Esta família italiana resolveu viver apenas com painéis solares, água de poço e uma horta; parecia ótimo, até que o tribunal tirou seus filhos
A vida off-grid cresce na Europa, mas não está isenta de limites legais: escolarização, salubridade e permissões podem fazer a diferença
No alto de uma floresta em Abruzzo, na Itália, uma casa de pedra permanece agora em silêncio. Até poucas semanas atrás, aquele lugar era o refúgio autossuficiente de Nathan Trevallion, Catherine Birmingham e seus três filhos. Mas, há alguns dias, um juiz decidiu retirar as crianças devido à família viver desconectada da rede, sem escolarização e em um ambiente considerado insalubre.
A decisão desencadeou um incêndio político e social na Itália. O que, para a família, era um projeto de vida autossuficiente — painéis solares, água de poço, banheiro compostável, horta — se transformou em um caso judicial com enorme repercussão internacional.
A história, porém, vai além de uma decisão de um tribunal italiano. É o sintoma de algo maior: um movimento crescente na Europa de famílias e comunidades que buscam sair do sistema urbano, desconectar-se da rede elétrica e viver de forma autossuficiente. Até onde vai a liberdade de escolher esse estilo de vida? E onde começa a intervenção do governo, sobretudo quando há menores envolvidos?
O caso que dividiu a Itália
A família, de origem australiana e britânica, vivia desde 2021 em uma floresta em Palmoli. A casa era precária, mas, segundo eles, suficiente: eletricidade com painéis solares, água de poço e uma área de compostagem externa como banheiro. No outono de 2024, todos foram hospitalizados por intoxicação acidental por cogumelos. Esse episódio acionou o alerta dos serviços sociais. Segundo publicou o jornal Corriere della Sera, um ...
Matérias relacionadas
Cientistas brasileiros transformam castanha de caju em energia solar mais barata e eficiente