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Disco de poeira é visto pela 1ª vez em estrela fora da Via Láctea

Astrônomos descobriram um disco de poeira ao redor de uma estrela na Grande Nuvem de Magalhães. Esta é a 1ª vez em que a estrutura é vista fora da Via Láctea

29 nov 2023 - 15h01
(atualizado às 18h10)
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Uma estrela jovem, que faz parte da galáxia Grande Nuvem de Magalhães, se mostrou cercada por um disco de poeira. A descoberta surpreendeu astrônomos, pois esta foi a primeira vez em que uma estrutura, semelhante àquelas que formam planetas na Via Láctea, foi encontrada fora da nossa galáxia.

Foto: ESO/M. Kornmesser / Canaltech

O disco foi encontrado com observações do telescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile. Elas mostraram que a estrela está coletando matéria dos seus arredores para crescer, e enquanto isso, formou o disco em rotação, uma estrutura relacionada à sua própria formação.

No lado esquerdo, está a nuvem LHA 120-N 180B, na qual o sisterma HH 1177 foi observado; no centro, estão os jatos que o acompanham (Imagem: Reprodução/ESO/ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/A. McLeod et al.)
No lado esquerdo, está a nuvem LHA 120-N 180B, na qual o sisterma HH 1177 foi observado; no centro, estão os jatos que o acompanham (Imagem: Reprodução/ESO/ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/A. McLeod et al.)
Foto: Canaltech

As estrelas nascem no interior de nuvens moleculares interestelares a partir do colapso causado pela gravidade. A matéria que sobra do processo forma um disco giratório, que continua ao redor da estrela mesmo quando ela parar de acumular matéria. Depois, as partículas de gás e poeira nele se tornam ingredientes para formar planetas.

A detecção de uma estrutura do tipo veio após astrônomos identificarem um jato vindo de uma estrela jovem no sistema HH 1177, na Grande Nuvem de Magalhães. "Descobrimos o jato sendo lançado desta estrela nova e massiva, e sua presença é um sinal para a acreção no disco em andamento", disse Anna McLeod, autora que liderou o estudo.

A animação abaixo representa a rotação do disco:

Para confirmar que realmente havia um disco ali, os pesquisadores precisavam medir o movimento do gás ao redor da estrela. A matéria acumulada por ela é distribuída no disco que a cerca; quanto mais perto do centro, mais rápido o disco gira. Esta diferença de velocidade é um sinal importante da presença do disco.

Com as medidas altamente precisas obtidas pelo ALMA, os autores conseguiram determinar o giro característico do disco e confirmaram a detecção da estrutura. Como a galáxia tem poeira diferente daquela na Via Láctea, o sistema HH 1177 não está cercado por partículas, o que permite que os astrônomos observem livremente a formação planetária ali.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature.

Fonte: Nature; Via: ESO

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