FMI aprova empréstimo de US$ 1,9 bi à Bolívia e presidente anuncia fim do subsídio ao diesel
Endividamento foi aprovado pelo Congresso boliviano com a contrapartida de que o governo daria fim ao subsídio dos combustíveis e que o déficit fiscal seria reduzido
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou o fim dos subsídios ao diesel após o Congresso aprovar um empréstimo de US$ 1,9 bilhão do FMI para conter a grave crise econômica do país. Como contrapartida ao fundo, o governo cortou o benefício, que custava US$ 55 milhões semanais e estimulava o contrabando, alinhando o combustível às cotações internacionais. A decisão busca reduzir o déficit e garantir o abastecimento, mas já enfrenta forte rejeição e protestos de agricultores e motoristas.
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou, nesta sexta-feira, 19, o fim de todos os subsídios ao diesel. O anúncio foi feito após o Congresso do país aprovar um empréstimo de US$ 1,9 bilhão do Fundo Monetário Internacional (FMI) para estabilizar a economia boliviana.
Paz se comprometeu com a organização a acabar com o subsídio aos combustíveis e a reduzir o déficit fiscal para aceder ao empréstimo bilionário. Além disso, espera mais cooperação do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento.
O Senado aprovou o projeto de lei que autoriza o endividamento "destinado a respaldar o programa integral de reformas econômicas do país", informou a Câmara Alta em comunicado. A iniciativa já havia sido aprovada pelos deputados na quinta, 17.
Depois de assumir o poder em novembro do ano passado, Paz precisou tomar medidas imediatas para resolver a falta de combustível e de dólares, depois de herdar a pior crise econômica da história do país. O atual presidente atribuiu o momento ruim da economia aos antecessores de esquerda Luis Arce (2020-2025) e Evo Morales (2006-2019).
O governo já havia anunciado que iria deixar de subsidiar os combustíveis a partir de janeiro. "Tomámos a decisão de que, a partir de hoje, o diesel custará o mesmo que nos custa comprá-lo no estrangeiro", disse o presidente numa mensagem transmitida pelo canal de televisão estatal.
Segundo ele, o subsídio ao diesel custa ao Estado cerca de US$ 55 milhões por semana, mas que apenas incentiva o contrabando, porque os preços nos países vizinhos são mais elevados.
Sobre o custo de cada litro, o presidente indicou que "vai flutuar de acordo com o preço internacional", o que garantirá o abastecimento permanente e que "o negócio dos contrabandistas" acabará.
Vários setores produtivos, agricultores e motoristas rejeitaram antecipadamente a medida e anunciaram protestos para manter algum tipo de auxílio. /AFP
-1h7wze10o7sj7.jpg)
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.