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Salmão exposto à cocaína nada mais longe, mostra estudo

23 abr 2026 - 12h16
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Cientistas capturam cerca de cem salmões em lago na Suécia, os expõem à cocaína e benzoilecgonina e depois monitoram seus deslocamentos. Poluição crescente das águas é risco à biodiversidade, alertam.Salmões expostos à cocaína presente na água nadam distâncias maiores do que aqueles que não entram em contato com a droga, concluiu uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (20/04) por cientistas da Universidade Griffith, na Austrália, e da Universidade Sueca de Ciências Agrárias.

Eles analisaram como a droga afeta os movimentos do salmão-comum em seus habitats naturais. O estudo foi publicado na revista científica Current Biology.

O uso de cocaína está crescendo em todo o mundo. A ONU estima que cerca de 25 milhões de pessoas tenham usado o estimulante em 2023, e a droga tem sido encontrada com frequência cada vez maior em rios e outros cursos d'água, entrando em contato direito com animais como os peixes.

Os pesquisadores capturaram cerca de cem salmões no lago Vättern, na Suécia, e os expuseram tanto à cocaína quanto à benzoilecgonina - um metabólito produzido no fígado após o consumo da droga - e depois monitoraram seus deslocamentos.

O estudo mostrou que os peixes expostos à benzoilecgonina nadaram até 1,9 vezes mais longe por semana do que os não expostos e se dispersaram até 12,3 quilômetros a mais por todo o lago.

"Qualquer mudança não natural no comportamento animal é preocupante", disse à emissora ABC o coautor do estudo Marcus Michelangeli, do Instituto Australiano de Rios da Universidade Griffith.

"Estamos encontrando concentrações cada vez maiores não apenas de drogas ilícitas, mas de todo tipo de medicamentos em nossos cursos d'água."

Risco para a biodiversidade

Os pesquisadores alertaram que a poluição das águas por medicamentos de uso comum representa "um risco grande e crescente para a biodiversidade".

O professor associado Michael Bertram, da Universidade Sueca de Ciências Agrárias, afirmou que o estudo demonstra a necessidade de melhorar o tratamento e o monitoramento do esgoto.

"Nosso estudo mostra que as drogas não são apenas um problema social, mas também um desafio ambiental concreto", afirmou.

Em 2025, um estudo publicado na revista Science revelou que um medicamento comum para tratar ansiedade e que vem poluindo os cursos d'água está influenciando o comportamento migratório do salmão selvagem do Atlântico. O peixe daquela região se tornou menos avesso a riscos quando exposto ao medicamento psicoativo clobazam, o que teria mudado a forma como os peixes migram.

Outro estudo, divulgado no mês passado, mostrou que os tubarões nas Bahamas estão expostos a substâncias como cafeína, analgésicos e cocaína.

"Embora a detecção de cocaína - uma substância ilícita - tenda a chamar a atenção imediatamente, a presença generalizada de cafeína e produtos farmacêuticos no sangue de muitos tubarões analisados é igualmente alarmante", disse a autora principal, Natascha Wosnick, à emissora americana CBS News. "Essas são substâncias legais, consumidas rotineiramente e muitas vezes ignoradas, mas seu impacto ambiental é claramente detectável."

Em 2024, tubarões no litoral do Rio de Janeiro testaram positivo para cocaína, divulgou a Fundação Oswaldo Cruz. Entre as hipóteses para explicar o fenômeno estão a de que a cocaína estaria chegando à água através de laboratórios ilegais usados para fabricar a droga ou através das fezes de usuários de drogas. Além disso, outra hipótese, menos provável, atribui isso a pacotes com cocaína perdidos ou jogados por traficantes no mar.

No estudo atual, as hipóteses para a contaminação dos peixes são semelhantes. Não se trata do descarte direto nas águas, mas da eliminação parcial pelo corpo , que chega aos esgotos e acaba nos rios e lagos.

le/as (AFP, Efe, ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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