![]()
|
DÊ SUA OPINIÃO (OU CALE-SE PARA SEMPRE) Filme: Quero ser John Malkovich De: Daniel Almino Cheguei a pensar que você detonaria Quero ser John... porque você de vez em quando é imprevisível. Porém, concordei com você nesta última. É um filme de proposta inteligente, roteiro simples (o maior mérito foi não se perder muito tempo explicando todos os meandros do porquê existir aquele portal, bla, bla, bla; se fosse num filme convencional, eles iriam perder meia hora explicando tudo tintin por tintin, da forma mais enfadonha possível). Apenas não entendi bem o porquê de quando o Malkovich entrou em seu próprio portal ter visto um mundo de Malkovichs. Será que ele entrou num imenso espelho global (essa foi dura)?!?! Realmente a semelhança com Cocoon foi um ponto negativo, mas talvez faça sentido na história, como modo de mostrar que a cada "passagem" de receptor, não apenas um se perpetua, mas um grupo inteiro (e seria bom levar para uma extensão da vida muitas pessoas que estão com ela no fim). Isto explicaria como o velhinho tarado poderia ter personalidades diferentes. Algum grupo que havia entrado no receptor antigo poderia ter, entre seus membros, algum tarado e algum "humanitário bondoso". É a minha teoria. Não sei se expliquei de forma adequada, ou se o roteiro precisa deixar isto mais claro para que todos possam também pensar nisto, mas, de qualquer forma, é um pouco de defeito num muito de boas "sacadas". É realmente um filme muito bom, original, em diversos momentos divertido, e que pode dar pano pra manga de muita discussão sobre o que é o "eu". Vale o ingresso! P.S.: Gostei muito do diretor. Já havia visto dois bons trabalhos dele: O clip "Sabotage", dos Beastie Boys e "Buddy Holly", do Weezer . De: Gerbase Temos, a seguir, outras teorias sobre o portal, sobre a saída do portal e sobre o papel dos velhinhos no final do filme. Me parece que, de modo geral, está confirmada minha suspeita da semana passada: o filme tem uma premissa (o portal) e um início (o andar sete e meio) tão bons e criativos, que não consegue corresponder a todas as expectativas que gera. Quase todo mundo tem alguma restrição ao final, que, em vez de ser anárquico, é simplesmente bobo. Mas, concordando com o Daniel, virei fã de carteirinha do diretor, que, ainda por cima, tem bom gosto musical. De: Aline Bueno Eu disse! Eu disse! Eu disse! Não vi o filme ainda, mas sempre soube que ia ser bom. Lembra quando eu ficava te perguntando, semestre passado, sobre este filme? Demorou pra vir, né? Mas valeu a espera. Vi hoje Velvet Goldmine. Não sei se já escreveste sobre este filme, mas eu adorei! É uma loucura total!!! Minha única ressalva é que tem horas que a gente se perde, não sabe em que ano está se passando a história, mas tudo bem... Também não sei se tu gostas dos anos 70, porque é um filme pra quem viveu ou curtiu a "glam era". O meu é o segundo caso porque, afinal, eu nasci em 1979. Bom, sugestão é pra isso, pra ser aceita ou não. (Mas que é tri, é...) P.S.: Pede pro pessoal do Terra/Zaz mudar a tua foto! De: Gerbase Atendendo a dica da Aline, fui ver o Velvet e já escrevi a respeito. Os anos 70, é claro, são muito mais importantes que os 60. Para o mundo? Não. Para mim. De: Manoel Valente Barbas A idéia do filme Quero ser John Malkovich foi bem achada e mal perdida. Um verdadeiro filmaço em potencial que, como quase sempre, acabou sendo mal aproveitado. Tipo o que aconteceu com Beleza Americana. Creio que falta às pessoas de gênio do cinema um pouco de formação cultural sólida. Elas sucumbem por falta de fôlego, espírito crítico ou de alimentação cultural. Veja o caso do balé de bonecos, títeres (quem será que traduziu o operador de bonecos para titereiro? Deve ter sido um sádico ou um curto de vocabulário). Que grande achado, mas enxertado no enredo sem conseqüências maiores. A não ser o arremedo de balé do John Mal... kovich (como o nome diz), patético, gordo, desajeitado. Aliás, ele é todo inadequado. Outro achado é o andar 7 e meio. No entando, outra idéia mal aproveitada, sem maiores conseqüências no filme. Um desperdício. O velhão com sua trupe de velhinhos (certamente chupados de O Bebê de Rosemary) também foi bem achado, mas caiu no desarranjo geral do filme e foi perdido. Outro ponto fraco: a volta das personagens à realidade, caindo no meio do mato, na beira da estrada. Coisa mais prosaica não existe. Poderia ser no telhado do prédio, no porão, no desvão da escada de serviço, na escada de incêndio, na lixeira. Em uma situação inusitada, surpreendente, mas não prosaica como aquela que o diretor achou. Você diz que a Cameron Diaz estava irreconhecível. Eu acho que ela está como deve ser na vida real. Nas comédias inconseqüentes é que está produzida, maquiada, falsa demais. Ela está identificável (portanto, reconhecível). Apreciei bastante o desempenho dela. Aconselho que se mantenha assim. A Catherine Keener merece bem um Oscar. É uma figura, uma esfinge, um protótipo. Pois é, meu amigo Gerbase: quando os críticos de cinema irão abandonar essa mania de seguir os divulgadores de Hollywood e dizer o que eles realmente acham e deixarem de analisar objetivamente o que vêem no produto acabado (filme), criticando o que se desviou do caminho? Gostaria de ver como os críticos de cinema agiriam se um filme não viesse precedido de toda a divulgação paga pelos estúdios. Certamente ficariam com um medo danado de se manifestar, temendo sair fora da opinião da patota internacional. Enfim: Quero ser John Malkovich é como aquela história da dona de casa que fez um bolo para a festa, aplicou bons ingredientes, boa receita, mas não acertou completamente. Concorreu ao Oscar dos bolos, fez publicidade e os críticos, temendo gafe, elogiaram bastante. Até que uma criança, experimentando o bolo, disse bem alto, no meio da festa, cuspindo o pedaço que colocara na boca: - Batumou! Pois é, caro Carlos Gerbase, Quero ser John Mallkovich batumou! De: Gerbase Por quê você não gosta dos caras caindo no acostamento? É um lugar como outro qualquer. As tuas opções, "telhado do prédio, no porão, no desvão da escada de serviço, na escada de incêndio, na lixeira" também são interessantes, mas não fariam a menor diferença. O funcionamento do portal não faz a menor diferença. Mas, como você identificou, outras coisas fazem muito diferença, e algumas delas realmente não funcionam tão bem assim. Quanto à Cameron Diaz, garanto que ela não está "como deve ser na vida real". Nenhuma atriz está, num filme, como está na vida real. Isso é simplesmente impossível. Em Quero ser John Malkovich ela criou um personagem bem diferente daqueles anteriores e demonstrou versatilidade e despreendimento (passar de uma deusa sexual a uma mulherzinha chata não é fácil para o ego de uma mulher). Ela mostrou que é boa atriz e te enganou direitinho. Fazer cinema é mentir, sempre. Não entendi se você está me acusando "de seguir os divulgadores de Hollywood" ou elogiando minha independência. Se for a primeiro opção, sugiro a leitura das dezenas de mensagens que me xingam como um crítico "intelectual demais" e "imprevisível demais". Se for a segunda, obrigado, mas não se trata de um esforço consciente. Quase sempre é pura falta de tempo de ler meus colegas. E nunca recebi nenhum release.
De: Ederson Nunes Escrevo isto porque ontem vi O Talentoso Ripley e não pude deixar de dar minha opinião após ler tua crítica. É a primeira vez que discordo quase que completamente contigo, desde O sexto sentido. Peço desculpas por estar escrevendo atrasado, mas aqui é interior, então os filmes chegam atrasados. Eu saí de casa pronto para achar o filme um lixo, porque não ouvi muitos elogios a ele (não que eu vá na onda dos outros, mas achei que fosse ruim) e principalmente, porque li que houve quem sugerisse que deveria levar o selo H, de homossexual. Nada contra, mas filmes que levantam a bandeira "veja como é bom o outro lado" não fazem meu estilo. Essa foi minha maior surpresa: o que eu vi de homossexual é menos do que uma hora de Casseta&Planeta. Não percebi o Ripley como um psicopata gay. Percebi-o como uma pessoa que gostaria de ter mais do que tem, que "prefere fingir ser alguém do que ser um ninguém". Esse é o ponto do filme. Ele não foi à Itália matar todo mundo e ficar com a herança. Ele foi procurar uma vida que considerava melhor. Ele queria exatamente impressionar. Queria que o achassem o máximo e, por causa disso, o conduzissem para dentro de um mundo mais rico. O que mais me impressionou foi a forte tensão em cada cena, depois do primeiro assassinato. Parece que a cada instante uma bomba vai explodir, ou que os personagens rasgarão seus disfarces "aceitáveis" e gritarão o que sentem. Isso só acontece uma vez, no barco, entre Ripley e Dickie, numa cena muito boa, mas que poderia ser melhor fotografada. A propósito, discordo de muitos que disseram ser a fotografia muito boa. Ela funciona em muitas cenas, há instantes que até fala por si mesma, mas não consegue uma linearidade da qualidade. Assim como a direção de arte, que arrasa em seqüências como a da ópera, mas peca nas cenas externas, onde em cada esquina parece haver a gravação de um comercial de sapatos baratos: muita gente amontoada, com figurinos pouco convincentes, e felizes como numa quermesse. Gostei do final. Não esperava o que aconteceu. Ele não queria matar o cara, mas viu que não tinha remédio: agora que já estava no caminho errado, não poderia retornar. Concordo contigo quando dizes que o talento do personagem de fingir, imitar, etc., foi pouco explorado, mas como um todo eu achei um ótimo filme. Ah! E Jude Law, pra mim, não fez nada demais. Cate Blanchett parece assustada diante das câmeras. Matt Damon e a senhorita de nome difícil estão bem, mas às vezes cometem excessos. Você viu o trailler desse filme? Nele aparecem algumas cenas que não estão incluídas na obra e que poderiam resultar em algo diferente. Obs.: Achei bem legal a idéia de se ter o e-mail publicado junto com nossa opinião. De: Gerbase Publiquei a mensagem do Ederson porque, apesar da discussão ser da semana passada, seu resumo do filme parece ser bem coerente. Além disso, recoloca a indefinição sexual de Ripley na roda. Depois de ver Velvet goldmine, tô achando o Ripley machão pra burro. De: Robledo Milani Ao contrário de Ripley, concordo em grande parte com a tua opinião sobre Being John Malkovich. O filme é mesmo fantástico, inovador, divertido, arriscado. A pergunta que todo mundo tem na cabeça quando sai do cinema é "Como é que alguém conseguiu pensar nessa história?" Tem alguns lances simplesmente maravilhosos, como, por exemplo, as pessoas serem cuspidas do cérebro do Malkovich direto para um terreno baldio ao lado de uma auto-estrada! O que é isso? É demais, não? E quando o próprio Malkovich entra no cérebro dele? Não, os caras são malucos mesmo... Os atores estão muito bem tb, mas não acho a Cameron a melhor coisa, não. Prefiro mil vezes Catherine Keener, a feia mais atraente do cinema atual. E o John Malkovich está maravilhoso, ele sim é a melhor coisa do filme, se alguém ali devia ter sido indicado ao Oscar, era ele! E ganhava! De: Gerbase Essa discussão do Oscar, quem deveria competir, quem deveria ganhar, me parece ser inevitável num espaço dedicado a cinema. Estou pronto para receber "n" mensagens falando das injustiças cometidas, e posso, eventualmente, até comentá-las. Mas chegou a hora da confissão. Hoje, segunda-feira, abri o jornal e, surpreso, vi que a festa do Oscar foi ontem. É isso mesmo: nem me liguei, fiquei escrevendo no computador até meia-noite, aí li mais um pouquinho e fui dormir. É este crítico absurdamente alienado que vos escreve. O que fazer? É pegar ou largar. E acho que estou pior a cada ano: geralmente eu via até dormir na primeira música. De: José Ricardo Arriscar é realmente a melhor palavra para definir este filme. O desafio de Spike Jonze (diretor), a meu ver, foi transpor para a tela uma loucura estilizada sem se preocupar muito com a corência fílmica, assumindo um pouco de Alice no país das Maravilhas, onde a personagem caía também em um buraco e ia parar numa outra dimensão, em outra realidade cheia de tipos bem esquisitos. Mas Charlie Kaufman (roteirista) não é nenhum Lewis Carrol, e fica muito a dever nesta sua parábola de identidades. Não houve nenhuma preocupação em arrumar as idéias delirantes e dar um sentido coerente e abrangente. Do que jeito que está, fica somente a farsa pela farsa, a anarquia pela anarquia. O filme começa super bem e escorrega lá pelas tantas, quando os propósitos dos personagens começam a se cruzar. O bando de velhinhos que decidem "morar" em John Malkovich para permanece imortais transforma o filme num samba do crioulo doido e, a meu ver, faz perder muito o charme desta fábula provocativa. De cair o queixo mesmo, destaco Cameron Diaz, irreconhecível mesmo sabendo que É ela mesma, e a coragem de John Malkovich de emprestar sua identidade e se transformar num personagem dele mesmo. Isso sim é ser um ator acima de qualquer suspeita. Tudo bem que Quero ser John Malkovich tenha o seu lado inovador, e seja uma bela fábula metalinguística cinematográfica e blá, blá, blá, e tudo o mais. Mas nós, pobres espectadores, esperamos, além de tudo isso, encontrar no escurinho do cinema uma bela história, com alguma coerência, e não uma brincadeira non-sense, irreverente e furiosa. P.S.: Te espero em Fim de caso (belíssimo trabalho de Neil Jordan). De: Gerbase Ao contrário de você, gosto muito de "brincadeiras non-sense, irreverentes e furiosas". Também ao contrário de você, não exijo "coerência" de um filme, se o seu objetivo não é este. Mas, exatamente como você, senti que alguma coisa não funciona 100% no filme. Acho que estamos apenas usando palavras diferentes para tentar dizer as mesmas coisas. De minha parte, o que continua incomodando é aquela solução final, com os velhinhos, que é simplesmente "boba" e nem um pouco anárquica, nem irreverente, nem furiosa. De: Marcos Lavieri Realmente, é um belo filme. Que me desculpem quem ainda não viu, mas a cena da regressão do macaco é antológica, quase surreal. Me diverti como há muito não fazia. O filme surpreende não só pelo inusitado do enredo, mas até nas soluções que encontra para determinadas situações, como na hora em que Malkovich entra na própria cabeça. Quase todo mundo imaginou que ele iria entrar num "loop" infinito, mas o desfecho, além de inesperado, foi engraçado demais. A fita me levou a analisar também a representatividade de John Malkovich no mundo do cinema. Realmente, ele é um ator muito bom, mas fora Joana D'arc, no qual ele participa discretamente, eu não lembro do nome de outros filmes feitos por ele, mas me lembro de vários personagens interpretados com maestria. Me senti como o motorista de táxi do início do filme. Outro fato que me levou a alguma reflexão é o sucesso do titereiro encarnado em Malkovich. No início da fita já se vê que o personagem de Cusack é um craque no manejo das marionetes, mas não tinha por onde escoar este potencial. Com o desfecho da história, fiquei pensando em como um nome pode dar base a qualquer excentricidade, por mais que ela seja genuinamente valiosa, pois o desempenho do titereiro era fenomenal, mas só depois de se encarnar em Malkovich ele alcançou o sucesso, e o público e a imprensa talvez só tenham aceitado tal mudança na carreira do ator justamente por se tratar dele. Chega de viagem! Vou encerrar minha mensagem dizendo que o filme é um dos grandes da nova safra e, como eu já lhe disse na semana passada, é prenúncio de um ótimo ano nos cinemas. De: Gerbase É, a regressão do macaquinho é antológica. Assim como o andar sete e meio, assim como Malkovih dentro de Malkovich. O filme tem tantos bons momentos, tantas boas idéias, que sobrevive a uma estrutura meio capenga no final. Também é uma excelente lembrança a relação persona-sucesso, estabelecida pelo filme. Não adianta ser um titereiro talentoso se não há um mito criado sobre esse talento. Ao "ser" Malkovish, o personagem de Cusak imediatamente tem esse mito a seu dispor. E o mito não é um mito de "talento real" do personagem Malkovich (pois nem o taxista lembra de algum filme dele) e sim o mito do "ator famoso de nome difícil".
De: Fernando Burjato Não concordo com o que escreveu sobre o final do filme de Spike Jonze conter uma "pequena recaída cristã", nem de lembrar o filme bobo Cocoon. É curioso que eu, um admirador do filme (como você), naturalmente, que não acho que o filme termine à altura de sua introdução e desenvolvimento (novamente como você, creio), venha, de certo modo, a defender justamente a sua conclusão. Mas vamos ao que interessa. Recaída cristã, onde, se o filme não apela para que venhamos a sentir piedade dos velhinhos - aliás, uma turba um tanto perversa que, para não morrer, aporta no corpo de um outro sujeito e toma conta de sua vida? (E você ainda sugere que a atitude deles difere das de outros personagens, que seriam "egoístas". Os velhinhos não o são, por acaso?) Penso neles mais como uma paródia - à moda de todo o filme - da própria idéia de uma inocência e candura de gente de mais idade - e "bem nascida", do que outra coisa. De: Gerbase Foi uma boa defesa. De fato, os velhinhos não estão nem aí para o destino de Malkovich. Mas a acusação não está nesse nível, não discute a ética dos personagens. A acusação é de que, num filme cheio de non-sense, o final tenha uma explicação racional e, mais do que isso, com algum fundo de "caridade". O velhinho altamente sacana se transforma no líder de um bando de salteadores de corpos, realmente preocupados em estender as próprias vidas. Isso não é uma paródia, e sim uma mudança bastante grande de estilo num roteiro que, à primeira vista, só queria esculhambar com o que viesse pela frente. A regressão do macaquinho é absolutamente coerente com todo o resto, e por isso é muito engraçada. A transformação do velhinho é tirada da cartola, e, nesses tempos de Mr.M, as crianças não aceitam mais truques desse tipo. De: Maria Cristina Calvitti Estava lendo agora suas respostas às críticas do Talentoso Ripley e achei ótimas as sugestões do Regis Felipe e Schorr, principalmente com relação a publicar o e-mail dos leitores, com a devida autorização, para podermos trocar informações. Eu concordo. P.S.: Você não publicou minha crítica de Beleza Americana. Snif, snif... De: Gerbase Não chora, Maria. A vida continua. Já viu o Velvet goldmine? Precisaremos de muitas opiniões femininas sobre esse filme. Quanto às sugestões de publicar os e-mails dos leitores e anunciar a crítica que será feita, estão em estudo.
De: Z.Vieira Olha eu aqui, mais uma vez, comparando um filme com Estrada Perdida. Pode ñ ser o mesmo diretor e o mesmo estilo, mas as loucuras mais inusitadas também estão lá em Quero ser... Sempre gostei muito desses filmes em que o diretor ñ está nem aí para explicações; vc que se vire e viaje da maneira que puder. No entanto, é claro, se o filme se predispõe a ser sério, o roteiro tem mais é que ser bem explicativo mesmo. Fui ao cinema já sabendo qual seria o estilo do filme. Porém, me surpreendi com cenas terrivelmente hilárias. Já começa com vc mesmo esperando uma explicação para o já histórico andar 7 e meio (tão cult quanto a privada de Trainspotting). E aí vem aquela explicação mais absurda de todos os tempos. Sem falar de John Kusack tentando descobrir o nome de Maxime; pelo amor de deus, como é que um filme com uma cena tão non-sense como aquela pode estar na festa do Oscar. Ah, claro, já ia esquecendo da parte mais goiaba do filme, disparado: quando aquele macaco, antes de soltar Cameron D., se lembra de sua família, também aprisionada. Quem viu o filme sabe do que eu estou falando, tem a noção do quanto aquele flash back é o mais goiaba de todos os tempos. Mais estranho ainda foi o pessoal que estava na minha sessão. Sem exagero: tirando eu, todos na sala se "prepararam" antes para ver o filme "com outros olhos", digamos assim. E eu achando que era um burro por não entender algumas piadas. Mas eles é que estavam muito doidos, rindo à toa. Quero Ser John Mal..., na minha opinião, já é uma loucura só e lisérgico suficiente. De: Gerbase É, o pessoal que se "preparou" deve ter sofrido uma espécie de over-dose. Concordo com você: consumido sem estimulantes, Quero ser John Malkovich já é suficientemente engraçado. Eu, que tomei um grande capuccino antes de entrar (remédio geralmente eficaz contra filmes soníferos), não utilizei os efeitos potentes da droga em nenhum momento. De: Rodrigo Strehl Machado Quase não vi Eu Quero Ser John Malkovitch porque havia a presença da irritante e açucarada C.D. Por sorte, meu preconceito foi menor que a curiosidade sobre a história e concordo contigo: Cameron arrasou. Pouco entendo de cinema, mas este filme é uma prova do que um diretor pode fazer: ela deveria processar por danos morais todos os seus diretores anteriores. Tá certo que, em início de carreira, talvez não dê para escolher muito o roteiro, mas sacanearam a coitada. O desempenho dela no filme há muito não é visto entre atrizes do circuito comercial De: Gerbase Também não vamos exagerar: ela está bem em Quem vai ficar com Mary, que é um besteirol interessante e cujo diretor não deve ser processado. Eu, se pudesse, agora usaria todo o talento da Diaz num papel glamuroso. E aí... Adeus, Gwyneth Paltrow. De: Humberto (ainda sobre Beleza americana) Como você mesmo dizia, não importa muito verificar que o filme pode ser uma repetição de um mesmo tema, ou uma nova versão, ou dentro da "moda". Importa que, independente disto ele seja bom e que emocione, que traga alga de novo. Enfim, que exercite sua sensibilidade e senso crítico. Fui assistir a Beleza Americana apenas com a informação do jornal de que era muito bom e gostei. Foi o primeiro filme americano que procura ver o lado existencial, as razões do comportamento humano, sem grandes cenas de ação, ou com a comédia pastelona. Não conheço, mas acredito que pude visualizar bem o padrão de vida da classe média americana. Acredito que este é um bom começo para uma nova forma de se fazer cinema nos "States", quem sabe até poderemos ter uma quantidade de filmes americanos com este tipo de questionamento, com essa nova forma de motivar, de sensibilizar as pessoas. No mais o filme tem um excelente roteiro, cenas muitos bonitas, excelente atuação do Kevin Spacey. Mas o que acontece: a sua crítica se baseia na comparação com outros filmes de menor repercussão, que provavelmente não tiveram a felicidade de serem tão bem distribuídos como este, e com certeza não vai fazer aumentar o número de pessoas que vão aos cinemas, que, por sinal, estão a cada dia mais vazios. Não considero o filme espetacular, mas, sejamos francos com a nossa própria natureza, não somos sempre espetaculares, não precisamos demorar 10 anos para fazer algo sensacional, mas podemos ser honestos e sinceros, e neste ponto eu acredito que o trabalho deste filme deve e tem que ser elogiado porque é bom e traz muitos dos elementos que citei acima. Merecia, sim, uma crítica que estimulasse as pessoas a irem ver o cinema. Sua coluna tem valor talvez para cinéfilos, mas para pessoas que vão pouco ao cinema funciona mais como um sinal vermelho. Acredito que você poderia utilizar sua coluna de forma mais construtiva, mais sutil. Fazer polêmica para ganhar e-mails e poder parecer estar acima do lugar comum é coisa de criticozinho. De: Gerbase Sugiro que você mude de crítico, porque eu não vou mudar de estilo. Críticas sutis e construtivas? Deus me livre e guarde. Você também sugere que eu "faço polêmicas" e "tento parecer acima do lugar comum", no que, desta vez, tem toda a razão. Polêmicas são divertidas, sempre que acompanhadas de argumentos interessantes e palavrões educados. E tento, desesperadamente, estar acima do lugar comum, se bem que escorrego bastante nele, esse sacana, que se infiltra no meio da frase e se disfarça no meio do raciocínio. Sendo assim, esse criticozinho de sinais vermelhos se despede, de você definitivamente, e de meus pobres leitores até a semana que vem. Ou até mais.
Quero ser John Malkovich (EUA, 1999). De Spike Jonze Carlos Gerbase é jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista e diretor. Já escreveu duas novelas para o ZAZ (A gente ainda nem começou e "Fausto"). Atualmente finaliza seu terceiro longa-metragem, Tolerância, com Maitê Proença e Roberto Bomtempo.
|
||
|
Copyright© 1996 - 2003 Terra Networks, S.A. Todos os direitos reservados. All rights reserved.
|
|||