Enfraquecido pelas eleições locais, premiê britânico é desafiado por ex-ministra
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que está se recuperando de uma derrota esmagadora nas eleições locais, enfrentou um novo revés em sua liderança neste sábado, quando uma ex-ministra disse que o desafiaria para o cargo mais alto se ninguém mais se apresentasse.
O Partido Trabalhista de Starmer registrou as piores perdas de um partido governista nas eleições municipais desde 1995, o que levou um número crescente de seus próprios parlamentares a pedir que ele renunciasse.
Para tentar reforçar sua posição no partido, mais cedo neste sábado ele nomeou dois grandes nomes influentes do Partido Trabalhista como conselheiros: o ex-primeiro-ministro Gordon Brown e a ex-vice-líder trabalhista Harriet Harman.
Porém, poucas horas depois, a parlamentar trabalhista Catherine West, ex-ministra, disse à BBC Radio que queria que o gabinete elaborasse um plano para substituir Starmer até segunda-feira, ou ela mesma o desafiaria para o cargo.
"Se... não houver nenhum candidato à liderança que se apresente amanhã, então na segunda-feira de manhã eu apresentarei meu nome para concorrer à liderança do Partido Trabalhista", disse ela.
DESAFIO DA LIDERANÇA NÃO SERIA SIMPLES
À medida que a extensão da derrota foi surgindo, mais de 20 parlamentares pediram a Starmer, pública e privadamente, que estabelecesse um cronograma para sua saída. Perguntado se renunciaria, ele disse à mídia britânica que essa não era a coisa certa a fazer.
"Não vou me afastar disso", disse ele mais cedo neste sábado.
Vários ministros do gabinete disseram na sexta-feira que continuavam a apoiar Starmer, que há pouco menos de dois anos levou o Partido Trabalhista a uma vitória esmagadora nas eleições nacionais, e um desafio imediato dos possíveis rivais na liderança não parece simples.
O prefeito da Grande Manchester, Andy Burnham, não tem o assento no Parlamento de que precisa para montar um desafio, e a ex-vice-primeira-ministra Angela Rayner ainda não conseguiu resolver totalmente as questões tributárias que levaram à sua renúncia do cargo no ano passado.
Wes Streeting, atualmente ministro da Saúde, está, assim como Starmer, manchado pela nomeação de Peter Mandelson como embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos. Streeting era próximo de Mandelson, que foi demitido por suas ligações com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Qualquer candidato que deseje fazer um desafio precisaria garantir o apoio público de 20% dos membros trabalhistas do do Parlamento. Com os trabalhistas atualmente ocupando 403 assentos, isso equivale a 81 apoiadores.
West disse que, até o momento, tinha 10 nomes a seu favor, mas sua opção preferida era que outro candidato se apresentasse.
"Acho que há várias pessoas que gostariam de fazer isso e que estão planejando há meses", disse ela.
CONVOCANDO A VELHA GUARDA À MEDIDA QUE A PRESSÃO AUMENTA
Com o objetivo de redefinir sua liderança e reconquistar o apoio do partido, o gabinete de Starmer anunciou que Brown, 75 anos, e Harman, também com 75 anos, se juntariam à sua equipe.
"Eles são vitais para fortalecer nosso país, levá-lo adiante e oferecer as oportunidades que dão às pessoas a esperança de um futuro melhor", disse ele quando perguntado se figuras do passado poderiam ajudar em seu plano para o futuro para melhorar a vida das pessoas.
Brown buscará impulsionar novos investimentos em defesa e segurança e aprimorar as relações com a União Europeia, para tentar impulsionar o desempenho econômico e reconquistar votos, enquanto Harman se concentrará em combater a misoginia e a violência contra mulheres e meninas, criando oportunidades econômicas.
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