Justiça do Equador condena ex-presidente a nove anos de prisão por corrupção
A Justiça do Equador condenou o ex-presidente Abdalá Bucaram e seu filho, Jacobo Bucaram, a mais de nove anos de prisão por integrarem um esquema criminoso que lucrou com a venda ilegal de suprimentos médicos e testes durante o pico da pandemia de Covid-19. Devido à idade e a problemas de saúde, o ex-governante, que nega as acusações e promete recorrer, cumprirá a pena em regime domiciliar. O caso também envolveu ex-agentes de trânsito e estrangeiros que se passavam por agentes diplomáticos.
Um tribunal do Equador condenou, na noite de quarta-feira, o ex-presidente Abdalá Bucaram a nove anos e quatro meses de prisão por um caso de corrupção, informou a procuradoria, que o acusou de colaborar com uma organização criminosa para comercializar suprimentos médicos durante a pandemia da Covid-19.
O ex-presidente, de 74 anos, que governou entre agosto de 1996 e fevereiro de 1997, deverá cumprir sua pena em prisão domiciliar devido à sua idade, de acordo com a lei equatoriana.
Um dos filhos de Bucaram, Jacobo Bucaram, também foi condenado pelo mesmo caso como cúmplice do crime de organização criminosa.
"Os réus formaram uma estrutura criminosa organizada que, de forma reiterada e concertada, cometeu crimes relacionados ao enriquecimento privado injustificado, fraude tributária, peculato e falsificação de documentos públicos", afirmou a procuradoria em um comunicado.
Quatro pessoas foram acusadas pela Procuradoria-Geral de terem obtido benefício econômico ao negociar a compra de cerca de 21 mil testes rápidos para a detecção da Covid-19 e outros suprimentos médicos entre março e agosto de 2020, enquanto o Equador passava por um dos piores surtos da pandemia na região.
O filho de Bucaram foi condenado à mesma pena que seu pai. Um ex-agente de trânsito foi condenado a 13 anos e 4 meses, enquanto um cidadão israelense recebeu uma pena reduzida de dois anos e oito meses por ter cooperado durante o julgamento.
Bucaram acompanhou a audiência por videoconferência de um hospital na cidade litorânea de Guayaquil, onde está internado devido a problemas cardíacos.
Em declarações à imprensa em sua casa, Bucaram disse que iria recorrer da sentença e questionou a imparcialidade de um dos juízes, apontando supostos ataques anteriores nas redes sociais contra sua família.
"Não há nenhum crime; partindo de mentiras, montaram um julgamento que é absurdo", acrescentou o ex-presidente. "É uma injustiça e posso jurar que somos inocentes."
COMPLEXIDADES DO CASO
Os promotores afirmaram que agentes de trânsito garantiram segurança a dois cidadãos estrangeiros, que transportavam os suprimentos até a residência de Bucaram na cidade litorânea de Guayaquil. Já seu filho, Jacobo, teria pago US$321.600 pelos suprimentos médicos.
De acordo com a investigação, os estrangeiros envolvidos "circulavam em veículos de luxo, fingindo ser agentes da Drug Enforcement Administration (DEA, na sigla em inglês) ou pessoal diplomático", acrescentou a procuradoria no comunicado.
Um dos estrangeiros acusados — identificado pela procuradoria como Shy D — foi assassinado na prisão de Guayaquil em agosto de 2020, dias depois de prestar seu depoimento no caso.
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