Enviado do Papa visita prisioneiros de guerra ucranianos na Rússia
Cardeal italiano Matteo Zuppi concluiu missão em Moscou
Em missão de paz pelo Vaticano, o cardeal Matteo Zuppi visitou prisioneiros de guerra ucranianos na Rússia e reuniu-se com autoridades do Kremlin. A viagem, que busca abrir canais de diálogo entre Moscou e Kiev, teve como foco temas humanitários, incluindo a troca de detentos e a questão dos menores ucranianos transferidos para território russo. Esta foi a terceira ida do emissário papal à capital russa para intermediar negociações ligadas ao conflito no leste europeu.
O presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), cardeal Matteo Zuppi, visitou prisioneiros ucranianos na Rússia, no âmbito de uma missão como enviado do papa Leão XIV para tentar abrir espirais de diálogo entre Moscou e Kiev, nesta quarta-feira (30).
Zuppi, que chegou a ser cotado para a sucessão de Francisco, tem sido desde o pontificado do argentino o principal interlocutor do Vaticano em relação à guerra no leste europeu. A visita a prisioneiros ucranianos foi um pedido da Santa Sé, segundo o Ministério das Relações Exteriores russo.
"Foi organizada uma visita do cardeal Zuppi a um dos centros de detenção que abrigam militares ucranianos presos por terem exercido oposição à operação militar especial", diz um comunicado oficial da chancelaria de Moscou, utilizando o termo oficial do regime de Vladimir Putin para designar a invasão à Ucrânia.
"Durante essa visita, o enviado especial do Papa pôde falar pessoalmente com os ucranianos e confirmar o rigoroso respeito, por parte da Rússia, de todas as normas humanitárias pertinentes", acrescenta a nota.
Zuppi chegou a Moscou na última segunda-feira (28) e, durante a estadia na capital, também se reuniu com Yuri Ushakov, conselheiro de Putin, Yana Lantratova, comissária para direitos humanos, e Maria Lvova-Belova, comissária para direitos dos menores de idade.
"Durante as conversas, realizadas no contexto do conflito na Ucrânia e das perspectivas para a sua resolução, foram discutidas questões de cooperação entre a Rússia e a Santa Sé em matéria humanitária, incluindo a busca por pessoas desaparecidas, a troca de prisioneiros de guerra e civis, a reunificação familiar e o caso dos menores", diz o Ministério das Relações Exteriores.
Kiev acusa Moscou de ter deportado dezenas de milhares de crianças ucranianas à força para a Rússia ou territórios ocupados desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, o que motivou um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra Putin.
Essa é a terceira visita de Zuppi a Moscou. Em julho passado, o cardeal esteve na Ucrânia, onde visitou um campo de detenção para militares russos.
Já em agosto, foi a vez de o secretário para as Relações com os Estados do Vaticano, monsenhor Paul Richard Gallagher, uma espécie de ministro das Relações Exteriores do menor país do mundo, viajar a Moscou. .
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