Nem petróleo nem gás: se uma guerra total eclodir entre os EUA e o Irã, a arma definitiva serão as usinas de dessalinização
Todos estão de olho no Estreito de Ormuz, temendo uma crise energética, mas a verdadeira vulnerabilidade da região é biológica: 100 milhões de pessoas dependem de uma tecnologia que o Irã já tem em sua mira. A Arábia Saudita gastou bilhões em defesa aérea, mas seu calcanhar de Aquiles é uma rede de estações de tratamento de água impossível de proteger de drones de 20 mil dólares.
O mundo inteiro prende a respiração, olhando fixamente para o mesmo ponto no mapa: o Estreito de Ormuz. Com os mercados tremendo diante da perspectiva de o petróleo ultrapassar a barreira dos 100 dólares por barril e as exportações de gás natural liquefeito (GNL) praticamente paralisadas, a narrativa global enquadrou esse conflito como uma crise puramente energética. Mas a realidade é muito mais primitiva e aterradora.
Como alerta o analista Javier Blas em um relatório convincente para a Bloomberg, a verdadeira ameaça na escalada militar entre a coalizão liderada pelos EUA e por Israel contra o Irã não reside nos poços de petróleo, mas na sede. O petróleo, destaca Blas, é essencial para a economia global, mas a água é simplesmente insubstituível. Se uma guerra total eclodir, a arma definitiva não será a energia, mas a sobrevivência biológica.
Essa vulnerabilidade não é segredo. Como o próprio analista revela, a CIA dos EUA vem alertando os formuladores de políticas sobre essa questão há décadas. Em uma avaliação secreta do início dos anos 1980 — agora desclassificada — a agência de inteligência deixou claro que a verdadeira "mercadoria estratégica" do Oriente Médio não é o petróleo, mas a água potável.
Incapaz de se envolver em um confronto direto e simétrico com a máquina de guerra combinada dos Estados Unidos e de Israel, o Irã adotou uma estratégia de sobrevivência baseada em ataques a alvos conhecidos no jargão militar como "alvos ...
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