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É assim que a visão ajuda astronautas a se orientarem no espaço

Novo estudo mostra que os astronautas conseguem perceber com alta precisão o quão longe viajaram graças a uma habilidade

1 abr 2024 - 19h39
(atualizado em 2/4/2024 às 12h06)
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Os astronautas são excelentes em se orientarem no espaço e em avaliar a distância que viajaram mesmo sem gravidade como a da Terra. É o que descobriu um novo estudo da Universidade York, agência espacial do Canadá e NASA, trazendo implicações importantes para a segurança no espaço e entendimento dos sistemas responsáveis por nosso equilíbrio.

Foto: cookelma/Envato / Canaltech

Laurence Harris, autor que liderou o estudo, comentou que várias pesquisas já mostraram que a percepção da gravidade influencia a percepção ambiental do corpo humano. "A forma mais profunda de observar a influência da gravidade é tirando-a, e é por isso que levamos nossa pesquisa ao espaço", disse. 

Para o estudo, Harris e seus colegas estudaram 12 astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS). O laboratório orbita a Terra a cerca de 400 km, e por lá, ocorre a chamada microgravidade. Isso não significa que os astronautas experimentam gravidade zero na ISS — até porque isso não existe —, mas sim que a gravidade terrestre é cancelada pela força centrífuga gerada pela órbita da estação. 

Com a microgravidade, eles se deslocam pela ISS como se estivessem voando. Na Terra, percebemos mudanças de posição com a ajuda dos fluidos do sistema vestibular, que nos ajudam a entender a aceleração, inclinação e rotação com a ajuda da visão. É assim que sabemos o quão rápido e para onde nos deslocamos. 

Astronauta e bolha d'água flutuando na microgravidade da ISS(Imagem: Reprodução/NASA)
Astronauta e bolha d'água flutuando na microgravidade da ISS(Imagem: Reprodução/NASA)
Foto: Canaltech

Só que, na microgravidade, o sistema é confundido: os astronautas têm impacto menor nas pequenas partículas que iriam interagir com os fluidos do sistema dentro do ouvido. Por isso, eles podem ficar mais sensíveis visualmente como uma forma de compensar a falta de informações.

Para entender como este efeito se mostraria na percepção de distância viajada em uma simulação visual, os pesquisadores compararam a performance dos seis homens e mulheres antes, durante e depois das suas missões espaciais. Eles descobriram que a noção do quão longe viajaram permaneceu praticamente intacta. 

As descobertas são parecidas com as de outro estudo já feito por Harris, e são um resultado importante para situações de emergência no espaço, quando os tripulantes precisam agir rapidamente para encontrar escotilhas de escape ou equipamentos. "Foi 'muito reconfortante' descobrir que os astronautas podiam avaliar com bastante precisão a distância que haviam percorrido nos espaços virtuais depois de apenas alguns dias ou até meses em órbita", explicou ele.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista npj Microgravity.

Fonte: npj Microgravity; Via: York University

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