Não limpavam o pó, mas o despachavam: como funcionários da limpeza de aeroporto brasileiro enviavam cocaína para o exterior
Operação da Polícia Federal revela esquema que transformava salas VIP do Aeroporto de Guarulhos em pontos estratégicos do tráfico internacional de drogas
Em eventos quase cinematográficos e profundamente perturbadores, um dos aeroportos mais vigiados da América Latina serviu de atalho silencioso para o tráfico internacional de drogas. Não por falhas tecnológicas ou brechas no raio-x, mas pelo uso calculado de algo muito mais banal: o uniforme de funcionários da limpeza.
Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou a operação Heavy Cleaning, que mira uma rede criminosa instalada dentro do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Segundo as investigações, o grupo se aproveitava do acesso privilegiado de trabalhadores responsáveis pela limpeza de salas VIP para esconder e movimentar cocaína em áreas internas do terminal, com destino ao exterior. O nome da operação não poderia ser mais irônico — ou preciso.
Guarulhos abriga mais de 20 salas VIP, ambientes que simbolizam conforto, exclusividade e, sobretudo, uma sensação de segurança reforçada. É justamente aí que acontecia o crime: enquanto passageiros aguardavam seus voos em poltronas confortáveis, o tráfico operava nos bastidores, longe dos holofotes e da desconfiança imediata. A PF não informou quais salas eram utilizadas, mas confirmou que o acesso a áreas sensíveis do aeroporto era peça-chave do esquema.
Ao todo, foram cumpridos dez mandados de prisão e dez de busca e apreensão na região de Guarulhos. Celulares e outros materiais foram apreendidos e foram enviados para a perícia criminal federal, que deve aprofundar o mapeamento da organização e de possíveis ramificações ...
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