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Não é sobre poderes: o que cada herói da Liga da Justiça representa?

Cada membro da Liga da Justiça tem uma qualidade extraordinária orientada à, claro, justiça; e todos se complementam

21 mai 2024 - 00h00
(atualizado às 02h51)
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Se você perguntar para a sua mãe, ela vai te dizer: "A mãe precisa de cada um de seus filhos". Cada um é diferente, tem limitações e qualidades distintas; não há comparação, nem "certo ou errado", apenas pessoas que muitas vezes resistem ou não conseguem lidar com personalidades tão discrepantes a ponto de esquecer que juntas elas se complementam. Isso define a Liga da Justiça.

Foto: DC Comics / Canaltech

A DC Comics tem como maiores características a imponência divina de seus ícones, com uma postura semelhante à dos clássicos greco-romanos. Quadrinhos de super-heróis são mitologia moderna, então, é normal que muitos deuses antigos tenham inspirado os personagens atuais, de maneira direta ou inconsciente.

Seria um equívoco dizer que a Liga da Justiça seria o equivalente ao panteão olímpico, principalmente porque cada herói foi criado separadamente, e em momentos distintos, por autores que sequer se conheciam. Ou seja, não foi planejada para se encontrar desde o início.

Ainda assim, é possível traçar um razoável paralelo entre referências do passado e os heróis da Liga da Justiça. Assim fica mais fácil de compreender qual o papel de cada herói e o que eles realmente representam.

Liga da Justice representa várias maneiras com que se faz justiça a partir de diferentes ideais (Imagem: Reprodução/DC Comics)
Liga da Justice representa várias maneiras com que se faz justiça a partir de diferentes ideais (Imagem: Reprodução/DC Comics)
Foto: Canaltech

O escritor Grant Morrison gosta de fazer essa ponte, e sua caracterização para a Liga da Justiça foi baseada no panteão olímpico, de forma que a humanidade é observada de cima do Monte Olimpo e adora seus deuses na mesma intensidade que teme-os.

E foi o próprio Morrison que conectou a força e o poder de Zeus ao Superman, a escuridão e ardil de Hades ao Batman, a sabedoria e o ímpeto combativo de Atena à Mulher-Maravilha, a velocidade do mensageiro Hermes com Flash, a luz de Apolo ao Lanterna Verde e o mundo aquático de Poseidon a Aquaman.

Contudo, a Liga da Justiça é muito mais do que isso, principalmente quando olhamos muito além dos poderes — que, na verdade, são interessantes e divertidos de serem vistos, mas nenhum dos heróis vence exatamente por conta de suas habilidades físicas. Não é sobre poderes.

Superman

Imagem: Reprodução/DC Comics
Imagem: Reprodução/DC Comics
Foto: Canaltech

Em Grandes Astros: Superman, o Homem de Aço mostra mais uma vez que seu maior poder é sua humanidade. Ao encontrar logo no início da história uma suicida em potencial na beirada de um arranha-céu, Clark Kent, em vez de pegar a menina há força e levá-la para o solo em segurança, decide apenas bater um papo tranquilo.

A garota fica menos tensa e controla sua ansiedade, sentando ao lado do Superman para contar suas dores. Ela diz que está muito preocupada de estar grávida sem o consentimento dos pais. Durante a conversa, Clark Kent dá a liberdade para que a moça vença seus conflitos internos, e não ele. Kal-El apenas a escuta, e, depois que ela verbaliza e compreende melhor seus problemas, desiste de saltar para a morte. Superman sorri e a conforta, dizendo que, desde o início da conversa, ela já havia constatado com sua visão de raio-x que ela não está esperando bebê algum.

O Homem de Aço inspira as pessoas com sua esperança. O próprio "S" do seu uniforme, na verdade, é o símbolo da Casa de El de Krypton, e quer dizer… "esperança". Kal-El é o "outsider supremo", pois ele nunca será um de nós. Mesmo assim, ele ama seu lar adotivo e faz de tudo para proteger um planeta que tem muitas ameaças, assim como possui milhões de bons corações. Foi isso que ele aprendeu com seus pais, e é isso que ele representa.

Batman

Bruce Wayne mostra em sua jornada inicial que o maior aprendizado é transformar sua sede de vingança em justiça. No filme mais recente, Batman, esperava ver mais da faceta detetivesca do herói que nunca realmente foi apresentado de forma ideal no cinema

Robert Pattinson ficou bom na pele do Homem-Morcego, mesmo com equipamentos baixa-renda e cacarecos comprados em lojinha de importados chineses — nunca vi um Batman tão pobre e com um carro que é tão sem graça que talvez a única tecnologia que ele apresente seja um CD player.

Imagem: Reprodução/DC Comics
Imagem: Reprodução/DC Comics
Foto: Canaltech

Por outro lado, é um Batman que representa a jornada para transformar sua vingança em justiça. O Homem-Morcego é o único que pensa como criminoso e age como bandido. Só ele consegue mergulhar no canto mais sombrio do ser humano e voltar à superfície sem se corromper.

No final do filme, o BatPattinson, na verdade, é derrotado. Ele só percebe tarde demais que o mais importante é salvar vidas, e não espancar as pessoas. Naquele momento podemos ver um autêntico "momento Batman", em que ele decide ser mais proativo na defesa dos inocentes e mais severo com os bandidos, brincando com medo deles — transformando vingança em justiça.

Mulher-Maravilha

Imagem: Reprodução/DC Comics
Imagem: Reprodução/DC Comics
Foto: Canaltech

Em Mulher-Maravilha: Terra Um, vemos uma homenagem ao conceito original de William Moulton Marston. Grant Morrison e Yanick Paquette reposicionam Diana de forma mais real e atualizada. A heroína nasceu em uma época muito conservadora, e, para sobreviver, sua imagem explorava os fetiches masculinos de submissão.

Correntes, braceletes, corda. Mas, na verdade, o subtexto deixava claro que era ela quem estava no controle. A Mulher-Maravilha é quem questiona as regras em busca da verdade, acima de tudo. Na HQ que citei, vemos como a sexualidade é natural em Themyscira, onde as mulheres se relacionam sem as amarras do patriarcado e do machismo.

As imagens criadas por Paquette são sempre sinuosas, e muitas vezes remetem ao formato do útero e das curvas femininas. Falando assim pode parecer obsceno ou inapropriado, mas, na verdade, é muito bonito porque não sexualiza os elementos.

A jornada de Diana é buscar sempre a verdade, enquanto tenta se ajustar em uma cultura que não a sua. E, claro, se for preciso descer a chinela, a Mulher-Maravilha tem as manhas de estalar o chicote, digo, Laço da Verdade.

Lanterna Verde

Em Lanterna Verde: A Guerra dos Aneis, os Lanternas Verdes estão em Coast City, que uma vez já foi completamente destruída pelo Ciborgue Superman — aliás, foi este evento que levou Hal Jordan à loucura no trajeto para se tornar o vilão Parallax nos anos 1990. Em dado momento, Hal pede para que todos deixem a cidade por conta do risco de enfrentar a Tropa Sinestro por lá.

Ninguém deixa a cidade e todos acendem alguma luz verde em suas residências, como se dissessem: "Não vamos embora, vamos lutar juntos". O Lanterna Verde representa a luz que nos ajuda a enfrentar nossos medos com muita força de vontade — Hal não é destemido, ele teme as mesmas coisas que todo mundo e as confronta.

Imagem: Reprodução/DC Comics
Imagem: Reprodução/DC Comics
Foto: Canaltech

Em certa história, Hal e seu tradicional desafeto, o Batman, ficaram isolados e o Lanterna Verde ficou tão abalado com a morte de uma amiga que, naquele momento, ele não tinha força de vontade suficiente para gerar sequer um construto de luz na forma de uma agulha.

O Homem-Morcego, especialista em medo, ajudou o Gladiador Esmeralda a recuperar sua determinação para que eles pudessem sair dali — sem a força de vontade, o Anel do Poder é apenas uma joia inútil.

Flash

Em Flashpoint, ou Ponto de Ignição, o Flash Barry Allen tenta salvar sua mãe da morte voltando para o passado e acaba alterando toda a realidade. Nesse contexto, o Batman não é Bruce Wayne, e sim Thomas Wayne, seu pai.

Imagem: Reprodução/DC Comics
Imagem: Reprodução/DC Comics
Foto: Canaltech

Antes de retornar à sua realidade, Thomas pede para que Barry entregue uma carta para Bruce, em que um pai preocupado expressa seu amor pelo filho e o aconselha a não se tornar o Homem-Morcego.

Flash é como Hermes, o mensageiro; e também representa a liberdade e a velocidade das mudanças, e de como é preciso pesar as consequências de seus atos. Em suas tramas, é comum vermos resultados catastróficos de decisões infelizes em outras Terras do Multiverso DC.

Tem muito mais

Por hoje paro por aqui, mas dá para fazer uma segunda rodada da DC com Aquaman, Shazam, Ciborgue, Caçador de Marte, Arqueiro Verde, Supergirl, entre outros.

E, claro, a próxima matéria de "Não é sobre poderes" será com o que os heróis mundanos da Marvel Comics realmente representam.

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