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44% das espécies migratórias estão em declínio, alerta ONU

Relatório mostrou que animais como aves, tartarugas marinhas, tubarões e outros enfrentam perigo de perda de habitat, caça e pesca ilegal

12 fev 2024 - 10h34
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Pássaro costeiro Red Knot, aves também estão ameaçadas
Pássaro costeiro Red Knot, aves também estão ameaçadas
Foto: AP Photo/Stephan Savoia, Arquivo

Um novo relatório das Nações Unidas divulgado nesta segunda-feira (12) revela um cenário preocupante: quase metade das espécies migratórias do mundo estão em declínio populacional.

Aves canoras, tartarugas marinhas, baleias, tubarões e outros animais que se deslocam para diferentes ambientes com a mudança das estações enfrentam perigos como perda de habitat, caça e pesca ilegal, poluição e alterações climáticas.

O documento, apresentado durante uma conferência da ONU sobre a vida selvagem em Samarcanda, no Uzbequistão, indica que cerca de 44% das cerca de 1.200 espécies monitoradas pela organização estão em declínio. Mais de um quinto deles, ou equivalente a 240 espécies, está ameaçado de extinção.

"Estas são espécies que se movem por todo o mundo, buscando alimento, reprodução e locais de descanso ao longo do caminho", explica Kelly Malsch, principal autora do relatório.

“A perda de habitat ou outras ameaças em qualquer ponto de sua viagem podem levar ao aumento das populações. ”

Stuart Pimm, ecologista da Universidade Duke, reforçou a importância da migração para a sobrevivência de diversas espécies. “Se você reduzir a migração, você vai matar a espécie”, afirma.

O relatório baseia-se em dados existentes, incluindo informações da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, que monitora o estado de ameaça das espécies.

Medidas de Conservação e Cooperação Internacional

Os participantes da reunião da ONU debateram propostas de medidas de conservação e a inclusão de novas espécies na lista de preocupações.

“Um país sozinho não pode salvar nenhuma dessas espécies”, afirma Susan Lieberman, vice-presidente de política internacional da Wildlife Conservation Society.

Segundo ela, é necessário um esforço global e cooperativo para proteger a migração e garantir a sobrevivência de determinadas espécies.

Um exemplo de ação conjunta vem da América do Sul, onde oito governos propõem a inclusão de duas espécies de bagres amazônicos em declínio na lista de espécies migratórias preocupantes do tratado da ONU.

A bacia do rio Amazonas, como destaca Lieberman, é crucial para a sobrevivência dos bagres e sua proteção é fundamental para a saúde da região.

Em 2022, na Conferência da ONU sobre Biodiversidade em Montreal, Canadá, os governos se comprometerão a proteger 30% dos recursos terrestres e hídricos do planeta para a conservação. O declínio das espécies migratórias reforça a urgência de ações concretas e eficazes para proteger a biodiversidade global.

Fonte: Redação Byte
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