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EUA e Irã expõem divergências sobre Ormuz e nuclear mesmo após acordo e retomada do diálogo

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, voltou a descartar, na terça‑feira (23), a possibilidade de o Irã impor pedágio no Estreito de Ormuz, um dos principais pontos de discórdia entre os dois países, ao lado do programa nuclear iraniano. Desde o fim da primeira rodada de negociações técnicas na Suíça, na segunda‑feira (22), Washington e Teerã vêm divulgando versões divergentes sobre os avanços do diálogo. Nesse contexto, o Senado norte‑americano aprovou uma resolução simbólica em favor da retirada das forças dos EUA do conflito no Oriente Médio, em um revés político para Donald Trump, embora sem efeito legal.

24 jun 2026 - 07h44
(atualizado às 08h14)
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Teerã e Washington assinaram, na semana passada, um protocolo de acordo para pôr fim à guerra. O documento, composto por 14 pontos, prevê, entre outras medidas, a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do comércio global. O bloqueio da região pelo Irã abalou a economia mundial e provocou forte alta nos preços do petróleo.

No entanto, após o término da primeira rodada de negociações técnicas na Suíça, os dois países passaram a trocar acusações sobre essa e outra questão central do acordo: o futuro do programa nuclear iraniano.

Recém‑chegado a Abu Dhabi para uma viagem até quinta‑feira (25) por países do Golfo - aliados dos Estados Unidos que foram alvo de ataques iranianos durante a guerra -, Marco Rubio reiterou que Washington não aceitará qualquer tipo de taxa para a circulação de navios na região.

Na terça‑feira, a equipe de negociadores iranianos, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, esteve em Omã para discutir a gestão do estreito. Em comunicado conjunto, Omã e Irã afirmaram que estudarão os custos dos serviços ligados à administração da via marítima, ressaltando sua soberania sobre as águas territoriais.

Sobre a questão do nuclear, o Irã afirmou na terça‑feira não ter intenção de permitir que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) inspecione seus principais sites nucleares, bombardeados por Israel e pelos Estados Unidos. Já o presidente dos EUA, Donald Trump, assegurou que Teerã teria aceitado "plena e totalmente" as vistorias.

Nesta quarta‑feira (24), porém, o diretor‑geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que as inspeções de fato ocorrerão, embora os detalhes ainda precisem ser definidos. Segundo ele, o memorando prevê explicitamente a supervisão das atividades nucleares iranianas pela agência.

"Em breve, trabalharemos nos detalhes, como datas, procedimentos e locais", disse Grossi, acrescentando que as inspeções são inevitáveis, desde que o Irã cumpra o acordo.

Nova rodada de negociações

Também nesta quarta‑feira (24), o Paquistão, mediador do processo, anunciou que as negociações técnicas entre Estados Unidos e Irã serão retomadas na próxima semana. O avanço do diálogo tem alimentado expectativas de e uma solução duradoura e contribuído para a queda dos preços do petróleo. O barril de Brent recuava 0,65% na Ásia, a US$ 76,58, bem abaixo dos mais de US$ 126 registrados no auge do conflito.

A queda é impulsionada principalmente pela retomada gradual da navegação no Estreito de Ormuz. Dados da Kpler indicam que 37 navios cargueiros atravessaram a região na segunda‑feira, enquanto a Organização Marítima Internacional anunciou o início da retirada de cerca de 11 mil marinheiros ainda bloqueados na região.

Pressionado a encerrar o conflito, o governo americano intensifica os gestos em direção a Teerã. Ainda assim, Ghalibaf classificou o acordo como uma "declaração de derrota dos Estados Unidos". Segundo Ghalibaf, "o memorando de entendimento de Islamabad não é fruto de pressões ou coerção, mas sim da resistência e da determinação da corajosa nação iraniana". "Consideramos a retirada das forças estrangeiras da região um objetivo estratégico", afirmou ele, "pois, longe de criar uma segurança duradoura, elas constituem uma fonte de instabilidade", declarou, em Baku, no Azerbaijão, durante uma conferência transmitida pela televisão iraniana.

Votação simbólica do Senado americano

Na véspera, o Senado dos Estados Unidos aprovou uma resolução determinando a retirada das forças americanas do conflito, o que representa um revés simbólico para Donald Trump, uma vez que o texto não terá força de lei. A iniciativa, que já havia sido aprovada anteriormente na Câmara dos Representantes, foi aprovada por 50 votos a favor e 48 contra. 

"Eu tenho o Irã encurralado, pronto para cair, disposto a nos dar praticamente qualquer coisa e, pela primeira vez em décadas, demonstrando enorme respeito pelos Estados Unidos e por seu presidente - e o Senado americano decide fazer uma votação mal‑cronometrada e sem sentido sobre a Lei dos Poderes de Guerra, dizendo ao maior patrocinador do terrorismo do mundo que os Estados Unidos não gostam do que estou fazendo e que devo parar, oferecendo assim ajuda e conforto ao inimigo", escreveu.

O presidente americano também criticou o fato de quatro senadores republicanos terem votado a favor da resolução ao lado dos democratas. "Esses senadores acabaram de tornar meu trabalho mais difícil, mas vou concluir a tarefa, de um jeito ou de outro, porque sempre concluo", acrescentou.

RFI com AFP

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