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Filme: Stigmata



De: Gerbase

Antes de mais nada, agradeço às mensagens de fim de ano e retribuo: Feliz Natal, Feliz Ano Novo, Muitos Filmes Bons (e muitas bombas pra gente discutir em 2000).

De: Daniel A. Zago

Como você sabe, não é de hoje que a Igreja Católica sempre teve a intenção de exercer o poder e querer manipular a humanidade. Stigmata mostra, de uma maneira um tanto quanto fantasiosa, é verdade, a realidade e o desespero por parte da Igreja, ao ver que seu império, conquistado por todos estes séculos, pode ruir, caso a humanidade coloque os pés no chão e se dê conta, como diz o filme, que a palavra de Deus está em nosso coração e que não é preciso "porta vozes", e muito menos templos faraônicos como algumas Igrejas por aí. Feliz Natal e um próspero Ano Novo.

De: Gerbase

Se era para analisar e criticar o poder da Igreja, suas contradições, suas manipulações, então
Stigmata deveria ir muito mais fundo, mostrar o cotidiano do Vaticano, as redes de influências, os contatos entre os mundos "sagrado" e "profano". Do jeito que está, simplificado e sem dramaturgia adequada (não há suspense, não há conflito claro), a discussão se esvazia naturalmente. Você viu alguma reação da Igreja ao filme? Indignação? Desmentidos? A Igreja sabe que é um mau filme, que não discute nada e que, portanto, não vale a pena criar polêmica sobre ele, o que seria apenas publicidade gratuita. Stigmata está no limbo. E vai ficar lá mais um milênio ou dois.

De: Ederson G. Nunes

Não vou comentar tua coluna desta semana porque, aqui em Pelotas, os filmes chegam muitas semanas atrasados e, muitas vezes, nem chegam. Mas estou escrevendo este e-mail mesmo para elogiar a ótima minissérie Luna Caliente, que acabou ontem. Notei que tu foste um dos autores do roteiro e tive que dizer que achei linda, agradável, instigante. O fim foi, digamos assim, um tanto repentino, mas foi legal. Tô esperando pra ver teu próximo filme. Infelizmente não vai passar aqui em Pelotas, mas espero já estar morando em POA quando for lançado. Valeu!

De: Gerbase

Deixamos o final do
Luna mais ou menos como está no livro, abrupto e inexplicável. Qualquer tentativa de resolver a situação (com uma lógica tradicional) estragaria o impacto.

De: Leonardo Schneider

Eu vi o filme Stigmata e a única coisa que eu pude dizer depois do final do filme foi: "Fraco, muito fraco". O filme prende você mais pela trama secundária (a do evangelho escrito por Jesus Cristo) do que pelos inúmeros sofrimentos e vozes macabras da personagem de Arquette. Realmente, o filme mostra que o padre veio da Bolívia para o Brasil encarnado no rosário. Porque, no final do filme, se você prestou atenção, o padre Andrew (Byrne) descobre que o padre que morreu foi exorcizado por aquele padre-chefe lá do Vaticano, e dizem que quando alguém é exorcizado, quando não desce pro inferno de vez, fica preso em algum objeto pessoal. Não lembro bem porque ele foi exorcizado, mas acho que foi porque o texto que ele e os outros dois padres estavam traduzindo (o evangelho escrito por Jesus) ia acabar com a maior instituição do planeta, a Igreja Católica.

No meio do filme os personagens falam uma parte do evangelho já traduzida que explica isso muito bem. Tanto é que o Andrew (Byrne), quando reza libertando o padre para o reino dos céus, no final do filme, a personagem da Arquette deixa de sofrer os estigmas e todas as marcas desaparecem. E esse padre antes de morrer sofria de estigmas (porque geralmente somente pessoas muito religiosas sofrem disso). Procurei pesquisar bastante sobre esse assunto após o filme para saber se o diretor e os escritores trataram do assunto com alguma coerência e descobri muito mais do que eles falam ali. Espero ter ajudado a entender um pouco esse filme meio louco.
P.S.: Se quiser saber mais sobre isso pode ir em (www.newadvent.org/cathen/). É a enciclopédia da Igreja Católica na Internet

De: Gerbase

Tudo bem, vamos lá: o padre-chefe é aquele mesmo que tentou matar a estigmatizada? Então ele é um pecador e tanto, e Deus jamais levaria a sério um "exorcismo" (acho que você está falando em excomunhão) praticado por ele. A não ser que a Igreja tenha um "poder" real, que torna seus membros capazes de decidir a sorte dos seus semelhantes em assuntos delicados como vida após a morte. Nesse caso, aquele blá-blá-blá sobre o "verdadeiro" contato com Deus, sem intermediações, está prejudicado. Achei tudo muito confuso. E, mesmo sem consultar a enciclopédia, posso dizer que a possessão tradicional é sempre obra do "mal". A stigmata é outra coisa. Ao misturar possessão com stigmata, o roteiro deu tantas voltas que perdeu o fio da meada.

De: Simone Teixeira

Assisti ao filme Stigmata neste final de semana passado e adorei. Concordo que o fim foi meio fraco, mas acho-os sempre, em todos os filmes que vejo. Gostei pois não conhecia esse assunto (stigmata) e confesso que depois até pesquisei. Também acho que deveriam ser mostrados mais detalhes, mas no geral, te digo que saí satisfeita do cinema, pois estava esperando há muito tempo por este filme e minha curiosidade já estava nos limites.

De: Gerbase

O filme tem bons elementos técnicos, de modo a não frustrar totalmente seus espectadores. O final é banal, como o resto do filme. Quem não sabia que a estigmatizada seria salva? O que faltou em Stigmata foi suspense (já que terror não era a proposta original).

De: Frederico Steca

Nada tem a ver o filme Stigmata com O Exorcista. Os dois apenas tratam de casos de possessão, e só. Mas são 2 histórias completamente diferentes. E, na minha opinião, O Exorcista é muito ruim perto de Stigmata. Não se sabe o motivo de o demônio incorporar na garotinha no filme de 1977. Seria apenas um filme de terror para chocar a opinião pública, sem nenhum nexo ou questionamento?!?!

Em Stigmata todos sabemos o motivo das possessões e, além disso, o filme questiona a tão manipuladora igreja, as verdades bíblicas e as crenças. Ponto para o Stigmata, que tem coragem de filosofar em cima de questões antes tão inquestionáveis. Mais ainda: não achei Stigmata assustador (nem acho que assustar seria o objetivo do filme, diante de um tema tão interessante como as chagas de Cristo no corpo de pessoas normais).

De: Gerbase

O Exorcista tem um crescendo de suspense clássico, ótimo elenco e é muito bem filmado. Não filosofa sobre nada, graças a Deus. Simplesmente assusta. Se você puder, dá uma olhada no livro, que é ainda melhor. Ao propor uma discussão que não se aprofunda, Stigmata perde tempo e perde impacto. É claro que, no final das contas, é tudo uma questão de gosto. Eu adoro "O Bebê de Rosemary", que considero uma obra-prima do terror, mas é um tipo de terror mais discreto e psicológico. Dá uma olhada também.

De: Duda

Também não entendo do assunto, mas não convence a história do rosário. Talvez o garoto tivesse recebido instruções para entregá-lo a um turista, para poder chamar atenção, sei lá. Pior é saber que eles não entendem e não se preocupam em conhecer a história, ou ao menos a geografia, do país que vão retratar. Como a mãe da garota estava de férias no Rio de Janeiro e resolveu fazer uma excursãozinha rápida na fronteira com a Bolívia? Isso é um absurdo. Gosto de aberturas, não sei se chamam assim, onde aparece o nome dos atores, diretor, etc. Achei bárbara. Pra mim já é um bom começo. Mais um filme que mostra que igrejas têm medo de perder seus ganhos materiais. Ela não tem 23 anos nem aqui nem em Jerusalém. Não vi demônios, nem deuses, e o principal: é fácil encontrar seu Deus, mesmo para quem diz que não tem um.

De: Gerbase

Em matéria de geografia, já vi coisa bem pior: o gringo desembarca no aeroporto Santos Dumont, centro do Rio, pega um táxi e, dois minutos depois, está na floresta amazônica. Coisas assim são comuns no cinema americano, e pode ter certeza que esse "desrespeito" não é apenas com o Brasil. As necessidades do roteiro e da produção são, muitas vezes, mais importantes que a fidelidade ao mundo real.

De: Adriana Alcantara

Leio sua coluna religiosamente e, apesar de nem sempre concordar com suas críticas extremamente duras a alguns filmes e atores, considero que você tem uma perspicácia rara aos críticos de cinema brasileiros da atualidade. Admiro também sua coragem de falar o que pensa, e, para nós que lemos o que você escreve, parece que realmente você está sendo sincero. Assim sendo, gostaria de ler sua crítica sobre o filme Mero Acaso, com o Joseph Fiennes, que eu assisti há pouco tempo.

De: Gerbase

Obrigado. Verei em breve.

De: Thiago Sabino

Sou de Brasília, católico, e adorei o filme. Não foi pelo fato de eu ter ido assistir a um filme terror e não ficar com medo que deixei de gostar do filme. O filme é excelente e adorei a atuação de Gabriel Byrne, adorei os efeitos e principalmente a história, que nos mostra realmente o que é a igreja. Portanto, discordo totalmente de você em relação ao filme, principalmente quando você fala que o filme se rebaixou a Bruxa de Blair, ou seja, não tem como algum filme se rebaixar a outro se esse estiver lá no alto, pois Bruxa de Blair também é um ótimo filme!

De: Gerbase

"Nos mostra realmente o que é a Igreja"? Tem certeza? Acho que não conseguiu mostrar nem o que pretendia: o jogo de poder dentro do Vaticano. A Igreja Católica é imensa e reúne milhões de pessoas decentes, piedosas e realmente interessadas em mudar o mundo. Além de gente mesquinha, é claro. Parte da Igreja Católica está ligada a movimentos sociais importantes, o que não a absolve de muitos erros no passado recente. De qual Igreja Stigmata fala? Insisto: em vez de simplesmente fazer um bom filme de terror/suspense, sobre uma mulher que, sem razão aparente, sofre com as feridas de Cristo, acrescentaram uma outra trama, grande demais para caber no mesmo filme.

De: Fernanda Rena

Incomodou em Stigmata o desperdício de uma grande idéia. Acho extremamente interessante a história de uma atéia sofrer as chagas de Cristo, mas a coisa foi mal aproveitada. Tinha tudo para ser um drama psicológico, mas quando a gente ia se envolvendo, aparecia um efeito especial e uma música cool. A cara de clip da MTV não combina com o enredo dramático do filme (religiosidade à parte, foi quase uma heresia...). Por que transformar um tema forte em um grande clip?

Também acho que o espírito do padre veio pelo terço (aliás, essa mãe sem querer aprontou uma...), mas isso é apenas uma suposição, já que não foi explicado no filme. Aliás, pouca coisa foi explicada. O que foi aquele final corrido? Qual a explicação para o espírito do padre ter deixado de assolar a Patrícia Arquette? Em que momento dissemos "ah, agora sim, o filme pode terminar?"

Por falar em achar... alguém me explica, por favor, o significado daquela visão dela de uma mulher jogando um bebê na rua. Eu não entendi. Fiquei decepcionada. O filme diverte, mas eu, sinceramente, esperava alguma reflexão. Bom, como ação, até convence.

De: Gerbase

O bebê jogado na rua é... um bebê jogado na rua. Não creio que seja necessário explicar muito. Mas o final, concordo com você, é apressado demais.

De: Márcia Dienstmann

Champanhe, amigo Gerbase? Cara, para agüentar essa buemba de filme, só com alguma coisa com teor alcoólico acima de 45%. Tá: uma cabeleireira atéia ganha um rosário de presente da mãe e, por causa disso, um padre encarna de vez em quando nela. Ai, ai, ai! Há mais buracos no roteiro do que no Mar dos Buracos (aquele do Yellow Submarine): por que ela recebeu as chagas mesmo sendo atéia (só os muito religiosos sofriam de Stigmata). Não foi explicado o motivo, levantado pelo próprio filme. Outra coisa: se o tal padre que possuía o corpo da Patrícia Arquette já havia recebido duas chagas, qual o motivo delas se repetirem? E o cara encarnava na guria só porque ela ganhou um rosário oriundo daquele lugar ?!? Foi muito pouco dramatizado este fato.

Há cenas em que dá vontade de chorar... de ódio por ter pago ingresso. Quando ela vê aquela mulher (Virgem Maria, suponho) derrubando o nenê na rua, é simplesmente o nada no meio de coisa nenhuma. Se é para estabelecer uma relação entre ela e o padre (a santa chora lágrimas de sangue em seu velório), ah, faça-me o favor! E o padre interpretado por Byrne, tirando e salvando heroicamente Arquette da cruz? Aliás, aqueles dois me lembram um pouco os agentes do FBI de Arquivo X: agarrar ou não agarrar, eis a questão! E era isso, professor... Nota dez pra ti.

De: Gerbase

Taí uma boa idéia para uma novela mexicana: padre vai investigar fenômeno paranormal (como a stigmata) e acaba se apaixonando pela investigada. Para salvá-la, precisa ter fé. Mas sua fé está balançando... Pensando bem, é melhor arquivar esse negócio e adaptar
O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queiroz. Aliás, para todos que estão interessados numa visão crítica da Igueja Católica, creio que a de Eça ainda é a melhor pedida. Tem humor, tem realismo e tem muita coragem. Leiam e depois me contem o que acharam.

De: Placido R. Miquelin

É, um comentário desse nível sobre Stigmata só poderia vir de alguém que considera A Bruxa de Blair um filme de terror. "Parabéns".

De: Gerbase

Tá bom. A Bruxa de Blair não é um filme de terror. É um filme de suspense. Ruim.

De: Leandro B.

Mais uma vez, ao ler a sua coluna, eu agradeço por ter ido assistir a mais uma bomba como Stigmata. Pelo menos assim consigo entender o seu ponto de vista único e, (obrigado) dar boas gargalhadas. Continue assim. P.S. - vc é o mesmo Carlos Gerbase que aparecia nos créditos da boa minissérie Luna Caliente? Já assinou contrato com a Globo?

De: Gerbase

Sou eu mesmo. Assinei contrato com a Globo há cinco anos e já fiz várias coisas por lá. Minha alma está perdida?

De: Marina Movschowitz

Este e-mail é só para parabenizá-lo pelo excelente roteiro de Luna Caliente. Acompanhei os 3 capítulos grudada na tv e olha que eu detesto assistir televisão. Além do roteiro, o figurino estava ótimo, a cenografia, as locações, a fotografia... enfim, tudo! Parabéns por ter feito um ótimo roteiro e colaborado para algo de qualidade na TV. Beijos!

De: Gerbase

A alma perdida agradece.

De: José Ricardo

Não sei como perdi tua crítica ao vibrante Corra, Lola, Corra, mas por favor me indique no site como posso lê-la (ou elas são deletadas assim que as críticas são renovadas?) Bem, vamos ao Stigmata, ou "Stigchata", ou "Stignada". Êta filmezinho chato e besta (e não estou me referindo à besta satânica, e sim à besta do diretor). Com seu visual clipado e moderninho, o filme não decide onde pôr suas chagas. Se na tela, ou na paciência do espectador. Do jeito que está , Stigmata mais parece um clip do Aerosmith ou do Marylin Manson (estes pelo menos são melhores, pois são bem mais curtos e tem a finalidade de mostrar a música).

Gabriel Byrne foi na certa convocado por alguma obrigação de contrato, porque nenhum ator em sã consciência aceitaria o papel. Patricia Arquette não devia saber o final do roteiro, pois não há um pingo de tensão ou pânico em seu personagem. Sacanagem sua, Sr. Gerbase de a comparar esta M.... à Bruxa de Blair que não tinha compromisso de ser nada (era apenas uma brincadeira) e que acabou sendo muito mais assustador que qualquer filmezinho de grande estúdio como este. Não há terror, não há tensão, não há suspense, não há efeitos. Enfim, não há nada em Stigmata que justifique uma ida aos cinemas. De bom mesmo só restou a pipoca e as poltronas do UCI (nova rede de cinemas aqui do RIO), além de ver o trailler do Toy Story 2.

De: Gerbase

Para ler sobre Corra Lola, Corra é só clicar na palavra "Arquivo" na seção de "Opinião". Lá você encontra todas as minhas colunas, desde a primeira que escrevi há um ano e meio. Também achei estranho o Byrne aceitar não um, mas DOIS papéis em filmes desse tipo (além de
Stigmata, está em Fim dos dias). Ele é bom ator e deveria se preservar.

De: Patricialia

Honestamente, não concordo em nada com sua crítica sobre o filme. Patricia Arquette e Gabriel Byrne estão muito bem nos papéis. É um filme interessante e bem feito, que prende o espectador do início ao fim. Quanto a comparar Stigmata com A Bruxa de Blair, foi um sacrilégio, por favor...

De: Gerbase

Interessante: fãs de
Stigmata não gostaram da comparação com A Bruxa de Blair, porque este último é um lixo. Fãs de A Bruxa de Blair não gostaram da comparação com Stigmata, porque este último é um lixo. Não tenho outra alternativa: concordo com os fãs dos dois filmes.

De: Ana Cláudia

Carlos, tudo bem? Há tempos leio suas críticas e gosto muito, mas nunca me atrevi a te escrever. Morri de rir com a crítica de Stigmata. Também não entendi que português é aquele nem como o padre encarnou (é encarnação mesmo? Não entendo nada dessas coisas) na Patricia Arquette. Foi pelo terço? E o padre e o diabo, tudo naquele corpo? Esquisito pra caramba, né?

Mas deixa pra lá. Quero te falar que gostei à beça de Luna Caliente. Nem tinha a intenção de assistir, mas o primeiro capítulo foi tão legal, bem feito, num ritmo diferente do que está passando, que não resisti. Viajei na sexta-feira e deixei gravando. Aqueles insights do Paulo Betti, em p/b, e as fusões foram bem sacadas, deram uma quebrada nas produções atuais. E o Tonico Pereira, pra variar, bate o maior bolão. Parabéns. Espero a próxima.

De: Gerbase

Obrigado. Nem sempre fazer TV é repetir fórmulas e escrever por encomenda. No caso do
Luna, tudo começou com a admiração do Jorge Furtado (co-roteirista e diretor) pelo livro do Mempo. Alguns anos depois, a gente conseguiu fazer a minissérie, que foi toda produzida aqui no Rio Grande do Sul, pela Casa de Cinema de Porto Alegre, de que faço parte. Isso dá uma outra "cara" ao projeto. Estamos torcendo para repetir a experiência algum dia.

De: Mauro Godoy Prudente Filho

Fui ver Stigmata neste final de semana, após ter lido a sua crítica. Como você pediu, escrevo este mail para lhe responder (ou tentar, pelo menos) porque o tal padre piedoso faz a menina sofrer... Segundo o filme, o fenômeno do stigmata só ocorre em pessoas profundamente religiosas, que, mais próximas de Deus, estão sujeitas às tentações do "Diabo". Assim passam a reproduzir as chagas de Cristo na cruz. Como a menina é atéia, estamos diante de um contra-senso. Entretanto, a explicação do filme é que, sendo a menina possuída pelo tal padre, ela sofre de stigmata porque o padre sofria do mesmo "mal". Não acho essa explicação tão ruim. Brabo mesmo é o modo como a menina ficou possuída, pelo tal rosário negro. Essa foi difícil de digerir. Nessa eu também quero champanhe.

Agora, não creio que o filme nos leve a torcer pela igreja católica. Muito pelo contrário. Acho que faz uma grande crítica (com a qual concordo), de que você não precisa de intermediários para conversar com Deus. E um templo de pedra é só um templo de pedra. "O reino de Deus está dentro de você e ao seu redor. Parta uma madeira e estarei lá; levante uma pedra e me encontrarás". Esse é um terreno perigoso, e que dá muito assunto pra discussão. Voltando ao cinema, achei o filme como uma estética de videoclip, interessante, mas não gostei muito. É isso. Um abraço. Ahh,...espero para ler sua crítica sobre o filme Joana D'arc. Estou curioso para ler sua opinião.

De: Gerbase

Como você mesmo diz, não acho que seja o caso da gente discutir assuntos religiosos. Na parte estética, concordo com você: o rosário é, de longe, a maior falha do roteiro. Mais champanhe, por favor. Quanto à Milla, quer dizer, à Joana, a coluna está no ar. Feliz Natal. E até mais.

Stigmata (Stigmata, EUA 1999). De Rupert Wainwright

Carlos Gerbase é jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista e diretor. Já escreveu duas novelas para o ZAZ (A gente ainda nem começou e "Fausto"). Atualmente finaliza seu terceiro longa-metragem, Tolerância, com Maitê Proença e Roberto Bomtempo.

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