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Disparada de preços de combustíveis reacendem protestos e pressionam governos pelo mundo

A revolta social se espalha pelo mundo diante da disparada dos preços do diesel e do óleo combustível, mas é na França que o aumento dos combustíveis começa a ganhar uma dimensão política particularmente sensível, a poucos meses da eleição presidencial. O fantasma dos "coletes amarelos", movimento que sacudiu o país a partir do final de 2018 após uma alta dos impostos sobre os combustíveis, voltou ao centro do debate diante da nova escalada dos preços e do aumento da mobilização social.

17 set 2026 - 05h51
(atualizado às 06h03)
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Resumo
A disparada global nos preços dos combustíveis reacende protestos e pressiona governos. Na França, valores recordes mobilizam sindicatos e pescadores, trazendo o temor de uma nova onda dos "coletes amarelos", apesar de subsídios estendidos pelo governo. Manifestações semelhantes ocorrem na Bolívia e na Síria, enquanto nos Estados Unidos a alta encarece o custo de vida familiar. Essencial para transporte e agricultura, a alta do diesel encarece alimentos e corrói a renda da população mundial.

Uma pesquisa do instituto Odoxa‑Backbone para o jornal Le Figaro, divulgada nesta quinta‑feira (17), mostra que 88% da população prevê o ressurgimento do movimento que sacudiu o país entre 2018 e 2019.

Pescadores franceses o acesso ao depósito de petróleo de Frontignan, perto de Sète, no sul da França, em 17 de setembro de 2026, durante um protesto que visa chamar a atenção do governo para o aumento dos preços dos combustíveis e a deterioração de suas condições de trabalho.
Pescadores franceses o acesso ao depósito de petróleo de Frontignan, perto de Sète, no sul da França, em 17 de setembro de 2026, durante um protesto que visa chamar a atenção do governo para o aumento dos preços dos combustíveis e a deterioração de suas condições de trabalho.
Foto: AFP - SYLVAIN THOMAS / RFI

No início desta semana, o governo francês divulgou seus números semanais sobre os preços dos combustíveis — e o resultado é recorde. O litro do diesel está sendo vendido, em média, € 2,29 (R$ 13,54), com um aumento de 3,4 centavos em poucos dias. O litro da gasolina está sendo comercializada a € 2,15 (R$ 12,71), também próxima de um valor inédito. O cenário alimenta o temor de uma nova onda de insatisfação social, com a guerra no Oriente Médio como pano de fundo. 

Nas redes sociais, antigas figuras dos coletes amarelos começam a se manifestar e a mobilizar a população. Além deles, figuras políticas da esquerda, como o comunista Fabien Roussel e a ecologista Marine Tondelier convocam os franceses a sairem às ruas. Duas manifestações sindicais contra o aumento do custo de vida já têm data marcada: 29 de setembro e 17 de outubro, apoiadas também pelo Partido Socialista e França Insubmissa, da esquerda radical.

Pescadores no centro da revolta

Algumas categorias, como os pescadores, se anteciparam e deram início à mobilizações por conta própria, bloqueando, desde o início da semana, o acesso a um depósito de petróleo em Frontignan, no sul da França. Para o jornal Les Echos, os protestos já perturbam as movimentações no governo sobre o orçamento público de 2027. Segundo o diário, o presidente Emmanuel Macron pediu uma mobilização total para o abastecimento e sobre o preço dos combustíveis. 

Pressionado, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu anunciou na quarta‑feira (16) que fossem "prolongadas" até 31 de dezembro as ajudas sociais direcionadas aos combustíveis. Para os pescadores o auxílio será elevado de 25 para 35 centavos por litro. O valor volta assim ao "nível máximo autorizado pela Comissão Europeia para permitir que os navios continuem a sair ao mar", explicou o gabinete do premiê. 

O anúncio não parece ter sido suficiente para abafar os atos. Cerca de uma centena de manifestantes permanecia, na manhã desta quinta‑feira, em volta do depósito de petróleo de Frontignan. Outros grupos de pescadores começam também a bloquear o acesso a alguns portos da França. 

Tensão mundial

A pressão não é exclusiva da França. Na Bolívia, centenas de agricultores protestaram contra a duplicação do preço do diesel determinada pelo governo, uma decisão que também começa a pressionar os preços dos alimentos.

Na Síria, o governo interino aumentou em até 40% o preço da gasolina, provocando manifestações em várias cidades. O aumento representa uma ruptura com a política de fortes subsídios aos combustíveis praticada durante o regime de Bashar al-Assad e tornou-se um dos primeiros grandes testes sociais para o novo governo.

Nos Estados Unidos, a alta dos combustíveis também pesa sobre famílias e empresas. O diesel ultrapassou US$ 6 por galão (3,785 litros), com aumento superior a 60% em um ano, afetando especialmente agricultores, transportadores e frotas comerciais. A gasolina chegou a uma média nacional de aproximadamente US$ 4,30 por galão. Segundo a Moody's, a alta da gasolina representa para uma família americana uma despesa adicional equivalente a cerca de US$ 1.300 por ano.

O ponto comum entre esses países é o papel do diesel como combustível essencial para o transporte, a agricultura, a pesca e a logística. Quando o petróleo sobe, aumentam os custos de produção e distribuição, pressionando os preços dos alimentos e dos serviços e reduzindo o poder de compra.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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