O preço do seu SUV está derretendo na garagem e a culpa é dos híbridos e elétricos
Dados da Indicata mostram que modelos a combustão chegaram a perder mais de 28% do valor de tabela, enquanto SUVs elétricos e híbridos tiveram desvalorização menor entre os seminovos
Segundo a Indicata Brasil, SUVs a combustão estão desvalorizando mais que os híbridos e elétricos, com perdas superiores a 20%, como no caso do Hyundai Creta (21,5%), enquanto eletrificados tiveram média de 10,1% de queda. O avanço da concorrência chinesa e a consequente guerra de preços entre montadoras, com descontos agressivos nos modelos zero-quilômetro, têm pressionado diretamente as cotações de seminovos e usados anunciados no mercado nacional.
A desvalorização dos SUVs eletrificados tem sido menor do que a registrada por modelos equipados exclusivamente com motores a combustão, de acordo com um levantamento feito pela Indicata Brasil, plataforma de inteligência de mercado e precificação de veículos seminovos e usados. Entre os veículos analisados, elétricos e híbridos apresentaram perdas de até 14,2% em relação ao preço de tabela, enquanto alguns SUVs a combustão tiveram redução superior a 20%.
Na sequência aparecem o SUV híbrido BYD Song Pro GL, com desvalorização de 8,5%, e o hatch elétrico BYD Dolphin GS, com 14,2%.
O híbrido GWM Haval H6 One também aparece no grupo de eletrificados, com preço de tabela de R$ 225 mil e valor de R$ 184.020 no mercado de usados, uma diferença de 18,2%.
A desvalorização média desses quatro modelos é de aproximadamente 10,1%, segundo a Indicata.
Modelos a combustão têm perdas maiores
Entre os SUVs movidos somente a combustão analisados pelo estudo, a diferença foi mais acentuada. O Volkswagen T-Cross Sense 1.0 TSI registrou 9,2% de desvalorização (de R$ 112.990 para R$ 102.612), enquanto o Hyundai Creta Limited 1.0 TGDI apresentou uma diferença considerável de 21,5% (de R$ 173.390 para R$ 136.181).
A análise também aponta que os SUVs foram o segmento com a maior queda nos preços anunciados nos quatro meses anteriores ao levantamento. Segundo a Indicata, a concentração da concorrência chinesa nesse segmento é um dos fatores relacionados a esse movimento.
Guerra de preços interfere na desvalorização
Outro fator destacado pela Indicata é a chamada guerra de preços no mercado brasileiro. As montadoras tradicionais adotaram estratégias diferentes para reagir à concorrência, incluindo reduções nos preços de tabela e a manutenção de preços oficiais acompanhada de descontos maiores nas concessionárias.
Esse movimento pode acelerar a desvalorização dos veículos que já estão nas ruas. Quando um carro novo passa a ser vendido com descontos relevantes ou tem seu preço oficial reduzido, o valor de referência dos exemplares usados também pode ser pressionado.
Por isso, os números da Indicata devem ser interpretados como uma projeção do mercado de anúncios, e não necessariamente como o preço efetivamente pago em cada negociação. A empresa ressalta que os seus dados representam preços anunciados, e não valores de negócios fechados, que podem variar conforme troca do veículo, forma de pagamento, descontos, acessórios e outros benefícios.
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