Professor de Física derruba mitos sobre a falsa chegada do homem à Lua em aula

Fabiana Leal

Se a ida do homem à Lua não é completamente consenso entre as pessoas, independente de terem assistido às imagens da chegada do primeiro homem ao solo lunar há 41 anos, essa viagem espacial instigou pesquisadores a aprofundarem seus estudos sobre o feito. Se por um lado temos a teoria conspiratória - que é taxativa e nega o fato -, a discussão também deu vazão à “contra-teoria conspiratória”.

Instigado por e-mails e programa de televisão, o professor de Física Paulo Lee levou a “teoria da conspiração” para dentro da sala de aula em 2001. Ele ouviu a opinião de 100 alunos de duas turmas do Ensino Médio e depois propôs pesquisas e atividades sobre a ida do homem à lua em 1969. Após o trabalho, voltou a ouvir os estudantes para verificar como isso refletiu no posicionamento deles.


Lee afirma que omitiu a sua opinião sobre o assunto e estimulou que os alunos tentassem, por conta própria, desenvolver pesquisas mais profundas, levantando evidências a favor e contrárias à suposta fraude. No final da atividade, o confronto entre as hipóteses acabou resultando na quase total rejeição à hipótese de fraude. Em uma das turmas, por exemplo, apenas 5% dos alunos ainda não acreditavam que o homem pisara na Lua em 1969.


Antes das atividades em sala de aula, 21,6% dos alunos de uma das turmas acreditavam que o homem tinha ido à lua, 29,4% não acreditavam na viagem espacial e 49% tinham dúvidas. Na outra turma, 26% dos estudantes acreditavam, 38% não acreditavam e 36% tinham dúvidas. Após as pesquisas em sala de aula, o índice dos estudantes que passou a acreditar na ida do homem à Lua passou para 66,7%, o dos que não acreditavam reduziu para 5,3% e 28% ainda continuavam em dúvida. Na outra turma, 50% dos estudantes passaram a acreditar na viagem espacial em 1969, 33,3% não acreditaram e 16,7% ainda tinham dúvidas.


Essa constatação acabou estimulando o desenvolvimento de um estudo maior - Projeto Ciência e Pseudociências, que foi desenvolvido nessas mesmas turmas e que acabou sendo a base de pesquisa do mestrado de Lee, e seu livro Ciências Versus Pseudociências.


O professor de Física acredita que as pessoas que defendem que o homem não foi à Lua têm esse posicionamento por “desconhecimento”. Ele considera que o fato de questionar o tempo de construção para uma aeronave – que antes era de um ano e hoje é de 13 anos, é um argumento enganoso.


“Esse argumento é falacioso. Por analogia, um automóvel modelo Ford T, em 1913 era fabricado em uma hora e meia. Atualmente, com toda a tecnologia presente nos automóveis, um automóvel, em média, demora 25 horas para ser fabricado, e nem por isso podemos afirmar que era impossível fabricar carros, no início do século passado, em tão pouco tempo. Tenho certeza que Santos Dumont demorou bem menos tempo para fabricar seu 14-BIS do que se demora hoje para fabricar um Boeing 747. Resumindo, tempo de produção não poder ser usado neste tipo de comparação”, afirmou Lee.


A questão do filme fotográfico, também levantada na “teórica da conspiração”, e que não suportaria altas temperaturas, também é rebatida pelo professor de Física.

“Apesar de estar quase à mesma distância do Sol do que a Terra, a Lua não possui uma atmosfera para filtrar os raios solares. Como a luz solar atinge diretamente a superfície, a temperatura durante o dia lunar pode passar tranqüilamente de 100°C. Um dos principais argumentos dos conspiracionistas é de que não existe até hoje um filme fotográfico que resista a estas temperaturas. Para provar este argumento Bill Kaysing (pai do mito de que o homem nunca foi à Lua) costuma contar a história de um amigo que colocou o filme de sua máquina dentro de um forno e o derreteu completamente.”


De acordo com o professor Lee, “os cientistas da Nasa são razoavelmente espertos” e, pelo mesmo motivo que os beduínos não cruzam o deserto do Saara ao meio-dia, também os astronautas não foram à Lua com o Sol a pino, mas em uma manhã lunar (lembrando que o dia lunar dura duas semanas terrestres), com a temperatura bem mais baixa. “Em segundo lugar é preciso entender que 100ºC na Lua são bem diferentes de 100ºC dentro de um forno, como pensa o ingênuo Kaysing”.