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Obra de Omar é marcada pela discussão sobre suportes



Sem pretensão, Omar gosta de dizer que já usava o digital antes mesmo de a tecnologia ser inventada (ou desenvolvida).

Sua obra é toda marcada pela discussão sobre os suportes. Omar explode categorias e limites, cada projeto expande-se em várias direções. Como ele diz, "não sou eu que descubro a câmera, é a câmera que me descobre". Cada vez mais ele centraliza sua produção. Faz tudo. Registra as imagens, em foto ou vídeo, não importa, escaneia, edita e, antes disso, faz sozinho toda a preparação. "Quero inserir meu corpo no espaço dramático que trabalho", diz.

E acrescenta: "É uma atividade simultaneamente ditatorial e livre." Ele explica seu método de trabalho: "Dionísio, o Inatingível, como tudo que eu faço, nasceu de um desejo." Esse desejo percorre e ilumina áreas indefinidas, expande-se em todas as direções. É o que faz a riqueza e complexidade da produção artística e cultural de Omar. Tome-se, por exemplo, a proposta de Dionísio, o Inatingível. O filme retoma, atualiza e amplia a experiência de Triste Trópico, que causou forte impressão nos que o viram na 2ª Semana Brasil & Independentes. Foi uma revelação, mas Omar admite que sentiu certa tristeza por ter sido enquadrado na categoria dos dinossauros do evento. Seu filme foi programado no segmento memória, por seu valor histórico. Omar gostaria de estar num segmento mais vivo, até porque sabe que tem uma contribuição importante para dar quando se discute a nova tecnologia digital no País (e no mundo).

Para Dionísio, já gravou muitas horas de material. Misturam imagens do carnaval no Rio, dos morros cariocas com as da festa em Parintins. Foi lá que Omar chegou mais perto do êxtase absoluto que persegue com sua câmera.

Ficção e documentário, tudo se mistura, não há limites em Dionísio, que busca reproduzir na tela a experiência dionisíaca total que Omar, a se julgar pelo título, considera, no entanto, inatingível. Explica-se - quando ou se for atingida ela encerrará uma busca que o artista prefere manter perpétua, como moto-contínuo de sua obra. O filme, que ele antecipa como "uma experiência poética radical", terá a participação do ator Matheus Nachtergaele, mas Omar destaca que ainda estão em negociações. "Não assinamos um contrato formal", diz. Nachtergaele é um dos melhores atores do cinema e da TV do País, na atualidade, bastando citar seus papéis na minissérie O Auto da Compadecida, de Guel Arraes, e no filme O Primeiro Dia, de Walter Salles e Daniela Thomas. Com ele, Dionísio, o Inatingível tem chances de ficar melhor ainda.

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(O Estado de S. Paulo)

 

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