No 25º aniversário da proclamação de sua independência, Angola ainda está sob a sombra da guerra civil. Apesar do presidente José Eduardo dos Santos, que pertence ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), querer passar uma impressão de normalidade, anunciando inlusive uma anistia geral, os conflitos prosseguem massacrando a população civil, que se livrou do jugo da colonização portuguesa para cair na guerra interna movida por disputas tribais.
Nos últimos 25 anos, depois da libertação de Portugal, o MPLA e a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) escreveram uma história de conflitos, massacres e desrespeito pelos angolanos. Com o embate entre as duas poderosas organizações o país não conseguiu montar um estado capaz de prover os serviços mais básicos, como saúde e educação, fazendo com que a independência pouco signifique objetivamente para a população.
Durante os 15 primeiros anos da guerra civil, ataques, recrutamentos forçados, abusos diversos e saques foram praticados pelos dois lados envolvidos. Nesta época, os serviços de assistência humanitária começaram a chegar ao país cumprindo um papel que deveria ser do Estado.
Com os olhares internacionais sempre voltados para si, governo e guerrilha assinaram o Acordo de Paz de Lousaka, mas após alguns anos de relativa calmaria, em 1998 os conflitos recomeçaram. Agora a violência atingiu outros níveis e, nos últimos dois anos, a qualidade da assistência oferecida à população se deteriorou.
A ong Médicos Sem Fronteiras, alega que o acesso ao atendimento que oferece à população vem sendo negado a quem precisa. A organização elaborou um relatório sobre as condições da saúde na região, denunciando o desvio de verbas destinadas a esta área para armar o exército.
Como se não bastasse isto um verdadeiro regime de terror vem se instalando de lado a lado, fazendo com que os cidadãos comuns tenham que se sujeitar tanto a rebeldes, quanto a membros das Forças Armadas para não morrer durante as invasões a aldeias. Nestes momentos nada é sagrado, segundo relatos feitos por angolanos, mulheres são violadas, crianças e velhos são surrados, homens são mortos ao se recusarem a entrar na luta.
É neste clima que se o país comemora 25 anos de liberdade.