Comer frutas à noite pode interferir no sono? Depende, dizem especialistas
Se não houver problemas digestivos, não deve ser um problema
A internet e as redes sociais são um terreno fértil para mitos nutricionais e o mais recente a ganhar força tem nome e sobrenome. Recentemente, declarações atribuídas ao cardiologista Aurelio Rojas sugerem que consumir frutas como banana, uvas, manga ou abacaxi à noite pode interferir diretamente em nosso descanso, fragmentar o sono e fazer com que acordemos exaustos. Mas a verdade é que as evidências disponíveis não concordam com essa informação.
O principal argumento para desaconselhar frutas tropicais ou mais doces à noite costuma se basear na resposta glicêmica. É verdade que nosso corpo não metaboliza os macronutrientes exatamente da mesma forma às oito da manhã e às dez da noite, e isso é algo bastante estudado, a ponto de ter até um nome próprio: crononutrição.
Uma meta-análise recente publicada no Journal of the American Nutrition Association abordou precisamente essa questão e seus resultados concluíram que, de fato, comer carboidratos à noite produz valores de glicose pós-prandial mais altos do que quando são consumidos pela manhã. No entanto, o estudo não encontrou diferenças claras na resposta da insulina.
Assim, o fato de uma banana ou algumas uvas elevarem ligeiramente nossa glicose à noite não demonstra, por si só, que elas vão piorar a qualidade do nosso sono.
Agora, um caso diferente é o extremo, como uma pessoa que se empanturra de fruta à noite — essa situação logicamente irá acarretar uma digestão pesada e um sono mais fragmentado. E aqui entra um dos ...
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