Irã ataca bases dos EUA no Golfo Pérsico e amplia escalada de tensões no Oriente Médio
O Irã anunciou nesta quarta-feira (10) ataques contra bases americanas no Golfo Pérsico em retaliação à ofensiva dos Estados Unidos contra alvos iranianos no Estreito de Ormuz, em uma nova escalada de tensões regionais, após a derrubada de um helicóptero americano atribuída a Teerã.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, na terça-feira (9), estar próximo de um "acordo muito bom" para encerrar a guerra contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, e indicou um prazo de "dois a três dias" para a conclusão das negociações. O otimismo, no entanto, foi abalado após Washington confirmar que um helicóptero Apache americano havia sido abatido pelo Irã e prometer uma resposta.
Nesta manhã, o Irã anunciou ataques contra bases americanas localizadas no Bahrein e na Jordânia. No Kuwait, os militares disseram estar enfrentando "alvos aéreos hostis", sem especificar sua origem.
Em um comunicado divulgado hoje, no qual justifica suas ações, o Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que os Estados do Golfo têm "uma responsabilidade legal e moral (...) de impedir que os militares dos EUA e de Israel usem seu território ou instalações para planejar, organizar, executar ou apoiar ações hostis contra o Irã".
Na Jordânia, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter "alvejado e destruído quatro alvos importantes, incluindo caças F-35 em uma base aérea e o centro de comando militar dos EUA" em Azraq. O exército jordaniano anunciou ter abatido cinco mísseis iranianos.
No Bahrein, combatentes iranianos anunciaram ter realizado "um ataque com drones contra a Quinta Frota dos EUA". Pouco depois, sirenes de alerta aéreo soaram no pequeno país do Golfo.
A Guarda Revolucionária justificou sua operação citando ataques dos EUA realizados durante a noite em Jask, Sirik e na ilha de Qeshm, na costa sul do Irã, no ainda bloqueado Estreito de Ormuz. Esses ataques "danificaram uma torre de telecomunicações em Sirik e destruíram dois reservatórios de água na cidade", afirmaram.
A mídia iraniana relatou diversas explosões no Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico para o transporte global de hidrocarbonetos.
De acordo com um comunicado do Comando Central dos EUA para o Oriente Médio (Centcom), as forças armadas dos EUA atacaram "instalações de defesa aérea iranianas, postos de controle terrestre e locais de vigilância por radar" na região. O comando americano apresentou esses ataques como "autodefesa" e "proporcionais" em resposta à queda do helicóptero Apache do Exército dos EUA. O aparelho sobrevoava o Estreito de Ormuz, na segunda-feira (8), quando foi abatido pelo Irã, segundo o presidente Trump.
Essas novas hostilidades fizeram com que os preços do petróleo subissem ligeiramente. Nesta manhã, o barril do petróleo bruto WTI, a referência americana, subiu 0,53%, atingindo US$ 88,67.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, minimizou o incidente envolvendo o helicóptero. "Forças estrangeiras perto de nosso território estão constantemente expostas a riscos. A melhor solução é que elas saiam", afirmou ele no X. "Preferimos a linguagem diplomática, mas também falamos outras línguas."
Após um frágil cessar-fogo entrar em vigor em 8 de abril, os ataques recíprocos entre o Irã e Israel foram retomados no domingo (7) e na segunda-feira, matando três pessoas, incluindo dois soldados, e ferindo outras 15 no Irã, segundo a televisão estatal.
Foreign forces in proximity to our territory are at constant risk on account of their own human errors, plain accidents, or potentially being caught in crossfire.
To reduce risk, best solution is for them to leave.
We prefer language of diplomacy but speak other languages too. pic.twitter.com/5DDgHAscBj
— Seyed Abbas Araghchi (@araghchi) June 9, 2026
Situação continua tensa no Líbano
O Irã exige que qualquer acordo com Washington para encerrar a guerra no Oriente Médio inclua o fim das ofensivas no Líbano, onde seu aliado, o Hezbollah, e Israel lutam desde 2 de março.
Na terça-feira, os bombardeios mataram pelo menos 11 pessoas, segundo as autoridades libanesas.
Pela primeira vez desde o início dos confrontos entre Israel e o movimento xiita, o exército israelense convocou todos os moradores de Tiro a evacuarem a cidade, incluindo os do bairro cristão. "O bairro cristão está agora 99% vazio", disse Walid al-Tawil, do conselho municipal, à AFP.
O Hezbollah, por sua vez, reivindicou a autoria de novos ataques contra as forças israelenses no sul do Líbano. Segundo o exército israelense, esses ataques não deixaram feridos.
O exército também informou ter matado um homem no norte de Israel, acusado de disparar contra alvos terrestres.
Preocupação internacional
Pequim afirmou nesta quarta-feira estar "profundamente preocupada" com os ataques dos EUA e do Irã no Oriente Médio e pediu a todas as partes que "parem com a escalada".
"A China está profundamente preocupada com a situação atual no Irã", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian. "As partes envolvidas devem exercer calma e moderação, cessar a escalada do conflito, impedir o agravamento da situação e tomar medidas concretas para aliviar as tensões", declarou ele em entrevista coletiva, pedindo "um cessar-fogo abrangente e duradouro o mais breve possível".
A Rússia também declarou estar "extremamente preocupada" com a escalada das tensões no Oriente Médio, pedindo "moderação", segundo afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, nesta quarta-feira.
Com AFP
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