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ONU emite alerta sobre 'aumento sem precedentes' de consumo e tráfico de drogas no mundo

O tráfico mundial de drogas está em plena expansão, com a produção de cocaína e as apreensões de metanfetamina atingindo níveis recordes, revela um relatório das Nações Unidas publicado nesta sexta‑feira (26) por ocasião do Dia Internacional contra o Abuso de Drogas e o Tráfico Ilícito. O documento alerta ainda para o aumento do consumo destes entorpecentes e do desenvolvimento de novas substâncias destinadas a suprir a escassez provocada pelo colapso da oferta de heroína.

26 jun 2026 - 12h52
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Segundo o relatório anual do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, a produção de cocaína disparou, alcançando cerca de 4.100 toneladas de produto puro em 2024 — último ano para o qual há dados disponíveis —, o que representa uma quadruplicação em uma década. 

Policial exibe um pacote de metanfetamina durante uma cerimônia de destruição de narcóticos realizada para marcar o Dia Internacional contra o Abuso de Drogas e o Tráfico Ilícito, das Nações Unidas, em Yangon, Mianmar, em 26 de junho de 2026
Policial exibe um pacote de metanfetamina durante uma cerimônia de destruição de narcóticos realizada para marcar o Dia Internacional contra o Abuso de Drogas e o Tráfico Ilícito, das Nações Unidas, em Yangon, Mianmar, em 26 de junho de 2026
Foto: AFP - SAI AUNG MAIN / RFI

Segundo o balanço, os modos do uso dessa droga evoluíram, enquanto sua pureza melhorou e seus preços caíram. "Pesquisas qualitativas realizadas em 2024 apontam para uma expansão do consumo de cocaína em contextos sociais que vão além da vida noturna, bem como para sua integração em práticas cotidianas", indica.

Já as apreensões de metanfetamina indicam que sua produção aumenta 13% ao ano, aponta o documento. O órgão da ONU observou o surgimento de novos mercados para essa substância, produzida em grande medida em Mianmar, mas também na América do Norte, no oeste e sul da África e no sudoeste da Ásia.

Por outro lado, a produção de ópio despencou em 2023 no Afeganistão, durante muito tempo seu principal produtor, após sua proibição pelos talibãs quando retornaram ao poder em Cabul. Essa queda provocou uma redução na fabricação e no consumo de heroína, derivada do ópio.

Novas drogas sintéticas

O ano de 2024 foi marcado por um forte aumento das novas drogas sintéticas detectadas no mercado, como os fentanis ou os nitazenos, que podem compensar ao menos parcialmente a falta de heroína, especialmente na Europa, afirma o relatório. Segundo Monica Juma, diretora‑executiva do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, algumas dessas substâncias são "mais potentes ou perigosas" do que as já existentes.

"Os casos de opioides sintéticos classificados como Novas Substâncias Psicoativas (NSP) e sinalizados pelos sistemas de alerta precoce aumentaram em 2023 e 2024 na maior parte das regiões, sobretudo na Europa, na Oceania e na África, o que sugere uma recente diversificação por parte dos atores do mercado", detalha o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime.

Já na América do Norte, onde o fentanil substituiu amplamente a heroína, foi registrado um aumento de cerca de 10% no número de opioides sintéticos classificados como NSP identificados em 2024 em comparação com o ano anterior. Esse número cresceu mais de 80% na Europa e 150% na Oceania, acrescenta o órgão.

O mesmo levantamento também revelou um aumento do consumo de crack entre grupos socioeconomicamente desfavorecidos e uma migração do uso de heroína para o de crack na Europa Ocidental e Central a partir de 2015. O crescimento pôde ser observado com a análise de dados referentes às pessoas em tratamento por dependência química.

331 milhões de usuários no mundo

Os especialistas calculam que 331 milhões de pessoas usaram alguma substância psicoativa em 2024. O número representa 6,2% da população mundial com idades entre 15 e 64 anos. Também indica um aumento na comparação com os 5,2% registrados em 2014.

A maconha continua sendo a droga mais popular do mundo em 2024, seguida pelos opioides, anfetaminas, cocaína e ecstasy. Seu consumo continua crescendo, em parte devido à legalização e à descriminalização. O número de usuários aumentou 40% entre 2014 e 2024, e quase 5% da população mundial com idades entre 15 e 64 anos consumiu maconha em 2024.

No entanto, os produtores de drogas continuam criando novas substâncias sintéticas "em uma tentativa de contornar as regulamentações e evitar a detecção", afirma a agência. As apreensões de narcóticos em 2024 revelaram "cinco vezes mais tipos de drogas do que antes do ano 2000. O número de novas substâncias psicoativas chegou a 755 em 2024, e 118 substâncias foram relatadas pela primeira vez, reitera o relatório.

RFI com agências

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