![]()
|
DÊ SUA OPINIÃO (OU CALE-SE PARA SEMPRE) Filme: Como Enlouquecer seu ChefeDe: Flávia Aiex Bem, após ler a sua crítica, percebi que finalmente concordamos em alguns pontos de vista. Sinceramente, este é um filme legal e engraçado, acho que esse era o objetivo, né? Mas, quanto ao final ser previsível, realmente, você está certo. Porém, leve em consideração a maneira com que ele foi desenvolvido. Isso valorizou um pouco mais o filme! Sabe, tenho 14 anos e ainda não trabalho, mas acho q o filme retratou exatamente o q muitas pessoas pensam a respeito do trabalho, aquela coisa rotineira, com aquele patrão insuportável! Por isso, mesmo sendo uma história meio inverossímil, tem seu lado bem realista e interessante. Ah, e outra coisa, acho que conseguiram transmitir bem a idéia de que trabalho não é tudo na vida. Quer saber... Cansei, resolvi me dar uma de crítica de cinema, mas acho q nem deu muito certo. Agora, veio o outro lado da mensagem. Seguinte: desligando um pouco do filme da semana, gostaria de saber se vc assistiu o filme "Patch Adams" e o que vc achou da nota dada a este filme pelo outro crítico aí na lista de notas do Zaz. Foi 2. Isso mesmo:2 !!! Acho que vocês, críticos, tem algo contra o Robin Williams, e gostaria de saber o que você acha dele também, ok? E por que a maioria não gosta do trabalho dele? Espero resposta, mesmo que tenha fugido um pouco do tema, ok? De: Gerbase É preciso ter um certo cuidado quando se fala da "insuportável rotina do trabalho" quando se vive num país com milhões de desempregados, que dariam um dedo para partilhar dessa rotina. O trabalho, desde que justamente remunerado, é a essência da vida de todos nós, porque é através dele que produzimos bens de todos os tipos (materiais ou não). "Como enlouquecer seu chefe" mostra relações de trabalho insuportáveis, e não que trabalhar é insuportável. Você, com 14 anos, tem a vida inteira pela frente para encontrar um trabalho digno e prazeiroso (mas que, às vezes, pode parecer insuportável). Não vi "Patch Adams" e não posso emitir opinião sobre o filme, mas (como já escrevi outras vezes nesse espaço) acho que o Robin Williams tem um péssimo gosto ao escolher os filmes em que trabalha. Sendo assim, desconfio que o Tuio Becker está certo. De: João Pedro Caleiro Levei um susto ruim quando li a chamada "Gerbase elogia a comédia "Como Enlouquecer...". Como pode um crítico bom como você (e com o qual partilho muitas opiniões) gostar de uma comédia tão sem graça e idiota como esta? Você confirmou a sua tendência de sempre cavar fundo e ficar procurando sentido em roteiros banais (como fez em "Vida de Inseto"). Achou que "Como Enlouquecer..." é uma sátira ao modo de vida americano e um filme que desfaz todo o modo de vida que os norte-americanos sempre louvaram. "Como Enlouquecer..." é um filme: 1) Sem graça (há apenas umas três cenas realmente engraçadas). 2) Monótono (a trama de vingança é sem graça e o filme não tem ritmo). 3) Com um roteiro banal (quantos filmes iguais já não foram feitos?) Se uma comédia assim pode ser considerada boa, qualquer filme pode. De: Gerbase Fazer comédia é muito difícil. Eu me diverti no filme como um todo, pela sua clareza narrativa, pela sua leveza de produção, pela sua despretensão. Nem lembro de três cenas particularmente engraçadas. Não é um filme para gargalhar. É um filme para sorrir. Não lembro de um filme igual. A comparação com o "Dilbert" é mesmo inevitável, mas e daí? Quem se inspira em coisas legais pode fazer mais coisas legais. Tem gente que prefere se inspirar em chatices e fazer mais chatices. De: Wellington Não sei se é o senhor que escreve os textos da crítica dos filmes, principalmente os de ação, como "Mas é bom o suficiente para agradar intelectuais - críticos ferrenhos dos blockbuster americanos - e fãs do cinemão pipoca - alérgicos a obras cerebrais." Sobre o filme O Troco, na minha opinião, você foi muito infeliz. Me senti muito ofendido, não temos culpa de não gostar do mesmo filme que você gosta, eu não vou assistir um filme russo em preto e branco que conta a história de um cara que se perdeu numa montanha e depois foi escrever um livro. Se for vc que escreve as críticas você é um cara muito chato. Atenciosamente, Wellington. De: Gerbase Não fui eu que escrevi a frase que você cita, mas concordo, pelo menos em parte, com ela. "O Troco" é um filme nitidamente capenga e indeciso, feito para agradar os fãs do cinemão pipoca (consumo rápido, sem efeitos colaterais). Mas é preciso dizer que pipoca é um alimento relativamente saudável. Melhor um filme pipoca que um filme picanha. O que você tem contra filmes russos em preto e branco? Já assistiu ao "Encouraçado Potemkim"? Garanto que é bem divertido, apesar de mudo, e muito melhor montado que O Troco. De: Fernando Vasconcelos Este é o primeiro de muitos e-mails que eu vou enviar! Os seus comentários sobre filmes são bastante objetivos e sacanas. Coisa de quem realmente curte cinema. Os textos sobre "Kundun", "Além da Linha Vermelha" e "O Troco" são muito corretos. "Kundun" é um belo filme e uma obra do mestre Scorcese sempre é bom cinema. É impressionante como a "grande imprensa" é tapada o suficiente para dar manchetes como Dalai na Lama (revista Veja) e dizer que "O Troco" é um bom filme de ação (revista Veja novamente!).E você também foi muito feliz em comentar que "Além da Linha Vermelha" poderia (deveria?) ter mais de 3 horas para desenvolver melhor os personagens. Mas, infelizmente o que o público quer são os bons e os malvados de "O Resgate do Soldado Ryan", que poderia ser até um bom filme, se não tivesse aquele final cretino e, este sim, poderia ter tranqüilamente uma hora a menos. Na verdade seria um grande filme se só durasse meia hora. Bem, depois dessa longa introdução de marinheiro de primeira viagem, estou escrevendo para comentar o "Office Space" - "Como Enlouquecer seu Chefe" (que título imbecil!) que eu vi aqui em Recife na semana passada e curti muito, muito mesmo. Pra ser americano, o filme é inteligente demais. Quanto ao filme não provocar gargalhadas, é menos um defeito e mais uma qualidade, já que as piadas mantém uma qualidade acima da média ao longo de todo o filme. O final... bem, o final me pareceu concessão à produtora e, embora previsível, não chega a comprometer o filme. Espero que o seu elogio ajude as pessoas a "descobrirem" o filme antes que ele saia de cartaz. No mais, eu que gosto muito de cinema mas não sou nenhum especialista nem envolvido diretamente com a realização de filmes, gostaria de comentar que quem faz cinema aqui no Brasil fica chorando que não tem dinheiro para atingir a qualidade técnica para concorrer com o cinema americano, quando na verdade o maior problema do nosso cinema é ROTEIRO! Vejam o caso de Orfeu. Porra, os caras gastaram 7 milhões, conseguiram qualidade técnica e o filme, sinceramente, é uma porcaria. Não dá pra ficar falando: "tem que prestigiar o cinema nacional", tem mais é que dizer: "Fuja! É uma bomba!" pra ver se essa droga sai logo de cartaz! "Central do Brasil", por exemplo, é legal por que tem, acima de todas as suas qualidades técnicas, um bom roteiro, que faz com que você entre no filme e se interesse pelo que está sendo contado. De: Gerbase Você e muitos outros leitores reclamam, com toda a razão, dos títulos de alguns filmes. Sugiro que mandem mensagens desaforadas para as distribuidoras (Columbia, Warner e UIP) e peçam para elas capricharem mais nas traduções como um todo. Quanto ao "Orfeu": pode ter certeza que o Cacá, os roteiristas e toda a equipe deram o melhor de si para fazer o melhor filme possível. A boa bilheteria de "Orfeu" (mesmo que sustentada, até agora, pela boa campanha de lançamento) é uma prova de que o filme é popular. De certo modo, essa mesma bilheteria está desautorizando a comparação que fiz com "Quilombo". O público não estaria prestigiando o filme se ele não tivesse méritos. Talvez os mesmos méritos de "Titanic", mas quem disse que nós também não podemos transformar desastres em êxitos? De: Cláudio Steiner É a primeira vez que escrevo para este espaço, então gostaria, antes de comentar a crítica do filme "Como enlouquecer seu chefe", de elogiar a iniciativa do ZAZ de estabelecer esta interação, explorando de forma simples e direta o que a Internet tem de melhor, que é exatamente isto. Também quero dizer que te considero um dos melhores críticos de cinema atualmente, com uma capacidade natural de estabelecer uma identidade com o público em geral, sem abrir mão das opiniões de um especialista. Especificamente, nota 10 para a tua crítica atualizada para um filme nota 11, que nunca se desatualiza - "2001". Não precisa dizer mais nada. Isto é Cinema! Ainda, excelente a idéia de o público dar suas próprias notas aos filmes, apesar de ser surpreendente o que tem acontecido (com o tempo, acredito, este mecanismo será aperfeiçoado). Enfim, quanto a "Como enlouquecer seu chefe", concordo basicamente com tua crítica, mas acrescento algumas coisas mais, que acho que são importantes. Primeiro, e mais uma vez, o título não tem nada a ver (esse pessoal que dá os títulos em português tem uma incrível capacidade de distorcer e até estragar a maioria dos filmes - até quando?). Depois, creio que a trilha sonora (ou determinadas inserções de músicas) deu um toque especial para passar o clima de algumas cenas, tornando-as praticamente antológicas no contexto (como a da quebra da máquina de xerox). Além disso, o filme reflete uma realidade política no ambiente empresarial que extrapola as fronteiras norte- americanas, funcionando, de forma claramente superlativa, como "um tapa na cara" do espectador (pelo menos naqueles que trabalham ou já trabalharam em empresas em geral). E aí reside o fato de porque algumas pessoas não gostam do filme (quando não bate a sensação de "espelho" ou "deja vú"). Para mim, o mais significativo, entre o engraçado e o ácido do filme, é o caldo que fica de um elemento fundamental na vida de qualquer pessoa, mas decisivo no ambiente de trabalho - a motivação. Para qualquer coisa na vida, mas vital na vida profissional. Um filme onde o que é engraçado é ficção e o que é trágico é a pura realidade (emoção x razão). Deixa um gosto bom para o cinéfilo e um gosto amargo para o cidadão. Deveria ser utilizado como vídeo empresarial, substituindo aquelas reuniões inúteis "a la Dilbert". De: Gerbase Você está de parabéns pela sua crítica. A questão da motivação é mesmo fundamental. Eu, por exemplo, neste momento, estou puxando motivações das profundezas do meu ser para escrever estas poucas linhas. E isso que nem tenho um patrão tradicional! Mas o trabalho, às vezes, é mesmo assim: temos que pensar nas satisfações passadas e futuras para enfrentar as dificuldades de agora. De: Marcelo Brauer Zaicovski Sei que é uma opinião atrasada, mas o que importa é manifestar o que se pensa. Assisti a "Orfeu" sábado passado. Já tinha lido tua coluna aqui no ZAZ, aliás como sempre, virou um hábito saudável, e realmente percebi uma falta de jeito de comentar o filme. Lendo tuas respostas, ficou ainda mais evidente. Não achei um grande filme. Parece que o Cacá Diegues andou perdendo a mão, ou ficou preocupado em fazer filmes ao estilo padrão Globo. "Orfeu" ficou parecido com o "Tieta". Música do Caetano, aquela propaganda intensa (a Globo abraçando o projeto) e etc. Minha namorada faz teatro e acho que ela entende um pouco mais de interpretação do que eu, e, pelo que vimos, as interpretações ficaram muito abaixo. O Toni Garrido só ficou razoável quando cantou. Bom, ele é um cantor; portanto, espera-se que ele faça isso bem... espera-se! A Patrícia França continua a mesma: sempre o mesmo jeito de falar, seja na novela, na minissérie, sempre igual, será a nova Glória Pires da TV. O resto, sei lá, soa falso, meio que um estereótipo de personagem. Caras e bocas, alguns choros cênicos mal feitos. Eu tinha uma outra idéia do filme (não assisti o filme do Camus), de como a trama seria mostrada. Aquela estória de descida ao inferno em busca do amor perdido me passou outra visão. Sei lá, fiquei com aquela cara de quem esperava mais. A cena do Caetano cantando na favela em plena madrugada ficou até engraçada. Parecia aqueles bêbados que ficam tocando a esmo por aí... Bom, eu acho que o cinema nacional vive um bom momento, até a crise bater, é lógico. Sempre temos estréias, o que é muito bom, mas ainda temos de achar um identidade própria de cinema e não o que o mercado americano vai gostar. Acho que a fantasia de ganhar um Oscar está deixando muito cineasta com visões deturpadas das coisas e fazendo filmes muito certinhos. De: Gerbase Com esta mensagem, ficam encerradas as discussões sobre "Orfeu". Só o fato do filme ter provocado uma boa polêmica já é um bom sinal. Tem filme que estréia e ninguém fala nada. Longa vida ao cinema brasileiro. E até mais! Como Enlouquecer seu Chefe (EUA, 1999). De Mike Judge. Dê sua opinião ou cale-se para sempre
Carlos Gerbase é jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista e diretor. Já escreveu duas novelas para o ZAZ (A gente ainda nem começou e "Fausto") e atualmente prepara o seu terceiro longa-metragem para cinema, chamado "Tolerância". |
||
|
Copyright © 1996-1999 ZAZ. Todos os direitos reservados. All rights reserved.
|
|||