Partidos árabes apoiam rival de Netanyahu para formar governo em Israel
Judeus ultraortodoxos declararam neutralidade e enfraqueceram premiê
Após consultas partidárias em Israel, o general Gadi Eisenkot obteve 67 recomendações para formar o novo governo, superando o premiê Benjamin Netanyahu, com 46 apoios. A vantagem foi viabilizada pelo suporte histórico de bancadas árabes com o objetivo de derrotar o atual mandatário. Apesar do placar, o presidente Isaac Herzog anunciará no domingo quem receberá a tarefa oficial, avaliando a viabilidade de construir uma coalizão com a maioria mínima necessária de 61 deputados.
O presidente de Israel, Isaac Herzog, realizou nesta quinta-feira (5) o segundo dia de consultas formais com os partidos eleitos para o novo Parlamento, com o objetivo de definir quem será encarregado de formar o próximo governo do país.
A rodada de conversas em Tel Aviv teve início na quarta-feira (4), após o mandatário ter recebido os resultados oficiais das eleições legislativas realizadas em 27 de outubro. Cada legenda foi convidada a indicar um candidato ao cargo de primeiro-ministro, mas caberá ao chefe de Estado decidir a quem confiar a missão de articular uma coalizão majoritária.
Até o momento, nas consultas com Herzog, o ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Gadi Eisenkot, soma 46 recomendações partidárias, enquanto o atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, obteve 19.
A contagem parcial ainda não inclui as 21 cadeiras do Yashar, legenda liderada por Eisenkot, nem os 27 assentos do Likud, comandado por Netanyahu. Com a contabilização esperada dessas bancadas, projeta-se um total final de 67 apoios para o general reformado e 46 para o atual chefe de governo.
Os partidos que formalizaram apoio a Eisenkot foram Yisrael Beiteinu, Os Democratas, Ra'am, Lista Conjunta, Beyachad e Yashar. Já as legendas que declararam suporte a Netanyahu foram Sionismo Religioso, Poder Judaico, Shas e Likud. O partido ultraortodoxo Judaísmo Unido da Torá optou por não recomendar nenhum nome.
A Lista Conjunta, aliança que reúne três legendas árabes-israelenses, confirmou a recomendação a Eisenkot para a chefia do Executivo, mas ressaltou que a decisão "não foi uma escolha fácil".
"Apesar da nossa determinação em remover Netanyahu, a frente de oposição liderada por Eisenkot ainda não demonstrou a firmeza necessária para desafiar a agenda política de Netanyahu ou para combater a incitação ao ódio contra os cidadãos árabes. Embora Eisenkot esteja recebendo mais recomendações, acreditamos ser fundamental ampliar a margem entre os dois", declarou o bloco em nota oficial.
O parlamentar Ahmed Tibi, um dos líderes da Lista Conjunta, enfatizou que o apoio a Eisenkot não ocorreu por afinidade ideológica, "mas para viabilizar uma mudança em relação ao atual governo". As legendas árabes alcançaram um resultado histórico nas urnas, conquistando 19 assentos no Knesset.
A prerrogativa de conceder o mandato inicial para a formação do gabinete é exclusiva do presidente Herzog. O chefe de Estado não é obrigado a indicar o nome com maior número de recomendações, mas sim o líder que demonstrar a maior viabilidade de construir uma coalizão estável com ao menos 61 deputados. O mandatário tem até o dia 11 de novembro para anunciar sua decisão, mas revelou que pretende tomar uma decisão definitiva no domingo (8).
"Tive conversas difíceis e francas com representantes de todos os partidos. 67 parlamentares eleitos indicaram Eisenkot para a formação de um governo, enquanto 46 indicaram Netanyahu. O resultado das consultas parece claro; contudo, a tarefa que a lei me confia é avaliar a viabilidade de formar um governo, uma perspectiva que está longe de ser certa, dadas as exclusões mútuas, tanto entre os blocos políticos quanto dentro deles. Pretendo realizar novas conversas diretas com diversos líderes partidários e planejo atribuir o mandato para a formação de um governo no domingo", explicou.
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