Achávamos que a IA roubaria nossos empregos, até descobrirmos que ela já roubou os relacionamentos de 70% dos jovens americanos
Adolescentes transformam chatbots em amigos e confidentes, enquanto pesquisadores questionam os impactos emocionais e os incentivos econômicos por trás dessas relações
A Geração Z tem uma relação com a tecnologia diferente de qualquer outra anterior. São nativos digitais, isto é, cresceram cercados por smartphones, redes sociais e internet. Contudo, agora existe um novo elemento entrou nessa equação: a inteligência artificial. Uma pesquisa da Common Sense Media, divulgada em 2024, aponta que cerca de 70% dos adolescentes americanos já utilizam IA generativa, mas, em muitos casos, não é apenas para pesquisas.
Esses jovens conversam com chatbots como se fossem amigos, confidentes e até namorados. Criam rotinas de interação, compartilham sentimentos, pedem conselhos e buscam validação emocional. Como devolutiva, a IA responde de forma constante, personalizada e sempre disponível, sem atrasos, sem julgamentos e sem conflitos. O que acaba se estabelecendo ali é uma dinâmica de conforto, em que o algoritmo se adapta ao usuário e molda a conversa para manter o vínculo ativo.
O "relacionamento perfeito" entre jovens e a inteligência artificial
O ponto mais delicado dessa dinâmica é que a inteligência artificial cria uma experiência impossível no mundo real. Diferentemente de um amigo, parceiro ou familiar, o chatbot não impõe limites, não se cansa, não exige reciprocidade e dificilmente confronta. Ele espelha, valida e se adapta ao usuário. Essa complacência permanente pode parecer acolhedora, mas como consequência, elimina elementos centrais das relações humanas, como frustração, negociação e responsabilidade afetiva.
Especialistas da American ...
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