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Irã ataca bases dos EUA no Golfo Pérsico e amplia escalada de tensões no Oriente Médio

O Irã anunciou nesta quarta-feira (10) ataques contra bases americanas no Golfo Pérsico em retaliação à ofensiva dos Estados Unidos contra alvos iranianos no Estreito de Ormuz, em uma nova escalada de tensões regionais, após a derrubada de um helicóptero americano atribuída a Teerã.

10 jun 2026 - 06h00
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, na terça-feira (9), estar próximo de um "acordo muito bom" para encerrar a guerra contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro, e indicou um prazo de "dois a três dias" para a conclusão das negociações. O otimismo, no entanto, foi abalado após Washington confirmar que um helicóptero Apache americano havia sido abatido pelo Irã e prometer uma resposta.

Nesta manhã, o Irã anunciou ataques contra bases americanas localizadas no Bahrein e na Jordânia. No Kuwait, os militares disseram estar enfrentando "alvos aéreos hostis", sem especificar sua origem.

Em um comunicado divulgado hoje, no qual justifica suas ações, o Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que os Estados do Golfo têm "uma responsabilidade legal e moral (...) de impedir que os militares dos EUA e de Israel usem seu território ou instalações para planejar, organizar, executar ou apoiar ações hostis contra o Irã".

Na Jordânia, a Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter "alvejado e destruído quatro alvos importantes, incluindo caças F-35 em uma base aérea e o centro de comando militar dos EUA" em Azraq. O exército jordaniano anunciou ter abatido cinco mísseis iranianos.

No Bahrein, combatentes iranianos anunciaram ter realizado "um ataque com drones contra a Quinta Frota dos EUA". Pouco depois, sirenes de alerta aéreo soaram no pequeno país do Golfo.

Imagem mostra o lançamento de mísseis iranianos na região do Golfo. Segundo a Guarda Revolucionária do Irã, os ataques tiveram como alvo uma base americana na Jordânia e outros 21 pontos no Golfo Pérsico, em retaliação às ações dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz. A imagem, divulgada em 10 de junho de 2026, foi extraída de um vídeo.
Imagem mostra o lançamento de mísseis iranianos na região do Golfo. Segundo a Guarda Revolucionária do Irã, os ataques tiveram como alvo uma base americana na Jordânia e outros 21 pontos no Golfo Pérsico, em retaliação às ações dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz. A imagem, divulgada em 10 de junho de 2026, foi extraída de um vídeo.
Foto: RFI

A Guarda Revolucionária justificou sua operação citando ataques dos EUA realizados durante a noite em Jask, Sirik e na ilha de Qeshm, na costa sul do Irã, no ainda bloqueado Estreito de Ormuz. Esses ataques "danificaram uma torre de telecomunicações em Sirik e destruíram dois reservatórios de água na cidade", afirmaram.

A mídia iraniana relatou diversas explosões no Estreito de Ormuz, corredor marítimo estratégico para o transporte global de hidrocarbonetos.

De acordo com um comunicado do Comando Central dos EUA para o Oriente Médio (Centcom), as forças armadas dos EUA atacaram "instalações de defesa aérea iranianas, postos de controle terrestre e locais de vigilância por radar" na região. O comando americano apresentou esses ataques como "autodefesa" e "proporcionais" em resposta à queda do helicóptero Apache do Exército dos EUA. O aparelho sobrevoava o Estreito de Ormuz, na segunda-feira (8), quando foi abatido pelo Irã, segundo o presidente Trump.

Essas novas hostilidades fizeram com que os preços do petróleo subissem ligeiramente. Nesta manhã, o barril do petróleo bruto WTI, a referência americana, subiu 0,53%, atingindo US$ 88,67.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, minimizou o incidente envolvendo o helicóptero. "Forças estrangeiras perto de nosso território estão constantemente expostas a riscos. A melhor solução é que elas saiam", afirmou ele no X. "Preferimos a linguagem diplomática, mas também falamos outras línguas."

Após um frágil cessar-fogo entrar em vigor em 8 de abril, os ataques recíprocos entre o Irã e Israel foram retomados no domingo (7) e na segunda-feira, matando três pessoas, incluindo dois soldados, e ferindo outras 15 no Irã, segundo a televisão estatal.

Situação continua tensa no Líbano

O Irã exige que qualquer acordo com Washington para encerrar a guerra no Oriente Médio inclua o fim das ofensivas no Líbano, onde seu aliado, o Hezbollah, e Israel lutam desde 2 de março.

Na terça-feira, os bombardeios mataram pelo menos 11 pessoas, segundo as autoridades libanesas.

Pela primeira vez desde o início dos confrontos entre Israel e o movimento xiita, o exército israelense convocou todos os moradores de Tiro a evacuarem a cidade, incluindo os do bairro cristão. "O bairro cristão está agora 99% vazio", disse Walid al-Tawil, do conselho municipal, à AFP.

O Hezbollah, por sua vez, reivindicou a autoria de novos ataques contra as forças israelenses no sul do Líbano. Segundo o exército israelense, esses ataques não deixaram feridos.

O exército também informou ter matado um homem no norte de Israel, acusado de disparar contra alvos terrestres.

Preocupação internacional

Pequim afirmou nesta quarta-feira estar "profundamente preocupada" com os ataques dos EUA e do Irã no Oriente Médio e pediu a todas as partes que "parem com a escalada".

"A China está profundamente preocupada com a situação atual no Irã", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian. "As partes envolvidas devem exercer calma e moderação, cessar a escalada do conflito, impedir o agravamento da situação e tomar medidas concretas para aliviar as tensões", declarou ele em entrevista coletiva, pedindo "um cessar-fogo abrangente e duradouro o mais breve possível".

A Rússia também declarou estar "extremamente preocupada" com a escalada das tensões no Oriente Médio, pedindo "moderação", segundo afirmou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, nesta quarta-feira.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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