao Rio de Janeiro sem medo. Sou (além de gremista, é claro) torcedor do Fluminense, por razões que você não pode nem sonhar.

De: Frederick Montero
Meus parabéns. Ótima sua coluna e suas análises sobre o último filme de Stanley Kubrick. Não tenho qualquer crítica contra ao que foi dito ali. No máximo eu gostaria de acrescentar novas idéias a tudo ao que foi dito ali. Creio ser muito forte reduzir todo o conteúdo do filme a apenas uma vingança de um homem traído pelos sonhos de sua mulher. Como argumento geral do filme, este resumo é perfeito, mas acredito que há muita, mas muita discussão que pode ser analisado lá.

Um tema que me fascinou quando vi "Eyes Wide Shut" foi sobre o amor (mais do que sobre o sexo) neste final de século. Por exemplo, o amor clássico, aquele que inspira poetas e escritores, como Shakespeare, preconiza que o amor é um sentimento eterno e superior a todas as outras emoções. Não me estranharia se o personagem de Tom Cruise neste filme fosse um dos maiores defensores desta perspectiva. Talvez por isso mesmo que a sua "queda do cavalo" quando sua própria esposa lhe faz confissões tão surpreendentes tenha sido tão forte.

Poderíamos imaginar que seus pensamentos girassem em torno das seguintes perguntas: "Como ela pode dizer que me ama, se deseja outro homem? Mas ao mesmo tempo, como ela pode não me amar, se todo dia ela apresenta provas desse amor para mim?" A grande jogada de Kubrick foi mostrar que o amor não é essa fantasia que nos impuseram durante séculos. Que na vida real, os sentimentos e as emoções se confundem, se misturam e ninguém consegue compreendê-los exatamente.

A viagem do doutor Bill pelos oceanos do desejo sexual nada mais é do que uma odisséia para compreender seus próprios sentimentos e os sentimentos de sua mulher. Pois bem, acho de fato que a frase final da esposa do médico muito bem podia ser traduzida também pelos versos de um grande poeta brasileiro: "O amor é eterno enquanto dura".

De: Gerbase
Que tradução mais livre essa sua... Eu traduziria diferente. E também acho que, ao separar tanto assim amor e sexo, não conseguiremos entender bem a questão central do filme, que fala de instintos quase animais, e não da sua representação artística. Por isso Kubrick cria uma atmosfera de "sonho", e não de lógica cotidiana.

De: José Ricardo
Os filmes de Kubrick sempre seguiram uma linha polêmica. Sempre geraram controvérsias e admirações. Vide no lançamento de "2001- Uma odisséia no espaço": na época a crítica especializada do JB caiu de pau arrasando o non sense psicodélico do filme, enquanto o mesmo fazia uma carreira estrondosa, tornando-se um verdadeiro clássico, um ícone da ficção científica. Assim como todos os outros poucos (e excelentes) filmes de Kubrick. "Spartacus" por exemplo é considerado o "Ben Hur" inteligente.

O mais interessante em sua filmografia, na realidade, não é o QUE se vê na tela. Kubrick vai sempre além das imagens. Seus filmes são verdadeiras experiências sensoriais. O que mais importa é COMO se vê seus filmes. Os atores são meros marionetes que atuam sob seu comando. Você vê a mão do diretor em cada fotograma, em cada cena, em cada detalhe. Um diretor que consegue extrair desempenhos marcantes de Marisa Berenson, Ryan O'Neal, Keir Dullea, Matthew Modine, e agora o casal Tom Cruise e Nicole Kidman é no mínimo brilhante. Confesso que saí anestesiado do cinema.

"De olhos bem fechados" certamente é um dos mais impressionantes retratos do comportamento sexual do ser humano. Está tudo lá: taras, fantasias, orgias, bacanais, homossexualismo, Aids, etc. E o que é mais bacana, tudo embalado com uma excelente fotografia, diálogos finos e sutis e trilha sonora genial que vai do New Age ao clássico, passando pelo rock e outras viagens. Particularmente gosto muito das ousadias de alguns diretores (como David Lynch e Ken Russel) que utilizam de todos os elementos que o cinema oferece tais como música, fotografia, etc, para criar um espetáculo. Kubrick é um mestre nestas ousadias. A cena da orgia é impressionante. Não sob o ponto de vista pornográfico. E sim porque cria um clima tenso, erótico e confuso. Um verdadeiro espelho das emoções e dos anseios do doutorzinho careta.

Por exemplo: a cena do flagrante do pai na loja de fantasias é ótima. Ela dá margem para mais uma fantasia daquele caretinha que na certa pensou em mil loucuras com aquela ninfetinha gostosa. O filme não mostra nada disso, mas está lá, vibrando, como um tesão reprimido.

Repare bem no ritmo do filme... Pausado, surpreendente, silencioso, assim como seria a experiência sexual de uma pessoa bem reprimida. Li em algum lugar que Kubrick queria usar um casal de verdade neste filme e sua primeira escolha foi Alec Baldwin e Kim Bassinger. Aposto que mesmo um canastra com Baldwin renderia horrores nas mãos de Kubrick. Ele impõe um ritmo tão pesonalizado no filme que dificilmente um ator ruim comprometeria o resultado final. Os personagens de Kubrick são muitíssimos mais importantes do que os atores. Este filme vai decepcionar certamente aqueles que vão ao cinema querendo assistir mais um filme de Tom Cruise ou Nicole Kidman. Enfim... saí de alma lavada por ter gasto meu dinheiro com uma obra de arte decente, inteligente e belíssima e não uma bobagem qualquer.

De: Gerbase
É... Nada como um bom filme "sujo" para lavar a alma da gente.

De: CFCC
Tenho só 13 anos mas vi este filme porque meu pai me levou e te digo que achei um filme maravilhoso, tão aberto, intenso e envolvente. A propósito, você gostou da cena da orgia? Porque eu não consegui respirar (na parte em que chamam ele) de tão tensa, aquela música tão simples... E a seqüência em que ela conta pra ele sobre seus desejos não vai sair da minha cabeça tão cedo. Quanto às atuações, acho que Tom e Nicole estão excelentes, ela vai melhorando ao longo do filme até o diálogo final, arrebatador.
(P.S. Li a sua crítica. Bem legal. Continue vendo muitos filmes e escrevendo sobre eles!)

De: Gerbase
O seu pai está de parabéns pelo bom gosto e pela coragem. E você está de parabéns por começar a ver cinema desse modo. Acho que, a essa altura do campeonato, até o Cruise e a Kidman estão de parabéns.

De: Andre Checchia Antonietti
Fazia tempo que eu não lhe escrevia, desde Festa de Família e eu estava mesmo esperando uma crítica de um filme que eu tivesse visto. Como foi com Tolerância? Tudo deu certo? Espero que sim.

DE OLHOS BEM FECHADOS é mais um daqueles "abacaxis" do cinema comercial, que tem milhões de segredos, de joguetes comerciais e que decepciona mais do que diverte. Eu não sou um grande conhecedor da obra de Kubrick, mas você não pode negar que o filme decepciona pela espera e expectativa inicial. Talvez esse tenha sido um dos grandes problemas da história, afinal, quem desconhece a saga EYES WIDE SHUT que teve aquelas cenas sem graças filmadas milhões de vezes por um cineasta que queria promoção para o seu filme. Talvez escalar para o papel duas estrelas de Hollywood (muito mais Nicole do que o fraco e abobado do Tom Cruise) tenha sido um golpe de marketing muito bom, mas que estragou o roteiro para algumas pessoas que conseguem dissertar sobre a história de um médico que alucina quando descobre que sua mulher é igual a todas as pessoas do mundo.

Não vale como diversão, a não ser por ver a tão esperada (e quase escondida) nudez da Sra. Cruise. O filme, em relação a sexo (base de sua promoção) é bem fraco, deixando a desejar aos telespectadores que correram na locadora pra assistir INSTINTO SELVAGEM e INVASÃO DE PRIVACIDADE. Nicole poderia ter sido explorada mais no filme, enquanto a história se centra no abobado médico que não consegue nada e fica se culpando pela idéia de não ter curtido a vida enquanto podia.

DE OLHOS BEM FECHADOS é um filme fraco para os amantes de cinema diversão, mas é bem cheio de enigmas para os amantes da obra de Kubrick. O cara é um grande cineasta, ele sabe tirar expressão até de mortos. A fotografia do filme é linda e , às vezes, até suprime a falta de continuidade e racionalidade da história. Consegue transformar em poesia a realidade da vida, a mediocridade das relações pessoais e ainda tira um sarro da cara dos idiotas que foram ao cinema para saber pela boca de Nicole que seu problema se resolve com sexo. Uma resposta quase óbvia e ao mesmo tempo inesperada. O filme é extremamente fraco e nem merece ser comparado a PÂNICO 2 , um filme que tem começo, meio e fim e uma tão aguardada última parte (PÂNICO 3 estréia nos EUA dia 10 de dezembro e aqui dia 01 de janeiro de 2000).

É um daqueles filmes que somente os críticos e a Veja gostam. Mas é muito coerente em seu título. Afinal você deve ir velo e ficar de olhos EXTREMAMENTE bem fechados.

De: Gerbase
Tudo bem, André. Cada um fecha os olhos para o que quiser. Mas aqui fica uma observação: não vi, na imprensa, qualquer chamada explícita ao filme tendo como base o sexo. "De olhos bem fechados" é tão "sexual" quanto "Laranja mecânica" ou "Lolita". Há uma diferença entre explorar imagens ligadas ao sexo e falar de sexo. Kubrick preferia segunda alternativa.

De: Rodrigo Gastal
Não acho que o personagem do Tom Cruise seja movido pelo desejo de vingança. Acho que ele só sofreu um golpe inesperado e precisava de um tempo para se recuperar, tanto que ele nega todas as oportunidades de sexo como a (bela) prostituta, a orgia e a "lolita" da loja de fantasias. Você não achou que Cruise não convencia nas cenas com a esposa? Ele está muito bem em todo o filme, mas quando a Nicole Kidman dividia a tela com ele, Cruise parecia o Van Damme fazendo uma cena dramática! Pode ser exagero, mas alguns amigos também acharam a mesma coisa.

De: Gerbase
Também acho. Cruise não é mau ator, mas, neste filme, realmente deixa a desejar em algumas cenas.

De: Luiz Simeão
Estou esperando para assistir o seu filme que, pelo que eu sei, também tem um forte conteúdo sensual. Depois de "Romance" e "De Olhos bem Fechados", vamos ver o que você tem a dizer a respeito. A vingança(ou tentativa de) é realmente o mote do filme. E olha que foi uma quase traição, não consumada fisicamente. Como eles representam um casal tão certinho e careta (isso é bom? ruim?) ela obviamente não consumou o fato e ele, apenas sabendo disso, entrou em parafuso (O que aconteceria se ela transasse mesmo com o oficial?? Ele iria mais fundo?). Depois vemos uma tentativa de vingança. Ou uma quase tentativa. Ele quase transa com a prostituta (Mas a esposa liga pra ele... foi só um pensamento, não aconteceu nada...). Ele quase transa com a outra prostituta, colega de quarto. Ele quase transa na orgia, mas a moça que o escolheu avisa: "é muito perigoso, você deve ir embora".

A traição é perigosa? Ele deve voltar pra vida certinha dele? O fim dele seria o mesmo da moça que morreu de overdose? Essas foram alguma das perguntas que ficaram na minha cabeça. Mas acho que o diálogo final é a resposta...

De: Gerbase
É. Tem certas coisas que não adianta conversar. Ou, quanto mais conversa, mais piora. Essa distância entre o discurso civilizado e o ato animal é o conflito básico do filme.

De: Zacarias Vieira
Faz uma cara que venho acompanhando o seu trabalho nesta coluna. Discordei de muitas críticas e concordei com muitas outras. Por motivo de tempo, mandei poucos e-mails com minhas opiniões. Por falar em opinião, não queria opinar muito sobre "De Olhos Bem Fechados", até porque, como você mesmo escreveu, muita coisa já foi dita. Eu gostei muito, apesar de ter sido o primeiro filme que vi de Stanley K. (Vi algumas cenas de "Laranja Mecânica", quando era guri, e caí no sono logo no início de "O Iluminado" e "2001").

Voltando às críticas, essa sem dúvida foi uma das suas que eu mais considerei. Já tinha lido toda a enxurrada de matérias que saiu antes e durante o filme. Exatamente por este motivo, quase passo batido pela sua. Sem "puxa-saquismo", mas o seu texto realmente fez a diferença em relação aos tantos outros. Parecia até com o filme de Stanley K.: coberto de ironia, mas sem se afastar do "papo cabeça". Não me lembro de ter dado tanta risada antes, só por ler algo sobre cinema. Os comentários relacionando "De Olhos Bem Fechados" com "Laranja Mecânica" foram simplesmente hilários. Parabéns pelo trabalho e ... falô!!!

P.S. Aquela Nicole Kidman!!.... Meu irmão! Que mulher é aquela!!!!
P.S.2 Se não me engano, o diretor deixou no ar um mistério para se resolver: toda aquela "encenação" feita na mansão, após o personagem de Cruise se revelar, foi realmente uma encenação? As pessoas que ajudaram este mesmo personagem, que fim levaram? P.S.3 Qual a utilidade daquela cena em que o personagem de Cruise conversa com o recepcionista homossexual? Provar a sua masculinidade, após não ter dado no couro com nenhuma das pretendentes? Não sei não, heim!!!


De: Gerbase
A Nicole Kidman realmente é nascida para matar. Quanto às suas dúvidas, elas não têm uma resposta objetiva. O roteiro não tenta amarrar todas as pontas, porque a verossimilhança da história não interessa tanto assim. É relaxar e curtir. Até mais.

De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut, EUA, 1999). De Stanley Kubrick. E precisa repetir??

Carlos Gerbase é jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista e diretor. Já escreveu duas novelas para o ZAZ (A gente ainda nem começou e "Fausto"). Atualmente finaliza seu terceiro longa-metragem, Tolerância, com Maitê Proença e Roberto Bomtempo.

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