Renúncia de Collor completa duas décadas

Em 29 de dezembro de 1992, Fernando Collor de Mello renunciou ao cargo de presidente da República, pressionado por uma inflação de 1.200% ao ano e por um processo de impeachment motivado por denúncias de corrupção. Não se pode dizer que o ex-presidente estará em condição desconfortável ao assistir, como senador, ao vigésimo aniversário de sua queda do maior cargo público do País. Seu capital político resistiu de tal modo que, ainda em 2011, um reinaugurado “túnel do tempo” do Senado omitiu aos corredores do Congresso o processo de impeachment, que só ganharia as paredes do edifício após a cronologia ser questionada pela imprensa.

À mesma imprensa não raro se atribui a vitória de Collor, com apenas 40 anos em 1989, sobre Luiz Inácio Lula da Silva, por uma diferença de 5,71% dos votos – o último debate entre os candidatos acabou televisionado pelo Jornal Nacional com uma edição amigável ao “caçador de marajás”. O apelido, inclusive, foi uma de suas munições na campanha, em um contexto de denúncias de corrupção em todas as esferas do governo José Sarney. Eleito, lançou o Plano Collor para estabilizar a inflação. Entre outras medidas, a substituição do Cruzado Novo pelo Cruzeiro, a criação de um imposto sobre grandes fortunas, a eliminação de incentivos fiscais e o congelamentos dos preços, dos salários e de 80% dos depósitos do overnight, contas correntes e cadernetas de poupança que excedessem NCz$ 50mil. Embora atentasse contra o direito da propriedade, o confisco bancário foi aprovado pelo Congresso em poucos dias. O insucesso desembocou no Plano Collor II, igualmente ineficaz. Em maio de 1991, a prima de Collor, Zélia Cardoso, foi substituída no Ministério da Fazenda pelo economista Marcílio Marques Moreira, que providenciou junto ao FMI um empréstimo de US$ 2 bilhões, mas não conseguiu estabilizar a economia. Nem o presidente.

foto: Portal Brasil / Divulgação