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Filme: Para Sempre Cinderela

De: Horácio
Tem muito filme infantil que dá de dez a zero em filmes adultos (e como!). "Para Sempre Cinderela" é um dos poucos filmes que conseguem ser óbvios, mas mesmo assim originais. Esse filme é como um sanduíche que tem um recheio simples e que a maioria já enjoou, mas o modo com que ele foi feito é que faz com que ele seja especial. Detalhe para Drew Barrymore como Cinderela: mesmo que Hollywood esteja repleta de mocinhas bonitinhas que são ordinárias como atrizes, eles escolhem justo a levada menininha de ET, um dos grandes nomes do futuro incerto do cinema.


De: Gerbase
Não existem histórias absolutamente originais para serem contadas. Existem formas originais de contar as velhas histórias de sempre. É isto que acontece com "Para sempre Cinderela". Apesar de todo mundo saber que o príncipe vai acabar casando com Cinderela, ninguém sabe como ela vai conseguir se livrar da madrasta e das meias-irmãs. Quanto à Drew Barrymore, além dela ser boa atriz, seu corpo transborda juventude e vontade de viver, numa oposição evidente à grande maioria de suas colegas, mais preocupadas com as medidas dos glúteos e dos seios.

De: Scotta

"Vamos torcer para que ela mantenha a cabeça no lugar, escale lentamente seu caminho rumo ao topo e nos acene de lá, enquanto a bicicleta leva o E.T. por sobre a montanha." (Gerba) Fiquei emocionado... Você é um crítico camaleão. Deixa eu explicar: desde que o acompanho ("Encontro Marcado"), notei que, a partir da crítica catastrófica sobre "Amor além da vida", seus textos vem sofrendo "mutações" (as respostas aos leitores continuam espinhosas - vai com calma comigo, porque, nas duas vezes que escrevi, levei duas pauladas).

Em "Vida de inseto", tentou encontrar "chifre em cabeça de cavalo"; em "Cartas na mesa", filosofou e nos convidou para uma terapia de grupo (chegou até mesmo a demonstrar alguma humildade quando disse não ser crítico, e sim apenas alguém que escreve sobre filmes!); em "Da Magia à sedução" voltou a baixar o pau, mas, para minha própria surpresa, gostei do que você escreveu. Porque foi "light", e, permita dar minha opinião, é assim que eu acho que filmes ruins devem ser criticados. Porque algum mérito eles sempre tem. Afinal de contas, Ed Wood hoje é cult. Agora leio sua opinião sobre "Para sempre Cinderela", e você acrescentou ao estilo "light" um pouco de poesia. Tá amadurecendo ou ficando de coração mole?

De: Gerbase
Nada contra mutações. Afinal, como disse Raulzito, "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo." Mas não acho que eu tenha mudado tanto assim. Meu comentário "catastrófico" sobre "Amor além da vida" apenas espelha o que acho do filme: é uma catástrofe. Depois, falei de filmes interessantes e divertidos, e obviamente o clima também mudou. E aí veio mais uma bomba, "Da magia à sedução", que não merecia uma crítica "light", e sim um certificado de ruindade. Enfim, não estou amadurecendo (deus me livre), nem ficando de coração mole (que o diabo me impeça). E tem outra coisa: quem fez a poesia foi o Spielberg; eu apenas transcrevi.

De: José Bahia
Que tal comentar/opinar sobre dois filmes: "O mistério de Lulu" (Paul Auster) e "A hora mágica" (Guilherme de Almeida Prado). Filmes da hora!

De: Gerbase
Farei o possível, José.

De: Maykel Souza
E aí, camarada? Leio sempre suas críticas e resolvi comentar esta. Resolvi comentá-la porque trata do melhor filme do verão brasileiro. "Para sempre Cinderela" é ótimo. O filme é cheio de grandes sacadas, como aquela em que o "velho inventor" diz esperar entrar para história por ter conseguido abrir uma porta. No geral, o que o filme oferece de melhor é a mensagem de que devemos viver com convicção, convicção de vida buscada freneticamente pelo príncipe e que é encontrada fartamente na protagonista.

É bom que, já quase encerrando-se esse período ensolarado, tenhamos um filme para salvar toda uma temporada em que eu me diverti mais lendo suas críticas do que assistindo aos filmes.

De: Gerbase
Você conhece aquele conselho de um grande produtor de Hollywood para jovens roteiristas? "Se você quer mandar uma mensagem, não escreva um roteiro: envie um telegrama". Em linhas gerais, concordo com o produtor. Filmes com mensagens explícitas, como "Amor além da vida" (desculpem voltar à catástrofe), costumam ser muito chatos.

Mas não acho que "Para sempre Cinderela" tenha uma "mensagem". O filme tem, isto sim, uma nova visão de mundo para uma história originalmente maniqueísta e reacionária, em que tudo se resolvia pela intervenção da fada. Mais ou menos como todos nós, os brasileiros, ficamos esperando a varinha de condão do FMI para poder freqüentar o baile real no exterior. Mas tem uma outra frase bastante conhecida (só que esqueci o nome do autor): "Filmes não mudam o mundo. Filmes mudam pessoas, e estas podem mudar o mundo". Entre o total ceticismo do grande produtor e o otimismo (bastante hiponga) do anônimo, é você que decide. E até a semana que vem.


Para Sempre Cinderela
(EUA, 1998). De Andy Tennant.

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Carlos Gerbase é jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista e diretor. Já escreveu duas novelas para o ZAZ (A gente ainda nem começou e "Fausto") e atualmente prepara o seu terceiro longa-metragem para cinema, chamado "Tolerância".

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