Angelina Jolie e Cate Blanchett pedem proteção aos refugiados no 75º aniversário da Convenção da ONU
As atrizes Angelina Jolie e Cate Blanchett e a arcebispa de Canterbury, Sarah Mullally, estavam entre as figuras públicas que, nesta terça-feira, pediram que as proteções aos refugiados fossem mantidas, enquanto as Nações Unidas condenavam a crescente pressão sobre os sistemas de asilo.
As garantias jurídicas para os refugiados estão consagradas na Convenção sobre Refugiados de 1951, elaborada após a Segunda Guerra Mundial, que deslocou dezenas de milhões de pessoas.
No entanto, embora a maioria das pessoas ainda apoie o princípio do refúgio seguro, muitos governos estão endurecendo os controles de fronteira em meio a um número quase recorde de deslocamentos em todo o mundo, à medida que os conflitos se proliferam.
A agência da ONU para refugiados divulgou uma declaração de apoio à convenção, intitulada "The Promise" (A Promessa), assinada por dezenas de celebridades, atletas, líderes empresariais e líderes religiosos.
O alto comissário Barham Salih, ex-presidente do Iraque e refugiado, afirmou que a convenção salvou milhões de vidas.
"Há setenta e cinco anos, o mundo fez uma promessa de proteger as pessoas forçadas a fugir. Nossa responsabilidade agora é manter essa promessa viva, para todas as gerações futuras", disse ele antes de uma reunião sobre a proteção aos refugiados na ONU, em Genebra, nesta terça-feira.
Os atores Ben Stiller, Michelle Yeoh, Cynthia Erivo e Riz Ahmed estavam entre os signatários, juntamente com a primeira mulher a ocupar a Presidência de um país da África e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Ellen Johnson Sirleaf, e o astro do basquete Wenyen Gabriel.
Para agravar os desafios enfrentados pelos refugiados, os Estados Unidos — que antes eram o maior doador da agência da ONU para refugiados, responsável pela supervisão da implementação da convenção — consideraram recentemente romper laços com a organização, informou a Reuters.
A convenção e seu protocolo de 1967 foram ratificados por 149 países, o que os torna um dos marcos jurídicos internacionais mais amplamente apoiados.
Mas grupos de direitos humanos estão preocupados com as crescentes restrições ao asilo, como os planos da União Europeia de criar centros de detenção no exterior e as restrições do presidente dos EUA, Donald Trump, à admissão de refugiados.
"Estamos vendo uma série de esforços por parte dos governos para empregar táticas com o objetivo de se livrar das obrigações previstas na convenção", disse Michael Bochenek, consultor sênior da Human Rights Watch.
Medidas mais rigorosas surgem em um momento de pressão financeira sobre a agência da ONU para refugiados, cujo financiamento disponível caiu cerca de 30% em 2025 em meio a cortes dos doadores, informou a Reuters. A agência demitiu milhares de funcionários e anunciou novos cortes este ano.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.