Karl Deisseroth, neurocientista ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 2026: "Não há bisturi mais preciso do que uma palavra ou uma frase bem construída"
Entre a psiquiatria e a neurociência, Karl Deisseroth construiu uma trajetória marcada pela tentativa de entender como pensamentos, emoções e neurônios se conectam
O neurocientista e psiquiatra Karl Deisseroth venceu o Nobel de Medicina de 2026, com Peter Hegemann e Georg Nagel, pelo desenvolvimento da optogenética, técnica que controla neurônios com luz e revolucionou o estudo dos circuitos cerebrais. Apesar da inovação tecnológica de seu laboratório em Stanford, Deisseroth alia a pesquisa à psiquiatria clínica, defendendo que palavras bem construídas funcionam como bisturis precisos para acessar e compreender a mente humana de seus pacientes.
O neurocientista e psiquiatra Karl Deisseroth recebeu nesta segunda-feira (5/7) o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026, dividido com os alemães Peter Hegemann e Georg Nagel. Os três foram reconhecidos pelas descobertas que levaram ao desenvolvimento da optogenética, técnica que permite ativar ou silenciar neurônios específicos usando luz.
O método transformou a forma como cientistas estudam circuitos cerebrais ligados a memórias, emoções e comportamentos e hoje é conhecida e utilizada em milhares de laboratórios. Mas, para Karl, entender o cérebro não começa necessariamente com equipamentos sofisticados: em seu trabalho como psiquiatra, ele considera que uma palavra bem escolhida pode ser uma das ferramentas mais precisas para compreender o que acontece na mente de um paciente.
Karl encontrou nas palavras uma ferramenta para entender a mente
A relação de Karl Deisseroth com a psiquiatria ajuda a entender a frase que resume sua maneira de enxergar o cérebro: "Não há bisturi mais preciso do que uma palavra ou uma frase bem construída." Além de comandar um laboratório em Stanford, ele atende pacientes com condições como depressão resistente ao tratamento e transtornos do espectro autista. Na prática clínica, além de observar o que os pacientes dizem, Karl também observa a forma como encontram palavras para descrever o que sentem.
Nesse ambiente, nenhum microscópio é capaz de mostrar diretamente tudo o que está acontecendo na mente de uma pessoa. O ponto inicial ...
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