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Berlim ganha megatemplo hindu

2 jun 2026 - 14h41
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Após mais de 20 anos de planejamento e construção, um grande templo hindu dedicado à divindade Ganesha será inaugurado na capital alemã. Milhares de visitantes são esperados para as celebrações.Vilwanathan Krishnamurthy ainda está ao telefone, falando em hindi. Ele parece animado. "Era a televisão indiana", diz o homem de 73 anos após a ligação. "Eles também querem estar presentes quando inaugurarmos nosso templo."

A partir desta quarta-feira (02/06) até domingo, a comunidade hindu de Berlim vai comemorar a inauguração de seu mais novo templo, após mais de 20 anos de planejamento e obras. "Com isso, um grande sonho se realiza para mim", disse Krishnamurthy à DW.

Em 1975, Krishnamurthy imigrou para Berlim com a esposa. Ele encontrou trabalho em uma antiga fábrica de eletroeletrônicos da AEG, "por três marcos a hora" (o que hoje equivaleria a cerca de 1,50 euro). Em 2004, Krishnamurthy começou, junto com outros habitantes, a planejar a construção de um templo hindu na capital alemã, o Sri Ganesha Hindu.

Distrito de Neukölln cedeu o terreno

Em 2005, eles fundaram uma associação para a empreitada. O distrito berlinense de Neukölln disponibilizou um terreno nos arredores do Hasenheide, um parque público entre Neukölln e o distrito de Kreuzberg. Quando Krishnamurthy menciona o nome do antigo subprefeito do distrito de Neukölln, Heinz Buschkowsky, percebe-se sua gratidão.

A construção em si foi financiada inteiramente por doações. "Não queríamos que nossos filhos tivessem que pagar o empréstimo mais tarde." Foram arrecadados cerca de 1,1 milhão de euros. Mas a obra sofreu diversas paralisações ao longo dos anos, e para piorar veio a pandemia de covid-19.

Krishnamurthy também sentiu na pele a burocracia da Alemanha: normas, processos de licenciamento, prazos e modelos de financiamento. E havia ainda outro desafio: segundo a tradição hindu, é preciso respeitar longos períodos de repouso dos deuses em projetos como esse. Por fim, tanto os materiais feitos de pedra quanto as figuras dos deuses, além de tradicionais mestres construtores de templos hindus, os chamados Stapathi, tiveram que vir da Índia.

Ao longo dos anos, o projeto ajuda a dar um panorama da história da imigração indiana para a Alemanha. Os Krishnamurthys, hoje avós, chegaram a Berlim nos anos 1970 como um jovem casal de trabalhadores migrantes. Naquela época, havia poucos indianos na cidade. O número cresceu ao longo dos anos, sobretudo desde a assinatura de um acordo de migração entre a Alemanha e a Índia no final de 2022. Muitos dos recém-chegados trabalham no setor de TI.

Krishnamurthy estima que a comunidade indiana da capital alemã conta atualmente com cerca de 45 mil pessoas. "Se apenas 10% delas comparecessem à inauguração...", diz, animado. Ele também ressalta que o templo está aberto a todos os hindus, inclusive seguidores do Sri Lanka, Butão ou Singapura.

Milhares de visitantes, centenas de voluntários

Para as comemorações de cinco dias, Krishnamurthy espera "milhares de visitantes". Os preparativos estão em andamento há muito tempo. Segundo Krishnamurthy, 400 jovens da comunidade indiana se inscreveram como voluntários. Eles estão orgulhosos de participar. Outras 60 mulheres estão cuidando da limpeza e outros procedimentos do templo.

A sede principal do templo foi pintada nos últimos meses por dentro e por fora com cores vivas, quase em um estilo pop. No interior do edifício, encontram-se cinco templos menores, semelhantes a pequenas capelas distribuídas pelo espaço. No centro está Ganesha, representado com cabeça e tromba de elefante; as demais estátuas representam os pais de Ganesha, Shiva e Parvati, bem como um tio e um irmão mais novo de Ganesha.

A cerimônia de consagração do templo, que vai durar cinco dias, contará com a presença de dez sacerdotes hindus. O programa é rigorosamente regulamentado. Na sexta-feira, os olhos das figuras divinas (até então cobertos com fita adesiva) serão abertos. Em seguida, elas serão banhadas e "mandadas a dormir" no novo local, segundo Krishnamurthy. E o dia seguinte, o sábado, será oferecida uma única oportunidade para que cada fiel, cada visitante, possa entrar nos templos e ungir as novas figuras divinas com óleo. No futuro, apenas o sacerdote poderá entrar nos templos e colocar ali as oferendas dos visitantes.

O barracão vizinho, que nas últimas décadas serviu aos hindus para liturgias, orações, oferendas e encontros, passará a ser utilizado para conversas com grupos de visitantes e para o diálogo inter-religioso. "Sejam todos os berlinenses, de todas as religiões, muito bem-vindos! Venham nos visitar!", diz Krishnamurthy.

Segundo ele, todos poderão "encontrar um pouco de paz e tranquilidade". Para Krishnamurthy, o diálogo entre as religiões é importante - e familiar. Os dois filhos dos Krishnamurthy se casaram com mulheres de diferentes confissões cristãs, da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa Sérvia. Berlim é certamente uma cidade secular, mas também multirreligiosa.

Visita de turmas escolares e presença de políticos

Turmas escolares de Berlim e do estado vizinho de Brandemburgo já começaram a visitar o templo. Muitas vezes, são turmas do ensino médio. "As crianças demonstram interesse", diz Krishnamurthy, que considera esses encontros importantes. Ele afirma que todas as religiões são iguais e que todas merecem respeito. É isso que ele quer transmitir aos jovens.

Em determinado momento da conversa com a DW, a emoção ficou evidente no senhor de 73 anos. É um acaso, diz ele, que o templo esteja sendo concluído exatamente 51 anos após sua chegada a Berlim. Segundo ele, é o maior templo hindu da Alemanha e o maior templo dedicado a Ganesha na Europa.

Na sexta-feira, os organizadores esperam receber deputados estaduais e federais de Berlim, além de uma secretária do governo estadual, o subprefeito do distrito de Neukölln e vários embaixadores. Mas Krishnamurthy já está pensando mais adiante.

Em outubro, ele espera receber a visita do chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, acompanhado pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Os dois líderes pretendem se encontrar em Berlim para marcar o 75º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a República Federal da Alemanha e a Índia. E, nessa ocasião, os dois devem visitar oficialmente o templo. Nessa altura, o portão de madeira no edifício de 19 metros de altura também estará pronto e será inaugurado em conjunto pelos políticos.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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