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Travesti Patrícia encerra desfiles do Fashion Rio

16 jan 2009 - 13h32
(atualizado às 13h36)
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Esqueça Gisele Bündchen. Quem fecha em grande estilo, hoje, o Fashion Rio é uma modelo, no mínimo, diferente. Chama-se Patrícia Araújo, é carioca da Ilha do Governador e tem 25 anos. Ela é morena, alta, linda e é um travesti. A ousadia de chamá-la partiu do sempre inquieto estilista Beto Neves, da Complexo B, que homenageia a Lapa, tema também da 14ª semana de moda, com o desfile 'Encruzilhada Mista'.

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"Minha inspiração veio do filme dos anos 70, Rainha Diaba, de Antonio Carlos Fontoura. A trama é sobre a Lapa e seus personagens. Convidei Milton Gonçalves, protagonista do filme, para encarnar o típico malandro, com terno branco, e Patrícia como o travesti. Não dá para falar da Lapa sem falar deles", justifica Beto. "Em moda, o barato é surpreender. Tem que ter algo novo, aquela coisa 'cool' não é a minha."

Para chegar a Patrícia, o estilista teve ajuda dos amigos. "Foi (a promoter) Liége Monteiro quem me deu a dica. Ela a conhece da Grande Rio, onde Patrícia é destaque", revela. Qual não foi a surpresa de Patrícia quando o telefone tocou. "Fiquei superfeliz. Sempre foi meu sonho desfilar e ser atriz", diz ela, que também grava hoje, logo após estrear na passarela, participação no seriado A Lei e o Crime, da Record. "Vou ser a travesti Michela", conta.

Mas nem sempre tudo foi purpurina na vida de Patrícia - ou Felipe, como diz a carteira de identidade. Na 8ª série, passou por expulsão do colégio por ser gay. "Sofri muito preconceito. Mas minha cabeça sempre foi de mulher. Na rua, as pessoas me elogiavam dizendo para minha mãe: 'Que garota bonitinha'", sorri.

"Hoje estou totalmente tranqüila, não me deixo abater, sei o que sou", emenda, casada há dois anos. "Encontrei a pessoa certa. Temos uma vida comum. Vou à praia, à academia e saio para jantar com meu marido". Os pais, a dona-de-casa Terezinha e o aposentado Severino, são evangélicos e a apoiaram desde o início. "Almoço com eles todos os domingos. Sou o orgulho da família."

Sobre o assédio masculino, Patrícia é direta. "Quando vou ao supermercado, chamo muita atenção. Num primeiro momento, não percebem que sou um travesti, mas nunca enganei ninguém. E quando os homens sabem, o interesse é maior, a curiosidade aumenta." Mas as cantadas não são apenas masculinas: "Outro dia conheci uma menina linda na manicure. Contei que era travesti. Acredita que ela nunca mais me deixou em paz?"

A carioca Patrícia Araújo será o grande destaque do desfile da grife Complexo B
A carioca Patrícia Araújo será o grande destaque do desfile da grife Complexo B
Foto: João Laet / O Dia
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