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Por que o correto é falar dengue grave e não dengue hemorrágica?

A dengue grave pode provocar hemorragia, mas este não é o único sintoma e, às vezes, pode nem acontecer. Por isso, o termo dengue hemorrágica está em desuso

21 fev 2024 - 19h06
(atualizado em 22/2/2024 às 13h16)
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Você provavelmente já escutou falar sobre dengue hemorrágica, mas, apesar da popularidade, o termo não é o mais correto para se referir a forma mais grave da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. O certo é usar dengue grave, como orienta a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Foto: Freepik / Canaltech

A expressão dengue hemorrágica caiu em desuso, porque a hemorragia não é o único e nem o principal sintoma da dengue grave. Na verdade, alguns pacientes com esta forma da doença podem nem apresentar essa complicações. Isso acaba confundindo as pessoas na hora de buscar ajuda médica, o que pode atrasar o diagnóstico correto.

No caso da dengue "comum" ou da dengue grave, o diagnóstico precoce é fundamental para evitar as complicações, reduzindo o risco de morte. Entre as primeiras recomendações, está a necessidade de tomar água, ou seja, manter o corpo hidratado. Outras prescrições devem ser feitas pelo médico que acompanha o caso, dependendo da gravidade.

Dengue hemorrágica ou dengue grave? 

Olhando para a história desta arbovirose transmitida por mosquitos, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) lembra que, na década de 1970, a doença era conhecida como febre da dengue (FD) e febre hemorrágica da dengue (FHD). 

No entanto, o nome foi se adaptando ao longo dos anos. O fim do uso formal da expressão dengue hemorrágica aconteceu em 2009, com a publicação de uma nova diretriz da OMS. A partir disso, passou-se a usar nos documentos oficiais da organização as expressões dengue e dengue grave. Em paralelo, a comunidade médica também se adaptou, embora a expressão antiga, dengue hemorrágica, ainda seja bastante popular.

Como hemorragia não é o único sintoma da dengue grave, é impreciso usar a expressão dengue hemorrágica (Imagem: Allinonemovie/Pixabay)
Como hemorragia não é o único sintoma da dengue grave, é impreciso usar a expressão dengue hemorrágica (Imagem: Allinonemovie/Pixabay)
Foto: Canaltech

Em nota técnica, a SBIm explica que "a nova classificação tem se mostrado mais fiel à evolução clínica dos pacientes e facilita o gerenciamento de casos, com a inclusão de sinais de alerta como critérios diagnósticos para casos prováveis e potencialmente graves de dengue, orientando melhor o monitoramento dos pacientes". Afinal, a hemorragia deixou de ser considerada o único sinal de alerta para o agravamento da dengue.

O que é dengue grave?

A dengue grave pode ser causada por qualquer um dos quatro sorotipos do vírus da dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), e é mais comum quando a pessoa já contraiu anteriormente outro sorotipo do patógeno.

Nos primeiros dias, tanto o quadro de dengue quanto de dengue grave são semelhantes. "Os sintomas graves da dengue geralmente surgem depois que a febre passa", explica a OMS. 

Se a infecção evoluir para a forma grave, o paciente com dengue grave pode apresentar alguns dos seguintes sintomas:

  • Dor abdominal;
  • Vômito;
  • Mudanças no ritmo de respiração, ficando mais rápida que o normal; 
  • Sangramento nas gengivas ou nariz;
  • Fadiga e fraqueza;
  • Inquietação;
  • Sangue no vômito ou nas fezes;
  • Muita sede;
  • Pele pálida e/ou fria.

Com esses sintomas, a orientação é que o indivíduo busque imediatamente atendimento médico. Se a situação piorar, o quadro pode evoluir para: 

  • Quadro de hipotensão severa (pressão baixa);
  • Insuficiência respiratória por acúmulo de líquido; 
  • Hemorragia grave; 
  • Disfunção ou falência de órgãos, como do fígado ou do coração;
  • Alterações neurológicas, como a perda da consciência.

Como é possível observar, os sangramentos e as hemorragias são sintomas que podem ser encontrados em pacientes com dengue grave, mas não são obrigatórios. Alguns indivíduos podem ter a saúde gravemente comprometida, sem apresentá-los. Por isso, dengue hemorrágica não é a melhor forma de se referir a essa condição.

Fonte: OMS e SBIm  

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