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Pesquisa identifica proteínas no sangue que preveem sintomas de ELA

Estudo analisou mais de 5 mil proteínas e criou painel preditivo com margem de erro de 18 meses

28 jul 2026 - 15h13
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Resumo
Cientistas identificaram 19 proteínas no sangue que podem prever sintomas de ELA com até cinco anos de antecedência, possibilitando intervenções preventivas e avanços em tratamentos como o Tofersen.

Cientistas da Universidade de Miami, com apoio dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), identificaram um painel de 19 proteínas no sangue capazes de prever o surgimento dos sintomas da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) com até cinco anos de antecedência. Essa descoberta, publicada na revista Nature Medicine, oferece uma janela de tempo crucial para intervenções preventivas, antes que a doença cause danos irreversíveis aos neurônios motores.

Foto: Imagem: gerada por IA / Portal Terra / TerrAI

Como o estudo foi realizado

Os pesquisadores acompanharam pessoas com alto risco genético para a doença por quase 20 anos por meio do estudo Pre-symptomatic Familial ALS (Pre-fALS). A equipe aplicou um método de análise de proteínas chamado Olink em amostras de plasma de 137 participantes. Desse grupo, 33 desenvolveram manifestações clínicas de ELA ou demência frontotemporal.

A partir da coleta de dados de mais de 5.000 proteínas, os cientistas identificaram 92 que apresentavam níveis diferentes antes do aparecimento dos sintomas. Com o uso de técnicas de aprendizado de máquina, o grupo chegou ao painel final de 19 proteínas, que inclui a cadeia leve do neurofilamento (NfL).

Precisão e validação

O modelo preditivo consegue estimar o tempo até o início dos sintomas com um erro médio de cerca de 18 meses. Os resultados também foram validados com dados do UK Biobank, o que indica que a descoberta possui relevância para a população em geral, além daqueles com predisposição genética.

Segundo Michael Benatar, professor de neurologia da Universidade de Miami e autor sênior do estudo, a descoberta permite fornecer uma estimativa de tempo razoável para pacientes portadores de variantes genéticas associadas à ELA, algo que antes apresentava grande dificuldade clínica.

Tratamento preventivo

A capacidade de prever a doença impulsiona testes de tratamentos preventivos. O medicamento Tofersen, já aprovado para ELA sintomática, passa por avaliação no ensaio clínico ATLAS, desenvolvido em parceria com a empresa Biogen. O objetivo é testar se o início do tratamento antes do surgimento dos sintomas evita ou atrasa o desenvolvimento da doença.

Estadão
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