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Filme: 007 - O Mundo Não é o Bastante



De: Gustavo Guedes

Primeiramente eu gostaria de dizer que, apesar de eu não ter gostado nem um pouco deste filme, não darei uma de "intelectualóide" de plantão que critica Hollywood e a indústria cinematográfica. Os caras lá têm dinheiro e gastam ele onde quiserem, não importa se é com bombas como este 007 ou com filmes bacanas. Tem neguinho (e muitos!) que paga o ingresso para ver essas "bombas" e pronto. O cinema jamais morrerá ou se desgastará por causa disso, viu "intelectualóides que adoram cinema europeu e filmes de arte"?

Agora falemos do filme... Eu adoro o cinemão de filmes despretensiosos e que têm como único objetivo divertir o espectador que pagou 10 reais pelo ingresso. A série 007 sempre foi sinônimo de "cinemão-diversão", menos este último exemplar. Pô, o que aconteceu com os produtores? Depois de quase 10 anos parado, James Bond retornou em dois filmes de ação do cace**. Tudo bem que o "espião Bond" morreu e surgiu o "herói de ação Bond", mas a transição nem foi notada. Os diretores contratados para fazer Golden Eye e O Amanhã Nunca Morre deram conta do recado. Eles divertem que é uma beleza. E o maior problema deste novo 007 é o... diretor. Onde é que os produtores estavam com a cabeça quando contrataram esse Michael Apted? Um cara que só dirigiu dramas e ficou até surpreso pelo convite. Uma lástima... A história é até razoável (se bem que a história não importa muito) mas ele fo** tudo. Além de querer complicar a trama, estragou todas as cenas de ação (menos o "pega" de lanchas).

Ao invés de, como você escreveu, simplificar o negócio, colando um vilão caricato que quer dominar o mundo, não. Ele colocou personagens ambíguas, complicou os diálogos e pôs até uma reviravolta (palavra desconhecida nos filmes de Bond). Coisas que não têm nada a ver com a série 007. Mas o que mais me deixou irritado foram as cenas de ação. Esse Apted lambuzou tudo e fez as cenas de ação mais sem ação que eu já vi. A preseguição de esqui é ridícula; as sequências no silo nuclear são uma tristeza; a cena na tubulação de petróleo é de chorar; a parte da fábrica de caviar é lastimável e o final no submarino é de querer morrer. Aliás, a cena do submarino explodindo é ruim, mas tão ruim, que parecia coisa de filme trash. Dá para ver que é uma maquete. E a arte está em fazer com que não pareça uma maquete. Pobre Michael...

Já com relação ao elenco não tenho nada a dizer... de bom. Pierce Brosnan convenceu e muito como James Bond nos filmes anteriores, mas nesse ele se perdeu todo. Robert Carlyle (eu gosto desse cara) tinha tudo para roubar a cena e ser um dos melhores vilões da série, mas ficou mais apagado que... sei lá o quê (culpa dos roteiristas e do Apted). É melhor ele fazer algum filme com Danny Boyle para se redimir. A Sophie Marceau parecia mais uma tábua falando, sua interpretação teve a profundidade de um pires. É uma francesinha gostosinha, mas nojentinha. A Denise Richards estava ali apenas como peça de decoração e para o Bond ter alguém para traçar na virada do ano. Mas como ela é gost...ah, deixa pra lá. Já Judi Dench... vamos esquecer que ela fez esse filme, OK?

Para os produtores se redimirem do tremendo pecado que cometeram ao chamar um "diretor-zé-mané" para realizar o último 007 do milênio, eles têm que dar o próximo projeto para o John McTiernan ou para o John Woo. Aí sim teremos um pu** filme de ação cheio de adrenalina. Falando em Woo, Missão: Impossível 2 vem aí... Ah! Antes que eu me esqueça, a única coisa que vale no filme é a abertura com a música executada pelo Garbage, que é excelente.

BS: Gerba, já pensou se os donos da Exon assistirem a esse filme? Rapidinho eles vão contratar um terrorista anarquista para detonar Istambul, mandar alguma empreiteira construir um oleoduto naquela região e assim tentar dominar a distribuição de petróleo no mundo. Esse filme é um ótimo exemplo de como o cinema pode influenciar negativamente as pessoas... hehehehe!

De: Gerbase

Acho que você está simplificando um pouco as coisas. Filmes de "cinemão" são aqueles que, com grandes orçamentos, não ousam fazer nada além do lugar-comum, buscando grandes bilheterias para recuperar o dinheiro investido. Os filmes da série 007 são "cinemão".
Titanic é "cinemão", e grande parte dos filmes dos grandes estúdios de Hollywood são "cinemão". Mas a Europa também faz "cinemão". Quer melhor exemplo que o recente Joana D'Arc? O próprio cinema brasileiro, sempre que a conjuntura ajuda, também arrisca o "cinemão". Mauá é cinemão. Orfeu é cinemão. "Cinemão" é um tipo de cinema que existe em quase todos os países produtores, apesar dos Estados Unidos, por óbvias razões econômicas, dominarem o setor.

"Filmes de arte" também existem em muitos países, inclusive nos Estados Unidos. Eles são, quase sempre, a antítese do "cinemão": orçamentos pequenos e muita vontade de ousar; menos preocupação com a bilheteria, e mais com a experimentação estética. Contudo, apesar da possibilidade (um pouco simplificadora também) de distinguir estes dois tipos "radicais" de cinema, não creio ser possível separar o público de cinema em apenas dois grandes grupos, os "intelectualóides que adoram cinema europeu e filmes de arte" e os "consumidores de filmes pipoca". Existem milhões de pessoas, entre as quais me incluo, que simplesmente gostam de bom cinema, feito com competência, e que são capazes de curtir, num dia, um bom 007, e, no outro, um bom Bergman. Por quê não? Para que limitar o prazer do cinema?

Quando escrevo sobre um filme, tento sempre perceber quais eram as intenções do produtor e do diretor e julgar o resultado final a partir dessas intenções. Às vezes, as intenções é que estão erradas, o que gera um filme "errado" desde a sua origem. Às vezes, são os percalços da realização. Mas o importante é não ter preconceitos. Outra coisa: para dizer que um filme é "bom" apenas porque fez boa bilheteria não é preciso pensar nem refletir sobre ele: basta ter acesso a números (confiáveis) dos borderôs. Cabe ao crítico uma análise das qualidades cinematográficas de todo tipo de filme.


De: Eduardo Vieira

Leio sempre sua coluna, apesar de não concordar muito com suas opiniões. Minha impressão é que você é fã inveterado do cinema dito "cabeça". Aqueles filmes franceses com legenda em sueco com longas tomadas aonde não acontece nada...

Exemplo: me desculpe, mas o Bruce Willis estava muito bem no Sexto Sentido. Ele não é um Robert de Niro, mas tá longe de ser o "Igor" (o ator que fazia o cigano naquela novela chatíssima da mãe da Daniela Peres, que só fala "Dara, Dara"). Foi o tipo do comentário de quem não quer dar o braço a torcer de que gostou de um filme essencialmente americano e comercial.

Bem, mas esse não é o assunto. O assunto é o filme do 007. Concordo com algumas coisas. Realmente aquela pirralha não tem a menor pinta de física nuclear. Podiam têla-la colocado como "estagiária" que ficaria mais provável. A trama realmente é um pouco enrolada. O filme leva a entender que a M (M fala "passando por cima do meu instinto de mãe, disse para não pagar o resgate") é mãe da garota, mas aproveita muito pouco isso, de maneira que fica ambíguo. Mas, é interessante a inversão que a história dá. O vilão é a garota, não o cara com a bala na cabeça.

O Pierce Brosnam é canastrão? É!!! Mas tem tipo, e faz um Bond muito melhor do que o tal de Timothy Dalton. O Sean Connery, infelizmente tá mais pra M do que pra 007 hoje em dia. Acho até injusto querer criticar um filme de 007 como se fosse uma obra de arte. Não é. Ele não é feito pra isso. É um filme de entretenimento, de seqüências absurdamente irreais. Faz parte. O filme até brinca com isso (impagável a cena em que ele arruma a gravata debaixo d'água).

A única coisa que gostaria de pedir aos críticos é isso. Que, ao cotar um filme, não vejam um 007 da mesma maneira que vêem O Sétimo Selo. São propostas diferentes, para públicos diferentes. Um filme é bom ou ruim dentro do contexto dele. Um filme de duas horas onde mais da metade do tempo é tomado por cenas de ação realmente não tem muito tempo pra desenvolver uma trama. Um abraço e feliz ano novo.

De: Gerbase

Tudo o que escrevi em relação à mensagem do Gustavo serve para esta mensagem do Eduardo, que, de certa forma, confirma minhas palavras. Quando escrevi que Bruce Willis não era exatamente a melhor coisa de
O Sexto Sentido não estava buscando uma maneira desmerecer o filme. Estava apenas dando uma opinião sobre a sua atuação (no que, aliás, fui acompanhado por numerosos leitores do ZAZ). E também não escrevi sobre 007 como se ele fosse um filme de arte. Pelo contrário: o comparei com os outros filmes da série, que tinham exatamente a mesma intenção de divertir. O problema de O Mundo Não é o Bastante é que ele não diverte o bastante.

De: Blow-up

Pierce Brosnan bem que se esforça, tem um seu estilo, às vezes força os cacoetes, os trejeitos de propaganda de cigarro (a leve compressão das pálpebras para tentar ser expressivo). Só que tapar o corpo com os lençóis, na virada do milênio, eu não aceito (clichê por demais). A física nuclear nem pra modelo serve, é pequena, um pouco espevitada, as mulheres de Bond devem ser longilíneas e curvilíneas. Sophie é mesmo muito chata, até um pouco neurótica (pra tentar se salvar). A "M" está uma merda. Agora, os créditos iniciais do filme são surrealistas, Dali na veia, muito bom.

A música está legal (o som do Cinemark ajuda bastante). A trama é desnecessária, pra que tanto falatório, não é mesmo? Eu já venho percebendo isso há algum tempo. Na refilmagem de Psicose notei que os diálogos não se seguram. Claro, o diretor não é o mesmo, nem os atores, mas me parece que a estética daquela época não cabe mais, tem que se ter muita habilidade, principalmente nos filmes de ação, mistério, suspense. O que sempre ocorre é a chatice da vertigem das imagens.

Mas falo do Hitchock porque Bond sempre foi hitchcockiano (ou vice-versa). Aventuras em lugares exóticos, novos, grandiosos (a cena da Estátua da Liberdade, da mesma represa do Super-homem, em O Sabotador, Intriga Internacional, etc). Percebo isso claramente naquele novo prédio (?) em Londres na cena da perseguição pelo rio culminando com o balão que explode. Tenho a impressão de que este 007 - O Mundo Não é o Bastante tenta soar como um apanhado de todos os bond´s para a nova geração, que só conheceu o Sean Connery de O Nome da Rosa em diante. E assim o é, com a cena belíssima na neve, a perseguição no rio, o habitat exótico do vilão (e, na cena do submarino, um pouco de Titanic?), o ajudante de um dos vilões/colaboradores com sua dentadura de ouro.

Claro, James Bond é uma griffe e, portanto, os produtos são os mesmos. O que ocorre nesse é a repetição - também dos temas - mas, sobretudo, dos cenários, ainda que em Aspen ou nos Alpes, tanto faz. (...) Bond mostra o inusitado, se vale do inusitado, a caneta que não é só caneta, a intenção primeira que nunca é a real intenção. Como disse Hitckcock, o que realmente importa é a ação, o desencadear da ação, ainda que ilógica. Mas tem que ser bem filmado. Todo mundo sabe que é de mentira, mas tem que enganar. Como o cinema. Como a Janela Indiscreta, como Blow up. Ou não?

De: Gerbase

A comparação é velha, mas ainda útil para separar um filme de suspense (a maioria dos de Hitchcock) de um filme de ação (todos de 007). Duas pessoas conversam numa mesa de um bar. Num filme de 007, Bond está chegando para falar com elas e, quando está a poucos metros da mesa, ela explode. Num filme de Hitchcock, enquanto as pessoas conversam na mesa, ouvimos um insistente tic-tac, a câmara se deloca para baixo da mesa e vemos que ali há uma bomba, que nem precisa, necessariamente, explodir (e que nem precisa, necessariamente, ser uma bomba de verdade. São dois gêneros de cinema. O suspense depende mais de roteiro e da boa interpretação dos atores. O filme de ação depende mais dos efeitos especiais e dos "stunt-men". Quando a série 007 iniciou e ainda havia muito material de Ian Fleming para usar, os filmes tinham um pouco mais de suspense. Agora, são apenas filmes de ação.


De: Gustavo Cavinato

Concordo em vários pontos com a tua coluna dessa semana. O novo filme de James Bond foi uma decepção, não que seja ruim, mas um vilão como Renard merecia pelo menos um roteiro decente... Não dá pra admitir que um personagem tão legal seja tão mal aproveitado no filme! Realmente, colocar a Denise Richards no papel da cientista nuclear Christmas Jones (?!?!) é tão ou mais absurdo do que batizá-la com este nome. Pelo menos Pierce Brosnan é um Bond carismático, e as explosões são de qualidade. O que está faltando nessa nova fase do 007? A resposta é simples: um roteiro caprichado e John Woo na direção.

De: Gerbase

É verdade. John Woo faria um 007 trepidante, com ou sem um bom roteiro.

De: Carlos Corrêa

Concordo 101% quando você diz que ninguém vai assistir aos filmes do James Bond querendo mais do que simplesmente ação e mulheres bonitas em lugares exóticos durante duas horas. Mas, se formos avaliar o filme partindo desse princípio, O Mundo Não é o Bastante não se sai tão mal. Nem entro no mérito das mulheres serem tão bonitas ou não, acho a Denise Richards linda (com poucas falas melhor ainda), mas isso é gosto, e gosto não se discute. A história não apresenta nada de novo, OK, mas quando foi que apresentou? Além do mais, os roteiros dos filmes anteriores eram favorecidos pela Guerra Fria, que dava de bandeja os vilões do comunismo querendo acabar com o mundo dos heróis, era mais fácil de se perceber o maniqueísmo, e por conseqüência odiar o vilão.

Com relação à comparação com Sean Connnery, é claro que Pierce Brosnan não chega nem perto do primeiro. Mas cá pra nós, ele tem a cara do agente 007, com um ar malicioso o tempo inteiro. Interpretação? Num filme de James Bond? Não é certamente a prioridade. Apenas acho que se o diretor tivesse conduzido todo o filme no estilo do seu início, teria sido mais proveitoso, já que ali naqueles 10, 15 primeiros minutos ele brinca com os elementos já tão conhecidos nos filmes de Bond, não se levando a sério. Depois, quando quis inventar, não segurou a peteca. Mas ainda assim, se formos contar todos os prós e contras da nova empreitada, até que ela cumpre seu dever de entretenimento, assim como de manter a MGM viva.

De: Gerbase

Não sei como este 007 está de bilheteria. Imagino que razoavelmente bem. E é bom lembrar que uma parte da produção deve ter sido paga com os inúmeros "merchandisings". Mas, se formos pensar exclusivamente dessa forma, creio que o filme falha ao não aproveitar devidamente as suas atrizes. Talvez os produtores estivessem procurando uma classificação de censura baixa (14 anos ou menos), porque, como todos sabem, os adolescentes são, hoje, um dos principais públicos do cinema mundial (e, no Brasil, eles são decisivos no destino da bilheteria). Assim, nada de nudez, nem de muito erotismo. Isso é uma pena. Lembro de vários filmes de 007 (
Octopussy, em particular) em que a temperatura aumentava bastante, sem qualquer apelação. A infantilização de 007, a longo prazo, descaracteriza o herói e prejudica a série. Quem leu Ian Fleiming sabe que as aventuras sexuais do agente sempre foram muito adultas.

De: Davi

Eu não sei como essa cinessérie consegue sobrever sem atores como Sean Connery e Roger Moore (pra mim o melhor dos Bonds, sendo que ninguém botava fé nele). Os 3 últimos filmes do 007 foram praticamente marketing, BMW, Ericsson, Omega, Vodcka Smirnof.. Eu não agüento mais ver tanta publicidade num filme desses. Que saudade da época de Sean Connery, Roger Moore... Sinceramente acho que a série 007 devia acabar, os roteiros estão fracos d+! Os filmes baseados nas obras de Ian Fleming sao d+! Principalmente Live and Let Die, Goldfinger e Só Se Vive Duas Vezes! Tudo bem que o Pierce Brosnan é melhor que o Geroge Lazenby, mas pelo menos no filme do Lazenby não tinha tanta baboseira de propaganda!

Baseando o roteiro em intrigas com a ex-URSS, os filmes de Bond era com certeza muito melhores (na época em que a KGB, URSS e o sr. Blofeld eram os vilões). Acho que no próximo filme de Bond, Blofeld ou algum parente próximo dele deveria ser ressuscitado! É uma pena saber que Desmond, o "Q", faleceu. Ele era muito bom, um ícone para os filmes do 007. Só não participou do Dr No. e do Live And Let Die! Mas, tudo bem... Espero que no próximo filme o seu acessor se saia bem! Pelo menos a trilha sonora está boa, assim como aquela abertura do início. Eu acho que os vilões tem que ser muito mais maus, Dr. No, Dr. Kananga, Jaws, Scaramanga, Goldfinger, Blofeld, esses sim são vilões à altura de James Bond, não um mero terrorista, ou muito menos, como no filme antecessor, um controlador de mídia! Espero que, no próximo filme de Bond, as coisas melhorem!

De: Gerbase

Também me decepcionei com o vilão, que, na verdade, eram dois. Ao dividir a maldade, o roteiro enfraquece. O personagem de Robert Carlyle, que pintava como muito poderoso, não consegue se justificar. E todo o filme sofre com isso.

De: Samuel Maass

Pois é, mais um 007 e o que podemos concluir? Boas coisas que não. Bom, eu diria que pouco acrescentou. Pior, acho que estão deteriorando a imagem do velho agente britânico. Tudo bem que os filmes antigos da série com Connery tinham os mesmos recursos para efeitos visuais, porém o roteiro (na minha opinião, o mais importante) dava de dez a zero. Só para citar alguns problemas: - Como Bond não percebeu a orelha deformada da vilã sub mocinha mesmo deitando-se com ela? - Como nosso herói cai de uma altura de 50m, colide com vários anteparos e "desloca" o ombro? (pior de tudo é que traça até a doutora depois) - Mas o pior, como ele conseguiu encaixar aquele caninho de ar comprimido e salvar o mundo?

De: Gerbase

A sua primeira pergunta é realmente importante. Mas, como você deve ter percebido, Bond não é mais o amante de outros tempos. Nosso herói está cansado, globalizado e infantilizado. Não arrisca nada além do papai-e-mamãe e por isso nem sacode o cabelo de suas namoradas, não beija o pescoço, não faz carinho nas orelhas... É a idade. Ou a preocupação com a censura. O fato de Bond "apenas" deslocar o ombro é normal na série. Entretanto, se eu fosse o roteirista, teria radicalizado: manter o braço de Bond engessado todo o filme. Já pensou nas várias piadas possíveis? Quanto ao caninho salvador da destruição, não achei nada de inverossímil na ação. Aliás, aquele caninho é bastante sem graça. O bom foi a volta que 007 tem que fazer, por fora do submarino, enquanto a doutora luta para abrir as comportas. Esta ação poderia render muito mais. E até mais.

007 - O Mundo Não é o Bastante (007 - The World is not Enough, EUA 1999). De Michael Apted

Carlos Gerbase é jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista e diretor. Já escreveu duas novelas para o ZAZ (A gente ainda nem começou e "Fausto"). Atualmente finaliza seu terceiro longa-metragem, Tolerância, com Maitê Proença e Roberto Bomtempo.

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