A encruzilhada do Mensalão

Em dezembro de 2011, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, revisor do processo do mensalão, afirmar que alguns dos 38 réus poderiam ter penas prescritas, o presidente da Corte, Cezar Peluso, se prontificou a pedir a Joaquim Barbosa que disponibilizasse a todos os colegas cópias eletrônicas do material sob sua responsabilidade. Relator, Barbosa garante que seu voto fica pronto até abril de 2012. Segundo denúncia de 2005 do então deputado federal Roberto Jefferson (PTB), parlamentares aliados seriam pagos periodicamente para votar conforme os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva – daí o nome “mensalão”. Em 2007, o STF aceitou denúncia contra 40 suspeitos de envolvimento, entre eles José Dirceu, que deixou a chefia da Casa Civil e retornou à Câmara, onde foi cassado.

Além de Dirceu, Barbosa apontou como operadores principais do o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares e o ex- secretário-geral Silvio Pereira, todos denunciados por formação de quadrilha. Pereira se livrou da denúncia ao assinar acordo com a Procuradoria-Geral da República em que se comprometeu a fazer 750 horas de serviço comunitário. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar entre os réus. O relator indicou que o núcleo publicitário-financeiro era composto pelo empresário Marcos Valério e sócios, que respondem por formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Em julho de 2011, a PGR, nas suas alegações finais, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus. Ficaram de fora, por falta de provas, o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e Antônio Lamas , irmão do ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas. Relatório da Polícia Federal enviado ao STF no primeiro semestre sugere que o “valerioduto” teria iniciado em 1999, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso; que não há indícios de pagamentos mensais a parlamentares, mas sim de caixa 2 e divisão ilegal de restos de campanha com aliados; e que o banqueiro Daniel Dantas, fundador do banco Opportunity, foi um dos principais financiadores do esquema.

foto: Reuters