Cientistas testam minirobô com "patas" que monitora cérebros por dentro
Nova tecnologia pode ajudar pacientes com epilepsia e outras doenças neurológicas de forma menos invasiva
Um novo estudo publicado na Science Robotics na terça-feira (10) mostrou que pequenos robôs com tentáculos implantados no cérebro podem ajudar a tratar pessoas com epilepsia e outras doenças neurológicas.
O protótipo desenvolvido pelos cientistas tem seis "patas" que podem se estender até quatro centímetros de diâmetro e cada uma delas contém eletrodos para monitorar a atividade cerebral. Os sensores de tensão em cada uma das patas do robô informam quando as pernas estão totalmente estendidas, sem a necessidade de câmeras adicionais ou sensores externos.
Segundo os cientistas envolvidos no projeto, futuros modelos podem chegar a oito centímetros de extensão total.
O aparelho é inserido por meio de um pequeno orifício no crânio, sem a necessidade de procedimentos mais invasivos como a craniotomia, na qual um buraco do tamanho total do aparelho deve ser aberto no crânio do paciente de forma cirúrgica.
“Na verdade, existe uma área de superfície muito grande que você pode alcançar sem fazer uma grande craniotomia”, diz Stéphanie Lacour, do Instituto Federal Suíço de Tecnologia em Lausanne, que participa do estudo.
O desafio de entrar no cérebro
A técnica é desafiadora porque há muito pouco espaço entre o cérebro humano e o crânio, mas os pesquisadores projetaram tentáculos flexíveis que se expandem sem causar pressão adicional ao órgão.
O robô foi testado em um modelo de cérebro feito de plástico e hidrogel, e a equipe também demonstrou como poderia implantar uma única perna robótica reta, de 15 milímetros, no cérebro de um mini-porco.
Se obtiverem sucesso, a equipe planeja escalar o robô para testes em humanos através de uma startup chamada Neurosoft Bioelectronics.
Essa nova técnica pode tornar o processo de monitoramento do cérebro mais fácil e menos invasivo para pacientes com epilepsia e outras doenças neurológicas, além de reduzir o tempo gasto em cirurgias e o tempo de recuperação pós-operatória.
Após o monitoramento da atividade cerebral, as pernas do robô são desinfladas para que possam ser retiradas facilmente por um cirurgião.
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