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007 - O Mundo Não é o Bastante
RAPIDINHO
O filme de 007 ideal é aquele que tem um único diálogo - "Meu nome é Bond, James Bond" -, dito por Sean Connery, muita ação e muitas mulheres bonitas. Ninguém vai ver um filme de 007 esperando mais do que isso. Nesta incursão de Michael Apted pelo mundo do agente britânico, há ação suficiente e as mulheres são razoáveis, mas, infelizmente, Pierce Brosnan está muito longe de Connery, os diálogos são muito longos e muito confusos. Ora, o vilão sempre quer destruir o mundo (ou parte dele) e transar com a garota. Pra quê complicar as coisas?
AGORA COM MAIS CALMA
Apted pecou por excesso. Quis fazer um filme de 007 com roteiro sofisticado, em que a heroína não é bem heroína, em que o vilão é um sofredor, etc. Tudo funciona bem enquanto a ação está em primeiro plano, mas, quando a trama tenta se estabelecer, fica parecendo um filme de Austin Powers. Sophie Marceau, a seqüestrada, sempre com vestidos esvoaçantes, está limitada e chata como sempre. Robert Carlyle, excelente ator, tenta passar algum peso dramático para seu personagem, mas não consegue fazer milagres com um roteiro tão infeliz. Judi Dench, que arrasou em alguns minutos de Shakespeare Apaixonado, aqui tem muito mais tempo, mas parece uma velha coroca metida no que não devia. O que não acontece com Desmond Llewelyn, que encerrou com chave de ouro seu personagem "Q" (ele morreu pouco da estréia do filme, com 85 anos, num acidente de carro) e passou o bastão para John Cleese.
As bondetes estão muito frias para o meu gosto. Denise Richards, com aquele narizinho arrebitado, não engana como física nuclear nem em sessão no jardim de infância. Que saudade de Ursula Andrews! E, independente dos atributos físicos das outras atrizes, o que falta mesmo é algum erotismo na história. Que saudades dos roteiros que se baseavam nos livros de Ian Fleming, o criador de 007. Naqueles tempos, Bond usava seu charme para obter informações, penetrar nas linhas inimigas e alcançar seus objetivos, enquanto traçava a bondete mais próxima. Agora, usa seu charme para fazer merchandisings variados.
Este 007 só justifica sua presença nos cinemas porque é uma das únicas opções disponíveis. Pierce Brosnsn ainda está mais em forma que Renato Aragão. E a Xuxa, eterna Peter Pan tentando ser criança, bem que merecia um vilão carismático e tremendamente malvado para ensiná-la a reconhecer algumas coisas importantes da vida. Mas algumas seqüências de ação de O Mundo Não é o Bastante valem o ingresso, assim como os créditos com a canção-tema, executada pelo Garbage. Aliás, bem que Apted poderia ter usado Shirley Manson, a cantora do Garbage, como bondete. O filme ficaria muito, mas MUITO mais quente.
007 - O Mundo Não é o Bastante (007 - The World is not Enough, EUA 1999). De Michael Apted
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Carlos
Gerbase é
jornalista e trabalha na área audiovisual, como roteirista e diretor.
Já escreveu duas novelas para o ZAZ (A
gente ainda nem começou e "Fausto"). Atualmente
finaliza seu terceiro longa-metragem, Tolerância, com Maitê Proença e Roberto Bomtempo.
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