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Saiba como observar a maior mancha solar dos últimos anos

A mancha solar AR3590 é a maior já formada na superfície do Sol durante o atual ciclo de 11 anos, produzindo também a maior explosão registrada desde 2017

28 fev 2024 - 00h00
(atualizado às 13h27)
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A mancha solar AR3590 é a atual recordista no atual ciclo de 11 anos de atividade do Sol: além de ser a maior até o momento, também produziu a explosão solar mais poderosa dos últimos 7 anos. De fato, é tão grande que pode ser vista a olho nu — mas sempre com a proteção adequada; confira abaixo como observar o Sol sem prejudicar os olhos.

Foto: NASA/SDO/AIA / Canaltech

Surgindo no lado oeste do Sol no dia 18 de fevereiro, a mancha já tinha proporções incomuns, aumentando ainda mais entre os dias 24 e 26. Falta um bom trecho de seu percurso antes de desaparecer no lado direito do disco solar, então ainda é possível acompanhar sua evolução por mais alguns dias.

Apesar de nos referirmos a ela como "mancha", a região AR3590 é um grupo de várias manchas formadas por algo conhecido como região ativa (daí as letras AR da nomenclatura dessas estruturas). As regiões ativas são locais onde os campos magnéticos do Sol se tornam mais complexos.

Em 22 de fevereiro, a região cresceu cerca de 25%, tornando-se finalmente a maior do atual ciclo solar (ciclo 25). Na mesma data, a mancha emitiu uma erupção solar de classe X8.2, a mais intensa desde 2017. Além disso, a mesma região produziu série de outras explosões de classes X1.8 e X1.7 (todas as classificações de letra X são consideradas fortes).

A mancha atingiu cerca de 60% do tamanho da mancha solar responsável pelo Evento Carrington em 1859 — a maior já registrada pela humanidade. Naquele ano, uma tempestade geomagnética decorrente de uma erupção na mancha solar resultou em sérios problemas para os operadores de telégrafo.

Felizmente, apesar de grande, a mancha AR3590 não produziu nenhum tipo de ameaça ao nosso planeta. Na verdade, nem mesmo a maior explosão do ciclo atual causou qualquer problema para nossa atmosfera, como os apagões de rádio que eventos como este costumam causar.

Outro detalhe curioso sobre o Sol nesta semana é o alinhamento incomum de manchas na vertical, em contraste com o padrão de alinhamento horizontal que sempre se forma. Pode ser que essa peculiaridade não signifique nada, mas também pode ser que algo diferente está acontecendo no dínamo magnético interno do Sol.

Em destaque está a mancha solar AR3590, a maior do ciclo até agora, e o conjunto de quatro manchas alinhadas verticalmente (Imagem: Reprodução/Daniele Cavalcante)
Em destaque está a mancha solar AR3590, a maior do ciclo até agora, e o conjunto de quatro manchas alinhadas verticalmente (Imagem: Reprodução/Daniele Cavalcante)
Foto: Canaltech

Seja como for, os cientistas de clima espacial estão atentos ao que está acontecendo em ambos os lados do disco solar. As próximas semanas e meses podem nos reservar algumas surpresas interessantes sobre as dinâmicas da atividade de nossa estrela.

Como observar a mancha solar

Segundo os especialistas, é possível enxergar a mancha solar a olho nu, ou seja, sem a ajuda de lentes de ampliação como binóculos ou telescópios (claro, se possuir um desses instrumentos será ainda melhor). Mas atenção: é indispensável o uso de proteção para os olhos; os raios solares podem cegar permanentemente.

Uma das opções é usar óculos especiais para eclipses, que têm filtros apropriados para a observação solar. É importante, no entanto, observar se eles possuem certificado ISO 12312-2. Outra solução é o vidro de máscara de soldador número 14 ou superior. Para instrumentos ópticos, a dica é utilizar filtros solares Baader ou Thousand Oaks.

Fonte: Space.com

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