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As múmias mais antigas do mundo não são egípcias — conheça os Chinchorro

O povo Chinchorro, do Chile e Peru, já mumificava seus mortos há mais de 7 mil anos, em um processo bastante diferente do utilizado no Egito — e usado em todos

22 fev 2024 - 12h09
(atualizado às 13h51)
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É fácil, quando ouvimos a palavra "múmia", automaticamente pensar em Egito, bandagens e sarcófagos, dada a força cultural dos faraós e suas técnicas de preservação. O título de múmia mais antiga do mundo — mais antigas, até — não vai para os egípcios, mas, sim, para os chilenos, cujo povo indígena Chinchorro já mumificava seus mortos no Deserto do Atacama há 7.000 anos.

Foto: WeHaKa/CC-BY-4.0 / Canaltech

Essa população de caçadores-coletores altamente ligados ao mar foi a primeira a chegar no norte do Chile e sul do Peru, em 5450 a.C., aproximadamente. Após se assentarem, começou a prática de preservação dos mortos, criando cemitérios hoje considerados Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Uma das múmias de Chinchorro de Arica, onde ficam próximas do chão e são expostas facilmente (Imagem: Luis Lobos Rivadeneira/CC-BY-3.0)
Uma das múmias de Chinchorro de Arica, onde ficam próximas do chão e são expostas facilmente (Imagem: Luis Lobos Rivadeneira/CC-BY-3.0)
Foto: Canaltech

Enquanto os egípcios reservavam sua técnica de mumificação apenas para faraós e membros da elite, os Chinchorro realizavam o ritual em todos os mortos. O método também era bem diferente do egípcio.

Como os Chinchorro mumificavam seus mortos

No processo chileno, a pele e os órgãos do morto eram retirados, deixando as cavidades corporais secarem. A pele, então, era costurada de volta, às vezes sendo envolvida em materiais elaborados, como juncos, pele de leões marinhos e lã de alpaca.

Os rostos eram cobertos em argila, onde uma máscara com aberturas para os olhos e a boca era colocada. Por fim, era posicionada uma peruca feita de cabelo humano antes de enterrar a múmia no deserto, onde esperava-se que ficasse preservada para a eternidade.

A primeira múmia do tipo foi encontrada em 1917 pelo arqueólogo alemão Max Uhle, que achou vários corpos em uma praia. Estava claro que elas eram antigas, mas só descobriu-se terem mais de 7 mil anos com técnicas de datação por radiocarbono.

Centenas de outras múmias seguiram sendo encontradas no deserto nos cem anos seguintes, mas as populações de Arica, no norte do Chile, já sabiam de sua existência há muito tempo.

A escultura "Múmia Guardiã", em Caleta Camarones, no Chile, mostra como eram as máscaras e cobertura dos mortos tratados pelos Chinchorro (Imagem: Yastay/CC-BY-4.0)
A escultura "Múmia Guardiã", em Caleta Camarones, no Chile, mostra como eram as máscaras e cobertura dos mortos tratados pelos Chinchorro (Imagem: Yastay/CC-BY-4.0)
Foto: Canaltech

Na cidade, os corpos estão mais próximos da superfície, sendo mais fáceis de se descobrir. Os locais aprenderam a conviver com os mortos espalhados por seus vilarejos, os encarando como parte da herança cultural de seu povo e se sentindo responsáveis por seu cuidado.

Por conta das mudanças climáticas, alguns dos túmulos dos Chinchorro têm sido desenterrados por eventos climáticos anormais, expondo os corpos às intempéries.

Com museus sobrecarregados de múmias, os esforços de conservação têm se tornado complicados, impactando o trabalho dos arqueólogos. As mudanças climáticas prejudicam até mesmo os restos já guardados em museus — o aumento da umidade pode fazê-las mofar, outras, secar e apodrecer, ou ainda serem vítimas de insetos. 

A variedade de materiais usados para cobri-las faz com que cada uma precise de condições específicas para durar. Em 2002, um museu especialmente aclimatado foi construído próximo a Arica, destinado a guardar as múmias Chinchorro da região, na esperança de ajudar em sua conservação para a posteridade.

Fonte: IFLScience

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