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Morre o ator italiano Vittorio Gassman


Vittorio Gassman:
"Eu fiz 150 peças
e 130 ou 140
filmes"

Vittorio Gassman, um dos maiores atores do cinema e teatro italianos, morreu hoje de infarto, aos 77 anos, em Roma. Grande da tragédia e da farsa, fabuloso ator capaz de interpretar todos os papéis, Gassman, nascido em 1º de setembro de 1922 em Gênova, era considerado na Itália como "O Ator" por excelência.

No cinema e no teatro, interpretou desde 1943 a mais ampla gama de papéis e trabalhou sob a direção dos maiores cineastas, de Dino Risi a Ettore Scola, passando por Mario Monicelli. Interpretava geralmente personagens machistas, cínicos, egoístas e fanfarrões. Mas podia fazer o oposto, mostrar-se com a mesma surpreendente naturalidade irônico, trágico, terno e cruel.

No início da década de 50, ele foi para Hollywood, onde participou de filmes como Bonita mas Perigosa e Guerra e Paz e casou-se com a atriz americana Shelley Winters. O casamento acabou em divórcio. No final da mesma década, iniciou uma nova fase em sua carreira. Descobriu seu talento cômico em clássicos do cinema italiano, como O Incrível Exército de Brancaleone (1959).

Sua carreira cinematográfica atingiu o auge com sua atuação como um cego em Perfume de Mulher (1975). Al Pacino estrelou um remake do filme feito por Hollywood. O amor de Gassman pelo teatro o levou de volta ao palco sempre que possível. Ele fundou uma companhia teatral mambembe e dirigiu uma escola de artes dramáticas.

Despediu-se do teatro em fevereiro do ano passado. Ao dizer adeus a seu público, declarou então no palco: "A morte não me apavora, me desagrada".

Em 1998, declamou alguns dos poemas do Papa João Paulo 2º em um CD beneficente. "O principal é amar aquilo que se diz e estar convencido do que se fala, pois se falta sinceridade nada se consegue", afirmou, na ocasião. Sua última aparição pública foi em um show ao lado do tenor Luciano Pavarotti.

"Eu não acredito, ele parecia imortal", disse a atriz Cláudia Cardinale, que contracenou com ele em 1958, no filme Os Eternos Desconhecidos (I Soliti Ignoti), de Mario Monicelli, uma das melhores interpretações de Gassman.

"Vittorio foi o teatro italiano, um artista extraordinário, e isso é uma grande e triste perda", disse a atriz. "Ele foi meu professor", afirmou a atriz Monica Vitti.

"Eu fiz 150 peças e 130 ou 140 filmes, 50 ou 60 dos quais, se não os tivesse feito, não teria tido importância e talvez fosse até melhor", disse o ator em uma entrevista à rede estatal de televisão italiana RAI, há quatro anos.

"Eu tenho grandes lembranças de 20 e tantas coisas, estou feliz", afirmou Gassman.

Em maio do ano passado, Vittorio Gassman recebeu um dos três Prêmios Molière franceses como homenagem pela carreira, em Paris (os outros dois foram para o o dramaturgo Arthur Miller e o ator Al Pacino, ambos americanos). Os Prêmios Molière são equivalentes ao César do cinema francês e ao Tony do teatro americano.

Em 1997, ele foi homenageado na Espanha com o Prêmio Príncipe de Astúrias das Artes, em reconhecimento a seu "talento criador" e pelo júri o considerá-lo "todo um modelo interpretativo."

Numa de suas despedidas, em 1998, ele declamou poemas de Pablo Neruda e J. R. Wilcock, em Palermo. E leu, como sempre fazia antes de um espetáculo, a definição que Albert Camus deu para o ofício do ator: "Um mentiroso feliz". (AFP)

 

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