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Gastronomia, dietas e veganismo: entenda as diferenças

Existe uma diferença entre gastronomia, dietas convencionais e veganismo, entenda:

28 nov 2023 - 12h09
(atualizado às 12h10)
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Foto: CanvaPro

De modo geral, o veganismo é confundido com dietas da moda e com a gastronomia. Dieta e gastronomia são duas coisas diferentes, e nenhuma delas representa o veganismo. A dieta, ou melhor, a alimentação, faz parte do veganismo, mas não é o veganismo.

Dieta é um regime alimentar, relacionado ao conjunto de alimentos ingeridos por uma pessoa que compõem o comportamento nutricional. A etimologia da palavra ‘dieta’ vem do latim (diaeta), que por sua vez, vem do grego (díaita), que significa ‘’modo de vida’’. Existem diversas dietas, como a hipercalórica, hiperglicídica, hiperproteica, entre outras.

Dietas para emagrecer, para ganhar peso, voltadas única e exclusivamente para o corpo, são antigas. Dietas geralmente têm um efeito a curto prazo, sendo muitas vezes forçadas, o que pode gerar angústia e frustração. 

O resultado é mais nocivo do que benéfico. Porque tudo que é feito contra a nossa vontade e de forma imposta tende a não funcionar.

Para entendermos o que é gastronomia, vamos na etimologia dessa palavra: gastronomia é a união de 'gaster', que significa estômago, e 'nómos', que quer dizer ''leis, que governam''. A gastronomia é atualmente o estudo das relações entre comida, cultura e sociedade.

Dito isso, podemos afirmar que, veganismo e gastronomia não são o mesmo. No entanto, para estudar e debater o consumo de alimentos de origem animal (veganismo) na nossa sociedade (cultura), o estudo da gastronomia é importante.

O veganismo é uma forma de se posicionar contra a exploração animal, e colocar em prática no dia a dia. Portanto, pessoas que se consideram veganas não utilizam nada de origem animal, como roupas com penas, pele e seda, bancos e móveis de couro, e alimentos com animais e derivados, como carnes, leite e ovos.

Por ser o setor que mais explora animais no mundo, a alimentação desempenha um papel crucial no movimento vegano. Mas mesmo assim, o movimento não é uma dieta.

Em contrapartida, o vegetarianismo sim é considerado apenas uma dieta, pois este fica somente no campo da alimentação. Uma pessoa vegetariana não se alimenta de pedaços de animais, mas utiliza outros produtos de origem animal, como leite, ovos, mel e derivados.

Se tornar vegano é o oposto de fazer uma dieta para gerar resultados para o próprio corpo. É claro que uma alimentação à base de vegetais, com baixo consumo de gorduras, sem colesterol, tende a trazer muitos benefícios. Mas esse não é o objetivo central do veganismo; todavia, é uma excelente consequência.

O veganismo é uma forma de viver, de se posicionar politicamente contra a crueldade e o sofrimento animal. Escolhemos o que queremos comer, beber e não agimos por impulso. Não estamos condicionados a consumir um determinado alimento, só porque é estimulado por múltiplas publicidades.

Deixar de consumir animais, e participar de atividades relacionadas à exploração animal por escolha, é um posicionamento político.

Portanto, o veganismo não é uma dieta, pois não se limita ao campo da nutrição e não tem um propósito nutricional e comportamental em relação à alimentação. 

E não é gastronomia, apesar de se apropriar dos conhecimentos desse campo, que aborda diversos assuntos fundamentais para debater mudanças de hábitos na sociedade relacionadas à alimentação.

Vegano Periférico Leonardo e Eduardo dos Santos são irmãos gêmeos, nascidos e criados na periferia de Campinas, interior de São Paulo. São midiativistas da Vegano Periférico, um movimento e coletivo que começou como uma conta do Instagram em outubro de 2017. Atuam pelos direitos humanos e direitos animais por meio da luta inclusiva e acessível, e nos seus canais de comunicação abordam temas como autonomia alimentar, reforma agrária, justiça social e meio ambiente.
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