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Por que astrônomos acharam que uma anã branca colidiria com o Sol?

Em 2022, cálculos diziam que uma anã branca colidiria com o Sol daqui a alguns milhares de anos. Agora, um estudo mostrou qual foi o erro: magnetismo

8 nov 2023 - 12h01
(atualizado às 16h55)
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Contrariando um estudo publicado em 2022, a anã branca WD 0810-353 não vai colidir com o Sol. A previsão de um impacto daqui a cerca de 29 mil anos foi feita por dois astrônomos que usaram imagens do telescópio Gaia, mas havia uma peça faltando que faz toda a diferença: o magnetismo.

Foto: NASA / Canaltech

Os dados do Gaia revelaram uma anã branca errante, isto é, viajando em uma órbita estranha diferente das demais estrelas que giram ao redor do centro galáctico. É como se fossem um barco remado contra a maré. Cientistas suspeitam que esses objetos foram ejetados por explosões de supernovas.

Ao calcular a órbita de WD 0810-353, os pesquisadores Vadim Bobylev e Anisa Bajkova descobriram que o objeto estava vindo em nossa direção, provavelmente rumo a uma colisão com o Sol. O problema é que os dados do Gaia ignoraram que o campo magnético dessa anã branca é bem maior do que o esperado.

Campos magnéticos são peças fundamentais para compreender as observações astronômicas, por isso é importante medi-lo com precisão. Cálculos de órbitas são feitos levando em conta a velocidade de um determinado objeto e isso é feito observando seu espectro de luz, mas seu campo magnético pode confundir os astrônomos.

Para calcular a velocidade de uma estrela ou de qualquer outro objeto luminoso muito distante vindo em nossa direção, os astrônomos observam cada comprimento de onda de sua luz. Se ele estiver realmente se aproximando, as cores do espectro visível estarão se deslocando ligeiramente para o azul (blueshift).

Exemplo de desvio para o vermelho e para o azul, um fenômeno conhecido como efeito Doppler (Imagem: Reprodução/NASA)
Exemplo de desvio para o vermelho e para o azul, um fenômeno conhecido como efeito Doppler (Imagem: Reprodução/NASA)
Foto: Canaltech

O estudo de 2022 observou exatamente esse fenômeno, mas os campos magnéticos também podem afetar o espectro da luz dos objetos luminosos, mudando as linhas espectrais para outros comprimentos de onda. Se os campos magnéticos não for corretamente medido, os espectros observados podem ser enganosos.

Felizmente, a equipe do novo estudo decidiu usar o Very Large Telescope (VLT), no norte do Chile, para obter uma imagem precisa dos espectros de WD 0810-353 e medir seu campo magnético. Para isso, eles observaram a luz polarizada (fótons orientados na mesma direção pela influência de um campo magnético) da anã branca.

Em seguida, eles modelaram o campo magnético da anã branca e descobriram que, de fato, o Gaia foi "enganado". Com os novos cálculos, a estrela errante pode nem mesmo passar perto do Sol.

A pesquisa foi publicada no Astrophysical Journal com o criativo título "Not So Fast, Not So Furious: Just Magnetic" (não tão rápido, não tão furiso: apenas magnético).

Fonte: The Astrophysical JournalESO

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