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Quase tudo o que sabíamos sobre a evolução das aves estava errado

Por causa de um fragmento congelado de DNA, a ciência enxergou a evolução das aves de um modo "incorreto", após a extinção dos dinossauros há milhões de anos

2 abr 2024 - 14h00
(atualizado às 18h54)
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A ciência sabe que os pássaros modernos são descendentes de um pequeno grupo de dinossauros, os terópodes, que conseguiu escapar da extinção após a queda do meteoro, bem diferente do que aconteceu com o Tyrannosaurus rex há 65 milhões de anos. No entanto, o resto da história de como as aves evoluíram precisa ser revisto, já que nem tudo era como se pensava anteriormente.

Foto: Sharisse Bullock/Unsplash / Canaltech

Após revisar dados genéticos, uma equipe internacional de pesquisadores, incluindo membros da Universidade da Califórnia, descobriu que a forma como os pássaros eram divididos através da árvore filogenética precisa ser revista. O culpado é uma porção de "DNA congelado", que foi transmitida de forma idêntica, para algumas aves ao longo de muitos anos, confundindo os resultados das análises.

A modificação na forma como as aves são classificadas, superando o dilema dessa porção de DNA congelado, foi apresentado em dois estudos científicos recém-divulgados nas revistas Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas) e Nature.

O problema na classificação das aves

"Meu laboratório vem investigando esse problema da evolução das aves há mais tempo do que eu gostaria", afirma Edward Braun, professor de biologia na Universidade da Flórida e autor sênior do estudo publicado na revista Pnas, em nota. "Não tínhamos ideia de que uma grande parte do genoma se comportaria de maneira incomum. Nós meio que 'tropeçamos'" nessa questão, acrescenta.

Com base nesse fragmento de DNA que representa apenas 2% do genoma das aves, os pássaros do clado Neoaves foram agrupados, por muitos anos, em duas categorias principais: Passerera e Columbea. A partir da revisão dos dados sobre o genoma, a proposta é dividi-las em quatro grupos: Mirandornithes, Columbimorphae, Otidimorphae e outros.

Para trazer essa discussão para um exemplo mais conhecido, no modelo antigo de divisão, os flamingos (Mirandornithes) e as pombas (Columbimorphae) eram mais próximos na linhagem evolutiva, já que pertenciam ao grande grupo do Columbea. Agora, estão mais distantes, com linhagens que se divergem há mais tempo. 

A seguir, confira o antes e o depois da árvore filogenética proposta pelos cientistas:

Cientistas propõem nova forma de analisar a evolução das aves, após a extinção dos dinossauros (Imagem: Edward Braun/Universidade da Flórida)
Cientistas propõem nova forma de analisar a evolução das aves, após a extinção dos dinossauros (Imagem: Edward Braun/Universidade da Flórida)
Foto: Canaltech

Como ocorreu o "erro" de DNA?

Para entender qual era a pedra no sapato dos biólogos no entendimento da evolução das aves, é preciso compreender como os genes são transmitidos de geração para geração. Tanto em humanos quanto nas aves, o filho nasce a partir de uma combinação entre os genes do pai e da mãe.

Como forma de garantir que os irmãos não tenham o mesmo DNA, independente da espécie, os genes do pai são embaralhados para formar um espermatozoide mais original.  O mesmo ocorre com as mães e os óvulos. 

No entanto, a parte conhecida como DNA congelado simplesmente escapou desse processo e, por milhões de anos, foi transmitida de forma idêntica para os descendentes. Isso ocorre desde a época da extinção dos dinossauros com o impacto do asteroide. Ainda não há uma causa conhecida para a origem do problema.

Por causa da anomalia genômica, os flamingos e os pombos se pareciam muito mais entre si do que com as outras aves. No entanto, essa semelhança se limita a 2% do genoma. Fora essa parte, são inegavelmente diferentes — há mais diferenças do que semelhanças, como compreendem os pesquisadores hoje. 

"O que é surpreendente é que este período de recombinação [de genes] suprimida pode induzir ao erro na análise", afirma Braun. "Acredito que existem [mais] casos como este para outras espécies que simplesmente não são conhecidas no momento", completa.

Fonte: Pnas, Nature e Universidade ds Flórida (EurekAlert)    

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